Casamento: O Sorriso do outro é minha meta

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Casamento

“O casamento é, obviamente, uma das tendências mais naturais da natureza humana” ¹. Não é por acaso que “do princípio ao fim, a Sagrada Escritura fala do matrimônio e do seu mistério, da sua instituição e do sentido que Deus lhe deu” ². O Senhor quis elevar o matrimônio à dignidade de sacramento.

O matrimônio se compara ao sacramento da Ordem, no sentido de que devem ser ordenados para a salvação do outro. E através do serviço feito ao outro é que se encontra a salvação pessoal. Provavelmente você já ouviu a seguinte frase: “Não devemos casar para sermos felizes e sim para fazer o outro feliz”. Seria esse o “segredo” da felicidade conjugal?

Em um primeiro momento, afirmar que o casamento deve ter como fim último fazer o outro feliz em detrimento da própria felicidade parece o ideal. Afinal, é uma bússola que nos orienta contra o egoísmo, buscando sair de si para encontrar aquele que elegemos até o fim.

No entanto, é preciso ter cuidado. Afinal, nós cristãos sabemos que tudo o que podemos dar para o outro, por mais que nos esforcemos, será algo finito. E o homem traz em sua natureza a busca pela felicidade e pelo eterno. Algo que sabemos que só Deus pode dar. Somente Deus é capaz de saciar os anseios humanos.

Sendo assim, por mais apaixonados, convertidos e ordenados que os esposos possam ser, o casamento por si só não será capaz de atingir a meta alta a que se propõe o sacramento.

Então, qual deve ser a meta do casamento?

A grande meta do ser humano deve ser o céu. Desta forma, no casamento, a meta dos esposos deve também ser o céu, mas não o meu e sim o do outro. Minha maior meta deve ser a santidade do meu esposo(a). O meu maior desejo deve ser que ele esteja voltado para Deus.

No entanto, sabemos que a salvação não está nas nossas mãos. Que nenhum de nossos atos será capaz de santificar o outro, por mais que o amemos e nos dediquemos a ele. Só Cristo é capaz de fazê-lo. Existe uma graça própria do casamento, que “destina-se a aperfeiçoar o amor dos cônjuges e a fortalecer a sua unidade indissolúvel. Por meio desta graça, eles auxiliam-se mutuamente para chegarem à santidade pela vida conjugal e pela procriação e educação dos filhos”. E Cristo é a fonte desta graça.

Fomos criados por Deus por amor e chamados por Ele a ser amor. No casamento temos o privilégio de viver em uma “escola de amor”. Seja com o cônjuge e com os filhos, ou aqueles a quem Deus nos confia. Quando nos propomos a amar o outro, com o olhar voltado para Deus, experimentamos um transbordar de amor tão frutuoso que aquele que recebe entra em um movimento de graça. E desta maneira, a melhor resposta e o lugar de encontro não poderia ser outro além de um belo e sincero sorriso!

1. BURKE, Cormac Pe.; AMOR E CASAMENTO – Editora Quadrante, Brasil, 1991
2. Catecismo da Igreja Católica (parágrafos 1534, 1632, 1641

Vanessa Cícera
Consagrada na Comunidade Católica Pantokrator

*Foto de Márcio Felix Produções

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