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Jesus, O Príncipe da Paz!

Mas, agora, em Jesus Cristo, vós, que outrora estáveis longe, vos tornastes próximos pelo sangue de Cristo. Ele, de fato, é a nossa paz: do que era dividido, ele fez uma unidade. Em sua carne, ele destruiu o muro da separação: a inimizade. Ele veio anunciar a paz a vós que estáveis longe, e a paz aos que estavam próximos.” (Ef 2, 13-14. 17).

JesusPaz – Dom de Deus

O sentido bíblico de paz (do hebraico Shalom) traz um significado muito rico e que tem relação com ser completo, inteiro, plenitude, maturidade, possuir prosperidade material e espiritual, um dom de Deus concedido mediante a aliança do povo com Deus, mas para que ela permaneça, é necessária a fidelidade do povo a esta aliança firmada com Deus. “Se guardardes meus preceitos e os praticardes, darei paz à vossa terra” (Lv 26, 3a.6a).

Necessidade do mundo

O mundo atual, profundamente enraizado na infidelidade, no hedonismo e relativismo, tentando encontrar a felicidade no criado, tem necessidade deste dom de paz que só Deus pode nos dar. Ao contemplarmos este mundo que está ao nosso redor, verificamos isso a partir das realidades que vemos e escutamos todos os dias, daquilo que nos cerca, das pessoas com as quais convivemos, ou, sem irmos muito longe, podemos também perceber isso nas inquietações que existem dentro de nós mesmos, em nossos conflitos interiores, nas guerras que cotidianamente acontecem para muitos de forma velada, mas que para nós é algo presente e muitas vezes intenso. Se afirmamos que o mundo tem essa necessidade, podemos então afirmar sem sombra de dúvida que, na verdade, é o coração do homem que tem necessidade de paz, da verdadeira paz, algo que seja capaz de implantar a trégua para todas as guerras interiores e de colocar nossas almas em paz dentro de nós. E onde, então, o homem pode encontrá-la? Onde está? Como torná-la realidade em suas vidas? O que fazer para torná-la algo real em nós?

A resposta para todas essas perguntas está em uma pessoa: Jesus Cristo, Deus feito homem, o Príncipe da Paz (cf. Is 9,5), que assumiu toda nossa realidade humana ferida pelo pecado, todas as nossas enfermidades e tudo aquilo que é próprio do homem e que, através de sua oferta amorosa e livre por nós, destruiu toda a realidade de divisão e conflito gerada na história da humanidade pelo pecado, com sua Paixão, Morte e Ressurreição. “E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus.” (Fl 4,7) A partir disso, podemos afirmar que Jesus de fato é a fonte de nossa paz (cf. Ef 2), e somente em Jesus Cristo podemos alcançá-la.

Projeto de Amor do Pai

No entanto, essa paz que Cristo conquistou como dom da Sua misericórdia por nós, não pode ser confundida ou reduzida por nós a uma simples ausência de guerra, ou com uma postura de apatia diante das situações da vida, desejando com isso evitar transtornos e incômodos, muito menos com uma atitude pacificadora em nome de uma falsa conciliação, com o objetivo de nos relativizar a Verdade. É preciso entender que a paz que Deus nos dá, em Jesus Cristo, como um dom do seu infinito Amor por nós, é consequência natural que vem da adesão ao seu projeto de vida, que Ele propõe para cada filho de Deus, um projeto que não se enquadra nos projetos, ideologias e conceitos existentes no mundo atual. “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!” (Jo, 14, 27).

“Julgais que vim trazer paz à terra?” (Lc 12,51)

Essas palavras de Jesus podem parecer para nós, num primeiro instante, um pouco contraditórias diante de tudo aquilo que estamos refletindo até agora, mas na realidade elas refletem justamente a autenticidade que cada cristão é chamado a assumir no mundo de hoje, deixando claro que mesmo que desejemos a paz ou estejamos trabalhando para que ela aconteça no mundo, antes de tudo a Verdade do Evangelho de Cristo nos sustenta e alimenta e sem ela não temos como sobreviver e que, como cristãos, somos compenetrados com os ideais de Jesus Cristo, cheios do mesmo fogo que devorava o coração do Mestre. As adversidades não nos fazem recuar, mas, ao contrário, elas nos instigam e estimulam (…), pois para nós o Evangelho precisa ser colocado acima dos interesses e afetos humanos, por mais sagrados que possam ser. Desta forma, podemos sim dizer que a mensagem de Cristo irá gerar certa divisão, pois ela nos impulsionar a nos decidirmos por Deus ou não (1).

Não podemos, também, interpretar mal essas palavras de Jesus no Evangelho. Sob essa perspectiva, Jesus veio trazer guerra contra nós mesmos, contra os nossos instintos, contra nossas paixões, nosso orgulho e egoísmo, contra tudo aquilo que em nós gera a divisão e fere o projeto de amor e comunhão que o Pai tem para todos os filhos de Deus, mas não veio para trazer-nos a guerra com os outros. Se conosco queremos ser exigentes, com os outros devemos ser tolerantes, se conosco queremos ser duros, com os outros devemos ser suaves, oferecendo-lhes paz, bondade, doçura, amabilidade.

Ao aderirmos a esse projeto do Pai, que foi revelado por Jesus aos seus apóstolos, e que até os dias de hoje a Igreja guarda com todo zelo e amor, indo até o sangue se necessário for, somos convidados por Jesus a inaugurarmos um novo tempo em nossas vidas, onde não cabe de maneira alguma o comodismo, a neutralidade ou a conformação com toda ideologia que venha se antepor a este projeto de Amor de Deus pelos homens (2). Ao contrário, nossas vidas precisam se enraizar sobre a fé incondicional a essa proposta, que traz como exigências o esforço, a luta e a decisão por tudo aquilo que envolver esse projeto, permitindo que dessa forma ele se concretize em nossas vidas e se torne algo concreto e visível para nós e para todo mundo. Contudo, precisamos aderir a tudo isso, tendo em nossos corações a certeza de que essa proposta de Deus para o homem tem como fruto a paz, que vem da comunhão com Ele, pela obediência a Sua vontade, pois é impossível que, ao estarmos unidos a Ele, não gozemos dos frutos dessa união.

Dom disponível para todos

“Jesus disse-lhe: Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz.” (Lc 8, 48). Assim como disse à mulher pecadora, Cristo continua a pronunciar essas mesmas palavras para todas as situações de nossa vida, doando gratuitamente Seu amor incondicional, que está à disposição de todos.

A partir do momento que tudo isso começa a tomar forma em nossas vidas, também recebemos de Deus uma missão de não somente vivermos toda essa realidade para nós apenas ou de somente desejarmos esta paz aos outros, mas de promovê-la efetivamente. “Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa!” (Lc 10,5). Essa palavra de Cristo para todos nós porta a graça de um envio d’Ele para sermos mensageiros e comunicadores de todos os bens que recebemos abundantemente de Seu amor. Ao fazermos a experiência concreta do Seu amor em nossas vidas, não podemos guardar isso somente para nós, mas temos este dever, colocado pelo próprio Senhor Jesus, de transbordar daquilo que Ele mesmo nos dá para o mundo, que tem fome e sede do Dom de Deus.

Para isso, basta partirmos de atitudes simples e concretas, movidas pelo desejo de dar ao mundo um testemunho sincero e real, algo que realmente arraste as pessoas para perto do coração de Deus, estando presentes em todos os ambientes da vida cotidiana.

“Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia.” (Rm 8, 19.22).

E o mundo espera esse nosso testemunho, o mundo anseia que nós, filhos e filhas de Deus, plenos do seu amor, manifestemos ao mundo o Dom do Amor de Deus. Talvez o mundo não saiba disso, mas o que eles procuram de maneira muitas vezes desordenada sem encontrar, está na experiência que fazemos com o Deus que nos ama. Precisamos nos lançar nesse apostolado da misericórdia e mostrar ao mundo as razões de nossa paz e alegria.

Triunfo da paz

Sintamo-nos profundamente convidados e seduzidos por Cristo a sermos no mundo aqueles que assumem seu projeto e proclamam com suas vidas o triunfo de Deus, pelo dom da paz. “Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos” (Cl 3,15).

(1) Cf. A. MILAGRO, “O Evangelho meditado para cada dia do ano”, 2001, p. 738.
(2) Idem, p. 739.

Leonardo José dos Santos
Diacono e Consagrado na Comunidade Católica Pantokrator

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Category: Artigos Pantokrator

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