História de São João da Cruz

| 14 de dezembro de 2013 | 4 Comentários

São João da Cruz – Santo do Carisma El Shaddai pantokrator

A vida de São João da Cruz  foi marcada pela pobreza. ”Pobreza que primeiro o abraçou e que depois fora por ele abraçado como valor no qual achou um grande tesouro”.

Quando seu pai morreu, São João da Cruz tinha apenas dois anos. Com nove anos foi acolhido numa espécie de orfanato para meninos pobres e ali recebe os primeiros estudos e os meios para sobreviver. Precisou trabalhar desde cedo para ajudar no sustento da família. Teve, portanto, uma infância pobre e difícil, marcado por privações de todo o tipo.

Esta realidade dura da vida poderia ter-lhe enchido de revolta e o levado a sucumbir à ganância de ter o que lhe faltou. Mas ao contrário, para São João da Cruz a pobreza que ele viveu foi à chave para as suas grandes experiências no caminho de Deus. É por ela que conseguimos compreender a noite, a negação, o nada. Ele experimentou concretamente a ausência de tudo o que o coração humano deseja (bens, afetos, consolações) e nesta ausência encontrou Deus, o Tudo, diante do qual todas as coisas são nada.
A experiência da pobreza, por ele vivida à flor da pele, molda profundamente o seu espírito.

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Fez-se carmelita logo jovem. Mas descontente com a vivência autêntica do evangelho do Carmelo estava decidido ir para a ordem Cartuxa, que possui uma vivência particularmente radical da vida consagrada. Foi quando conhece Santa Tereza de Jesus, que lhe garante poder viver essa radicalidade almejada no Carmelo mesmo. Para tanto, fala de seus anseios reformadores já em exercícios e o convida a ajudá-la a iniciar a reforma no ramo masculino. Seus anseios e suas buscas coincidiam, havia uma comunhão de desejo e ideal entre eles, dois grandes corações que se identificam, de modo que empreendem juntos a reforma do Carmelo.

Houve um momento onde a reforma carmelita começa a ser perseguida para desacelerar o processo. Os Padres calçados tomam medidas para impedir a expansão e até mesmo conseguir a eliminação dos calçados. Em meio a esses conflitos frei João da Cruz foi o que mais sofreu as consequências sendo preso duas vezes: uma no início de 1576 e outra em dezembro e 1577. Esse último foi o tempo mais doloroso, mais também o mais rico da vida de João da Cruz.

Foi nos nove meses de prisão – num rincão sujo, sem luz nem diálogo, respirando o mesmo ar e vestindo a mesma roupa – que tem a maior experiência do nada que o acompanhou a vida toda e ele nunca hesitou em abraçar. Transformou o momento doloroso de privações de toda espécie num profunda experiência religiosa e psicológica. Em meio a escuridão, o isolamento, o abandono por parte de seus irmãos, a privação da Eucaristia, os maus tratos, ele confirma suas convicções evangélicas para saborear Deus na sua total pureza sem misturá-lo com os consolos terrenos. Privado de tudo, de toda espécie de consolo material, humano ou espiritual ele se une a Deus num amor verdadeiramente puro.

Depois da prisão ele reassume seus cargos no Carmelo até o momento em que, num capítulo da ordem ele teve que se opor aos caminhos que queriam tomar contrários às inspirações de Tereza, já falecida. Em função disso tiram tudo dele e até querem expulsá-lo da ordem; ele é posto de lado, maltratado, desprezado, abandonado, caluniado e passa por mais uma terrível noite. Mas com o seu coração abrandado e unido a Deus, não se deixa abater. No fim de sua vida, já doente, onde poderia escolher um tratamento melhor, prefere ir para um mosteiro cujo o superior o olhava com maus olhos. Oprimido pelas dores físicas e morais era consolado pela sua união de amor com Deus, falecendo em 1591.

São João da Cruz é místico, filósofo, teólogo e escritor – poeta – e doutor da Igreja. São João da Cruz define o amor como trabalhar em despojar-se e desnudar-se por Deus de tudo que não é Deus (2º livro da Subida, 5,7), colocando em relevo a necessidade de purificação do amor, partindo da realidade desordenada em que o amor se encontra e revelando aquilo que toca o homem no seu ordenamento.

“Para vires a saborear TUDO, não queiras ter gosto em NADA…”
Para saborearmos a Deus, o Tudo, é preciso nos desapegar de todos os nossos gostos, de todos os nosso gozos, mesmo os espirituais, para que reste apenas Ele, o Absoluto, o Tudo.

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Category: Artigos Pantokrator

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Comentários (4)

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  1. Antônia Machado da Silva Souza disse:

    Gostei muito da história de João da Cruz ,não conhecia.

  2. Iolanda da Silva Costa disse:

    Foi lendo a vida de São JOão da Cruz que o beato JOão Paulo segundo, decidiu se tornar sacerdote,e para nossa maior alegria se tornou papa…..
    São João da Cruz rogai por nós

  3. João Barbosa da Silva disse:

    Nunca tinha lido nada a respeito de são João da cruz. Mas nada há de mais doce do que seus escritos. assisti também ao filme e recordei-me de tudo o que li com tanta ansiedade em Terezinha do menino Jesus. A voz do amado que são João busca e persegue com tanta sofreguidão é um alento encorajador para todos os que têm um desejo semelhante, mas vivem a mesma escuridão, as mesmas dores que ele. E eu, só posso dizer ao meu amado: como o amo. Tirem-me tudo, mas não conseguirão tirar o amor que dedico a Deus, especialmente encarnado, morto e ressuscitado. Ah, correrei pelos campos, buscar-lhe-ei ainda que se esconda. Se distante, seu amor só me incita a alam a persegui-lo. Ó bem de minha alma, como estavas todo inteiro, no interior de teu servo, são João da cruz. Bem-aventurados os que vos buscam, ó senhor!

  4. Ricardo Barboza Nogueira Gama disse:

    Pouca publicidade é feita desse santo, e também não me lembro de ter visto um folheto, ou santinho, para fazer o pedido, mas pela vida radical que ele levou, deve ser um bom intercessor para fazermos nossas súplicas! Hoje, vivemos tempos muito difíceis, onde nossas famílias são alvo constantes do maligno, que Deus tenha misericórdia de nós, para que não nos deixar abater, diante desta triste realidade! Que Ele nos dê uma fé íntegra, uma esperança firme e uma caridade perfeita, amém! Paz e Bem!

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