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Vocação Presbiteral

| 29 de novembro de 2017 | 1 Comentário

O Sacramento da Ordem, conferido àqueles que possuem a vocação presbiteral, foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo na Última Ceia, conforme os evangelhos nos narram (Lc 22,19) e como invenção divina, se destina à salvação das almas, por isso é um “Sacramento de Missão”, pois serve diretamente ao propósito de salvar as almas através de um chamado que se cristaliza no exercício do único sacerdócio que é o de Cristo.

Vocação Presbiteral

Todo e qualquer sacerdote, independentemente de sua santidade de vida pessoal, ao administrar os sacramentos com a intenção de fazer o que Cristo fez traz a salvação às almas. O Sacramento da Ordem faz de seu portador um mensageiro da graça divina e torna Cristo presente de modo concreto no mundo, pois pela graça específica que esse sacramento confere, o sacerdote pode agir “in persona Christi”, ou seja, é o próprio Jesus que age pelo sacerdote.

Portanto, as ações de pregar, curar e entregar-se que Jesus desempenhou há dois mil anos atrás de forma visível, Ele agora o faz através do sacerdote. Não existem, de fato, vários sacerdócios, mas um único sacerdócio que é o de Cristo e é constantemente alargado, atualizado no tempo graças à generosidade daqueles homens que no decorrer da história eclesiástica sentiram-se chamados ao ministério sacerdotal.

Os Apóstolos foram os primeiros e receber o Sacramento da Ordem e o chamado ministerial para servir a Deus e à Igreja. Na Última Ceia, Jesus nos legou três heranças preciosas: o Mandamento do Amor, o Sacramento da Eucaristia e, atrelado a este, o Sacramento da Ordem.

Nas palavras da consagração, Cristo instituiu de modo claríssimo o Sacramento da Ordem ao usar um imperativo: “Fazei isto em memória de Mim!” Foi uma ordem que ecoa pelos séculos e desde então o mundo nunca mais foi privado da presença real de Cristo, cumprindo de modo literal sua promessa: “Eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). Daí vem o nome do sacramento, exatamente desta ordem dada aos apóstolos e transmitida pela imposição das mãos destes e depois de outros que haviam recebido e que tinham autoridade para transmitir essa graça sacramental. Assim nasceu aquilo que a doutrina católica e a teologia clássica chamam de Sucessão Apostólica.

Como discernir o chamado de Deus?

A graça do sacerdócio e da vocação presbiteral são uma realidade sublime. Porém, como discernir retamente o chamado de Deus? Como saber se se tem a vocação sacerdotal ou não? Estas são perguntas que todos os rapazes católicos um dia deveriam se fazer. É óbvio que poucos são os escolhidos de Deus, mas também é igualmente verdade que muitos jovens católicos, por falta de quem lhes oriente adequadamente sobre a vocação presbiteral, acabam abraçando outros estados de vida mesmo tendo o chamado especial para o sacerdócio. O primeiro passo para solucionar essa questão é a vida de oração e a frequência aos sacramentos. Somente uma pessoa que vive na intimidade de Deus e que O busca sem cessar pode se tornar apta para compreender o que Deus lhe pede ou indica, para sua própria felicidade.

Primeiramente é necessário compreender que ao nos criar, Deus inseriu em nosso coração inclinações, aspirações e desejos que nos conduzem a Ele, como um mapa de volta para casa a fim de que saibamos de onde viemos e para onde vamos, para que não nos percamos no caminho. No entanto, todos temos liberdade de escolher para onde vamos, com o dever de sempre arcar com as consequências de nossas escolhas. Assim, uma inclinação, admiração, zelo, interesse por conhecer as coisas referentes a Deus e ao sacerdócio não são ordinariamente um sinal de vocação, no entanto, na maioria dos casos, é aí que se encontram as primeiras inspirações e sinais da vocação.

Vocação presbiteral, um chamado irrevogável

Estritamente falando, de acordo com a doutrina, não é possível que uma pessoa “sinta o chamado sacerdotal”, primeiro porque Deus é transcendente e não imanente, ou seja, Deus é um espírito puro e como tal, faz parte de sua natureza agir sem que os cinco sentidos humanos necessitem ou possam captá-lo. Por mandato divino, o chamado sacerdotal só ocorre de fato no Rito da Ordenação, quando o bispo, agindo in persona Christi chama o candidato às ordens sacras e lhe confere o sacramento da Ordem após seu consentimento. Por isso, um sacerdote jamais perde sua vocação ou seu chamado. Uma vez tendo sido chamado e tendo aceitado, vindo a receber o Sacramento da Ordem, temos diante de nós um sacramento que imprime caráter, ou seja, que grava seus efeitos na alma de quem o recebe. O Batismo, a Crisma e a Ordem são sacramentos que imprimem caráter e por mais que a pessoa cometa pecados gravíssimos, a graça sacramental não se apaga nem se torna ineficaz, mas é certo que se mantendo nesse estado deplorável causa grande mal à sua própria alma.

Uma vez padre, para sempre padre

A “perda da vocação” de que ouvimos falar, deve ser entendida como uma expressão em sentido figurado e amplo, significando antes de qualquer coisa a perda da idoneidade para o exercício do ministério sacerdotal. Essa idoneidade deve ser entendida como o conjunto das condições básicas para um indivíduo exercer dignamente o ministério sacerdotal, como condições espirituais, físicas e morais, orientando tudo isso pela reta intenção de agradar a Deus com sua própria vida. A Igreja define esses critérios muito objetivos como sendo as qualidades básicas para um candidato ao sacerdócio. Inclinação, admiração, interesse, graças místicas e ainda outros fatores subjetivos não são garantia de uma autêntica vocação presbiteral.

Por fim é útil recordar que a vocação pode ter três origens: a) Revelação Divina Formal, como no caso de São João Bosco que teve uma visão na qual cuidava de muitos meninos e Jesus lhe ordenava que cuidasse dos mesmos; b) Inspiração Divina, ou seja, um impulso irresistível da própria vontade que movida pela graça de Deus leva o indivíduo a usar de todas as suas forças e capacidades para buscar o sacerdócio, sem o emprego de sugestões da imaginação ou deliberações racionalizadas; c) Eleição sobrenatural. Trata-se do modo mais ordinário e seguro de se discernir uma verdadeira vocação presbiteral, pois não se baseia em revelações místicas ou impulsos da vontade, mas sim num percurso de fé marcado pela vida de oração, frequência aos sacramentos, meditação e deliberações racionais que levam o indivíduo a eleger livre e racionalmente este estado de vida para si, em favor da Igreja.

O apoio da graça no discernimento

Embora a revelação ou a inspiração divinas pareçam ser os modos mais adequados de se discernir uma verdadeira vocação, na realidade são os mais complexos e perigosos, pois podem induzir o indivíduo a erro sem que este o perceba. Um rapaz, por mais seja bem intencionado, pode tomar como inspiração divina aquilo que pode ser uma tentação demoníaca para desviá-lo de sua verdadeira vocação. A Eleição Sobrenatural, no entanto, é baseada na oração, meditação e ponderação racional e por isso muito mais segura, mas mesmo nesta modalidade é importante que o indivíduo que deseja fazer honestamente esse discernimento esteja em estado de graça, pois é a graça que nos move verdadeiramente em direção a Deus e sua vontade. Todo movimento em direção a um bem sobrenatural não pode ser fruto da natureza humana, mas sim da ação da graça divina.

Portanto, o sacerdócio católico é uma extensão do único sacerdócio de Cristo através do qual Nosso Senhor concretamente, por seus méritos nos salva e redime através dos sacramentos. O padre é o despenseiro da graça e, como tal, deve ter uma vida voltada para Cristo e para seu povo e, assim, não só distribuirá as graças de salvação, como também encontrará sua própria. Assim que foi ordenado sacerdote, Santo Afonso de Ligório escreveu para si próprio um conjunto de propósitos que seguiu fielmente até o fim de seus dias. Entre esses propósito escreveu: “Devo em tudo obedecer à voz de Deus, pois de agora em diante Ele obedece à minha e baixa aos altares em que celebro todos os dias”. Rezemos por todos aqueles que possuem a vocação presbiteral e que já abraçaram esse árduo ministério e por aqueles que Deus está chamando.


Luiz Raphael Tonon
, consagrado da Comunidade Católica Pantokrator, casado, pai de uma filha, professor de História, Filosofia, Sociologia e Ensino Religioso e ex-seminarista redentorista.

 

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Category: Artigos Pantokrator, Formações, Vocação

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