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Seu Corpo, um Outdoor de Revolução?

Faz alguns anos escrevi um texto sobre “pearcing e tatuagens” (que pode ser lido aqui). Eu reitero as coisas ditas por mim naquele texto, mas ali eu fiz uma abordagem sob a ótica religiosa. Quero agora refletir questões similares, porém, de modo ampliado e com uma abordagem mais cultural.

Para você entender o que eu falarei a seguir, é importante assistir a vídeos como esse:

A Raiz do Problema – Como chegamos aqui?

Vivemos dentro de um caldeirão de reengenharia social e cultural no Brasil e no mundo. Em cada país, os protagonistas mudam de cara e organização, mas sempre estão lá personalidades, partidos políticos, mídia, centros culturais e poderes econômicos reengendrando os valores e costumes das pessoas. Trata-se de uma revolução no sentido mais genuíno da palavra, ou seja, uma força de mudança, que age com violência, destruindo as bases atuais que são fruto de uma edificação histórica, com o fim de implantar uma nova ideologia. O mundo precisa progredir, mas o progresso surge a partir do bem construído no passado, que são as bases para o futuro. O teólogo e Cardeal Ratzinger, mais na perspectiva da compreensão da fé, chamava isso de “hermenêutica de continuidade”: ler o novo em continuidade com a tradição. Por milênios a humanidade vem evoluindo em todos os sentidos da vida humana, mas, de repente, num acesso arrogante e adolescente, o homem pós-moderno acha que acendeu as luzes em meio às trevas, que descobriu a chave do conhecimento em meio à ignorância de toda humanidade que o precede. Isso é querer começar tudo do zero, o que é tão tolo, quanto a medicina resolver apagar tudo que descobriu até hoje desde Hipócrates – pai da medicina – e começar do zero. Você iria a um médico que pensasse assim?

Caro leitor, para que tudo isso aconteça, essa reengenharia revolucionária precisa de você. É necessária uma massa de manobra, porque só assim o consciente coletivo muda. E para isso é necessário comunicação. Toda revolução usa mecanismo de comunicação para produzir as mudanças. Tanto é assim que, para as ciências políticas, os Regimes Totalitários só surgem no séc. XX, quando ferramentas de comunicação permitiram a manipulação de um grande número de pessoas. Essa comunicação transformadora precisa do melhor outdoor publicitário que existe: as pessoas, que, juntas anonimamente, constituem as massas. Isso acontece mais ou menos assim: de repente, pessoas famosas e modelos de juventude começam a usar uma determinada moda que rompe padrões estéticos e comunica uma nova referência de valores e costumes. Logo isso passa a ser o novo padrão que vai se impor, especialmente à juventude. Mas não demora e esse padrão vai ser novamente superado, e um ciclo de revolução cultural se desenvolve, alheio à reflexão e ao diálogo na sociedade. Sem refletir, a maioria vive costumes que não pensou, mas que alguém articulou financiando aquela celebridade no início do ciclo. Isso vai tão longe que, em ciclos adiantados, quem reflete seus costumes ou resiste torna-se um retrógrado, ou começa a ceder em algumas coisas para ter direito de cidadania. O fato é que todos perdem o fio da meada do progresso, porque o passado virou trevas, o presente é a moda ignorante, e o futuro é entregue a um destino desconhecido. Em tempos assim vale a frase do pensador Edmund Burke, ditas ainda no séc XVII: “É impossível estimar a perda que resulta da supressão dos antigos costumes e regras de vida. A partir desse momento não há bússola que nos guie, nem temos meios de saber a qual porto nos dirigimos.”

É dessa forma que coisas ingênuas, e aparentemente inocentes, vão sendo infiltradas nos costumes, e nós, sem querer, nos tornamos como que outdoor de uma reengenharia e, nesse momento, pousamos de “idiotas úteis de massa de manobra”.  É aí que coisas divertidas como uma simples tatuagem, por exemplo, se tornam um sussurro quase imperceptível, mas que em meio a milhares de corpos indelevelmente pintados, é um barulho atordoante hipnotizador das massas.  A tatuagem, poucos anos atrás, era sinal de irreverência e revolta, e somente comunidades subversivas ou mesmo criminosas a usavam. O que significa ela hoje ser tão comum? Que todos se revoltaram e se tornaram subversivos? Que a tatuagem deixou de ser sinal de irreverência, e agora é mera moda? Parece-me  que a resposta é um pouco de tudo. A massa se revoltou contra os valores passados e ultrapassados, e isso é inquestionável. Pior, ela se revoltou sem perceber e, portanto, sem pensar e refletir. Isso é progresso? Acho que não! É verdade também que a tatuagem vai perdendo o significado de “subversividade”, tanto porque vai virando moda, tanto porque tudo vai sendo subversivo, e ela já não comunica revolução. Entretanto, vão surgindo outros desenhos nos outdoors humanos que quebram novos paradigmas, produzem novos sussurros sutis e coletivos de superação do passado… (por exemplo, os monstros dos desenhos infantis ficaram bonzinhos, a roupa rasgada ficou fashion etc.). Com isso, a consciência coletiva vai sendo modelada, passo a passo e, repito, sem a menor reflexão ou discussão de ideias. O problema não é mudar, mas mudar sem pensar, pior, mudar manipulado por interesses ocultos de terceiros. O feio se torna legal, o irreverente se torna modelo, a se tradição se torna por princípio retrocesso e assim vai, vai , vai… O sexo se torna gênero, aborto é lei, família é qualquer ajuntamento afetivo e assim vai, vai, vai… E o futuro? No futuro coisas hoje absurdas se tornarão “moda”, como por exemplo, a pedofilia se tornar um possível direito (partidos e ONGs na Europa já defendem essa ideia). Pior é que tudo isso não vai se propondo, mas se impondo, forjando um patrulhamento ideológico que constrange e já começa a criminalizar quem pensa diferente. Esse tipo de revolução, não simplesmente forja um mundo muito diferente do passado, mas gera regimes totalitários. Hoje perguntamos como países inteiros aderiram às absurdas ideologias Nazista, Fascista e Comunista. Talvez a resposta não simplesmente atenda a uma curiosidade histórica, mas nos salve do “super totalitarismo mundial” que aos poucos vai se organizando diante de nossos olhos.

Hoje se fala de mudança como um princípio necessário e fundamental. Se alguém propõe mudança, então é bom, é pioneiro. “Queremos mudança”, se diz. Mas é preciso pensar! Mudar de onde, para onde, e de que maneira? Isso vale para tudo, especialmente para nossos valores. Se alguém lhe propuser coisas novas, novos costumes, nova moda, novas ideias, pense muito bem antes de assumir essa mudança. Claro, pode ser uma oportunidade de progredir, e isso será bom. Mas cuidado, porque você, seu corpo, sua pele podem simplesmente se tornar mais um outdoor que, sem perceber, serve de propaganda de um novo regime cultural, do primeiro totalitarismo do séc. XXI.

André L. Botelho de Andrade

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Category: Formações

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