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Tolkien: a pessoa por trás da mitologia e o fascínio pela beleza do mundo real

A obra literária de J.R.R. Tolkien é única em comparação às outras produções do século XX. Há quem não goste deste Tolkien-obra-literariatipo de obra e, inclusive, critique sua utilização em meio cristão pelas referências e personagens de outras culturas. Contudo não podemos nos esquecer que a própria Bíblia fala em alguns pontos de serpentes do mar e outros seres míticos próprios da cultura local. Dentro deste contexto, importa o conteúdo que é passado e cada um pode extrair ensinamentos preciosos e serem levados à uma metanóia (mudança de mentalidade) que gera as “pequenas” conversões práticas que precisamos em nosso dia-a-dia.

Biografia

Tolkien era escritor, professor universitário, doutor em Letras e Filologia. De descendência alemã, nasceu na África do Sul em 1892, mudando-se para Inglaterra aos 3 anos de idade após a morte do pai. Viveu entre as regiões rurais de Midlands Ocidentais e a cidade industrial de Birmingham. Converteu-se ao catolicismo em 1900, juntamente com sua família, e permaneceu católico praticante a vida inteira.

Após o falecimento de sua mãe, quando tinha 12 anos, Tolkien e seus irmãos foram criados por um padre católico – Francis Morgan. Ainda jovem, conheceu sua futura esposa, Edith, mas o Padre lhe proibira de relacionar-se com ela até os 21 anos. Tolkien obedeceu-o e seguiu os estudos sem esquecê-la, até o ano de 1914 em que começaram a namorar. Em 1915 graduou-se em Língua e Literatura Inglesa.

Casou-se em 1916 antes de servir como segundo-tenente na I Guerra Mundial. Lá contraiu um doença e voltou para casa, onde passou a escrever os primeiros esboços de sua mitologia, pois sentia que faltava uma digna de sua terra. Juntou, então, o seu apreço pelo estudo da linguística que o fazia criar vários idiomas diferentes – com fonética e grafia própria, inclusive – e criou a Terra-Média. Todo o mito que a envolve fora a obra de sua vida, mas ficou inacabada.

Em 1971 faleceu sua esposa, Edith, e Tolkien morreu menos de 2 anos depois, em 1973. Foram enterrados juntos no cemitério de Wolvercote, em Oxford. Dizem que eles são um eco da mais bela história de amor de sua mitologia: em suas lápides são identificados como Beren e Lúthien.

Influências

As influências de Tolkien são diversas: o Edda Antigo (no qual se encontra, por exemplo, o nome de 16 anões e do próprio Gandalf), a Lenda de Siegfried, Beowulf, entre outros. Ele absorveu muito das sagas nórdicas, dos contos folclóricos e das lendas alemãs, do romance medieval, da busca pelo Graal, das narrativas heroicas e de outros romancistas da fantasia.

Fã da vida rural, não tinha apreço pela tecnologia e, muito menos, pela crescente industrialização, o que fica claro nas páginas de seus livros. O próprio Tolkien afirma que um autor não pode permanecer sem ser afetado por sua própria experiência, mas o modo através do qual a semente da história usa este solo da experiência é diverso e complexo e qualquer hipótese de leitura não passa de adivinhação a partir de evidências inadequadas e ambíguas.

“Numa toca no chão vivia um Hobbit”

O Hobbit foi criado quase por um acaso e a partir de um costume de Tolkien: contar histórias, criadas por ele próprio, para seus filhos. Um dia, quando corrigia provas da faculdade, ele se deparou com uma folha em branco e, movido por um impulso inexplicável, escreveu nela: “Numa toca no chão vivia um hobbit”.

A história foi publicada em 1937 com o título “O Hobbit” após o filho de 10 anos do editor, Rayner, ler e adorar. Devido ao estrondoso sucesso alcançado, o editor pediu a Tolkien uma continuação para as aventuras de Bilbo. Tolkien a escreveu, acrescentando suas velhas lendas élficas. O processo foi longo e demorou mais de 16 anos para ser concluído e a história se tornou um épico de mais de mil páginas.

Rayner, já adulto, ocupava o cargo de seu pai na editora e decidiu arriscar, publicando “O Senhor dos Anéis” em três volumes, lançados de 1954 a 1955 e foi um sucesso que surpreendeu a todos.

Importância da fantasia

Para Tolkien o valor e a importância da fantasia é: reapresentar ao homem às belezas do mundo natural que nos cerca. O problema, para o autor, é que tendemos a apenas aceitar estas belezas ao invés de nos deixarmos fascinar por elas. É sobre a realidade concreta do mundo que a fantasia se constrói para poder ampliar e reforçar a nossa avaliação do mundo real. Por isso ele prefere a ideia de subcriação – a criação de um mundo secundário – ao invés da alegoria (que se utiliza de referências mais diretas entre o sentido literal e o figurado).

No Inklings – grupo informal de discussão sobre literatura -, Tolkien criticava bastante Lewis – apologeta cristão e autor de livros como “As Crônicas de Nárnia” e que converteu-se ao cristianismo anglicano sob a influência de Tolkien e, principalmente, de Chesterton com seu livro “O Homem Eterno” – por se utilizar de alegorias em seus escritos. Tolkien nunca gostou do estilo alegórico de Lewis escrever. Contudo, apesar das discordâncias, Tolkien e Lewis eram grandes amigos e, inclusive, existe um livro que aborda esta amizade dos dois: “Tolkien e Lewis: o dom da amizade”.

Tolkien “prefere a história real ou fingida, com sua variada aplicabilidade ao pensamento e à experiência dos leitores” (LIN, 2003), de forma a propiciar certa liberdade a quem lê ao invés de fazer referências diretas. Portanto, ao falar da mitologia de Tolkien, não nos cabe fazer leituras puramente alegóricas.

O que podemos fazer é, a partir de pontos específicos da narrativa, tentarmos olhar o mundo e nos deixarmos tocar por detalhes que nos passam despercebidos: voltarmos à beleza das coisas, de cada momento e de cada jornada que precisamos viver para construir nossa história, identidade e personalidade.

Assim, quando vemos um filme ou lemos um livro de fantasia o que importa não é o que fazemos com ele, mas, sim o que ele gera em nós e o que fazemos a partir dele.

 

Principais fontes:

CARTER, Lin. O senhor do Senhor dos Anéis: o mundo de Tolkien. Tradução de Alves Calado. Rio de Janeiro: Record, 2003.

TOLKIEN, J.R.R. Sobre Histórias de Fadas.

http://conselhobranco.com.br/2012/02/03/j-r-r-tolkien/

 

Camila Pimentel de Menezes

Psicóloga (CRP: 06/99056)

Consagrada na Comunidade Católica Pantokrator

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Category: Artigos Pantokrator

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