Afogue o mal em abundância do bem

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abundância

Quem não quer uma abundância de coisas boas em sua vida? Notícias, pessoas, situações, surpresas! Porém pouco refletimos, talvez, que essa abundância depende mais de nós do que de Deus. Quero dizer que depende do olhar com que olhamos e do coração com o qual amamos, da fé que temos. A abundância está ao nosso dispor.

O que é o mal? Ausência do bem. À medida em que mergulhamos o mal na abundância do bem, no “mar do bem”, ele deixa de ser mal. Foi assim que Jesus venceu o pecado na cruz. Ele, que é o sumo Bem, o Bem por excelência, atraiu todo o mal a Si e o “afogou” numa abundância inimaginável de amor. Transformou a morte em vida!

Ele nos convida a seguí-LO (.)

Como “só Deus é bom.” (Mc 10, 18), só conseguiremos “afogar o mal” se o bem for abundante em nós. À medida que Deus for preenchendo os espaços em nossa vida, manifestando Sua abundância, o mal em nós certamente morrerá “afogado”. Sendo mais clara, quanto mais nos dedicarmos à oração sincera, à busca de Deus (que é o Bem único), deixaremos de alimentar o mal a que nossas tendências nos atrai, tiraremos dele o oxigênio que o faz sobreviver em nós. Um exemplo: se costumamos nos irritar facilmente, perder a paciência com contrariedades, e quando elas acontecem ficamos alimentando tais pensamentos, pensando e repensando, discutindo em nossas mentes, nos justificando, dando razão às nossas indignações, esse mal vai recebendo o oxigênio que precisa para ir crescendo em nós a tal ponto de se mesclar com nossa personalidade e acreditarmos que “somos” assim e não “estamos” assim. Ao acreditarmos que “somos” assim, deixamos nos configurar com esse mal e acreditamos na mentira de que a paciência não é para nós. O bem vai se tornando estranho, e aos poucos até impossível, quando alimentamos o mal. Contudo, se tivermos uma vida madura de oração, se buscarmos o bem com sinceridade, enxergaremos que todos têm contrariedades e que elas são oportunidades de crescimento, que nos desafiam a crescer no amor, a confiar, a abandonar nossa vida ao Bem. Quando nos tiramos do centro e deixamos Deus tomar o Seu lugar, aquela contrariedade que nos irritava acaba nos levando a reflexões mais proveitosas: por que eu me irritei com isso? O que essa contrariedade quer me dizer? O que Deus quer que eu aprenda com ela? E assim, damos espaço para que o bem cresça e se torne abundante em nós, e aquilo que era um mal, se afoga no bem, nos levando ao Único que é Bom.

“Eu vim para que tenham vida e para que a tenham em abundância” (Jo 10, 10)

Deus nos deu a inteligência e ela só nos levará ao conhecimento da Verdade se essa for nossa escolha. Qual abundância temos hoje em nossa vida? Uma profunda reflexão e autoconhecimento são essenciais, ainda mais nos dias de hoje, no tempo das distrações, pois muitos dos sofrimentos de nossa vida poderiam ser melhor aproveitados ou até evitados se conhecêssemos melhor a Deus e a nós mesmos. Seríamos menos vulneráveis ao mal se lhe resistíssemos “fortes na fé” como aconselha São Pedro em sua primeira epístola (5, 9).

A fé nos faz “andar sobre as águas”, nos faz confiar que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8, 28) e nos leva à sabedoria de crer no: “Vivei sempre contentes. Orai sem cessar. Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo: abraçais o que é bom. Guardai-vos de toda a espécie de mal.” (1Tes 5, 16-22)

Deus é Pai, fonte de toda sabedoria, nos ama e cuida de nós, se nós nos deixamos cuidar por Ele. Muitas vezes achamos que o bem está onde ele não se encontra e o buscamos enganados pelos atrativos superficiais do mal. O mal usa nossos sentimentos e emoções para nos seduzir e depois que estamos presos em seu ciclo vicioso, todo o prazer e conforto se esvaem e o que fica é o vazio, o desespero, a sensação de abandono. Na verdade, Deus jamais nos abandona, somos nós que escolhemos abandoná-LO. Porém enquanto há vida, há chance de mudança! O Pai está sempre pronto para nos perdoar.

Creiamos e contribuamos para que nossa oração do “Pai Nosso” não seja dita em vão, mas que se cumpra tudo o que nela pedimos.

É nossa escolha afogarmos o mal na abundância do bem!

Tenhamos coragem e determinação, pois nosso Deus, na cruz, enquanto parecia derrotado vencia o mal. Só com Ele e n’Ele venceremos também!

“No mundo havereis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.” (Jo 16, 33)

Rosana Vitachi
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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