Castidade: Plenitude do amor

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“Castidade é a virtude dos fortes!” Por quê? Parece loucura, mas esta é uma verdade que pode ser alcançada com uma sincera reflexão… Em um mundo onde somos criados e motivados a possuir tudo aquilo que nos dá prazer, que nos faz sentir bem, falar em ESPERAR parece uma verdadeira piada de mal gosto!

Por isso, em um tempo no qual somos doutrinados a viver relações superficiais, pautadas somente no “aqui e agora”, é preciso de fato reconhecer como fortes aqueles que elevam suas relações a um patamar mais profundo e não aderem aos apelos do pecado. O mais forte é aquele que sabe dominar os próprios desejos!

Castidade e Vontade

Optar pela vivência da castidade não nos deixará sem desejos ou vontades. Esta é uma ilusão bem comum entre os jovens cristãos. Nós somos humanos e “sentir” as coisas é algo que faz parte da nossa natureza. A castidade não nos torna “espírito sem corpo”. Ao contrário, ela é a virtude que nos ensinará a lidar com as paixões.

A castidade é como os óculos, onde existem lentes que contém o grau do amor. Essas lentes nos ajudam a transcender o “aqui e agora”, nos faz aprofundar nossas relações no conhecimento do outro. Pois, só amamos o que conhecemos. E quando amamos o outro, queremos o bem para ele.

O que é o bem para o outro?

Pense em um homem que, ao término de uma noite “com tudo o que acha ter direito”, deixa sua namorada em casa e segue para ver outra. De certo, todos vamos concordar que esta não é a melhor forma de ele demonstrar que ama a namorada.

Ao mesmo tempo, no coração desta namorada, existem sentimentos profundíssimos, alegrias e tristezas, riquezas enormes que nenhuma outra pessoa possui. Tais riquezas jamais foram atingidas pelo homem do exemplo, porque a essência está oculta na alma da namorada, não na superficialidade do seu corpo.

O ato sexual que tiveram diz uma coisa, mas a conduta do sujeito diz outra. O ato íntimo revela um desejo de união absoluta, em uma só carne – na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Mas não foi isso o que ele buscou. Ele não queria o “até que a morte os separe”, se contentou com o “até que a noite termine” …

Vamos meditar?

Atente-se para a seguinte história e para a riqueza do seu ensinamento:

“Dave era um garoto normal do Texas, que fazia o ensino médio e gostava de mexer em carros. Ele tinha uma boa família cristã e cresceu aprendendo a ser fiel a Deus, à família e ao país. A garota que ele gostava na escola, Brenda, achava que ele era um pouco exagerado, quando um dia ele falou para ela no corredor do colégio que a amava. Ela deu um tapa na cara dele, pedindo para nunca mais repetir aquilo, a não ser que fosse de verdade.

Alguns anos depois, após ter passado mais tempo com ela – namorando com pureza e mostrando que ele realmente se importava – Dave pediu Brenda em casamento. Ela disse sim, e pouco depois, estavam casados. Então, um dia chegou uma carta: Dave tinha sido chamado para servir no exército durante a guerra do Vietnam. Como não queria descumprir a ordem e não queria morrer, Dave escolheu a Marinha, imaginando que isso lhe traria mais segurança por estar na água, ao invés de se meter em combate na selva. Logo ele descobriu que tinha sido selecionado para servir em uma unidade especial da Marinha atuante em rios. Depois de um rigoroso treinamento de patrulhamento de rio, Dave teve uma folga de 10 dias para ir para casa. Ele aproveitou o tempo com Brenda e, no dia da partida para o Vietnam, ele a beijou e prometeu: “Querida, eu vou voltar sem nenhuma cicatriz”. Mal sabia que a palavra “cicatriz” teria um novo significado para ele.

Ele voou para o Vietnam, onde serviu na linha de frente contra os vietcongues. Nos oito meses que se seguiram, Dave manteve sua fé. Ele foi treinado para se manter fiel aos homens com que servia e a sua mulher, Brenda. Enquanto muitos outros soldados cediam e se entregavam a aventuras com drogas, pornografia, ou prostitutas, Dave se manteve firme em seus votos. Ele estava apaixonado e guardava todas as premiações para dar de presente a Brenda – dinheiro que ele guardava para ela, ao invés de gastar em atos frívolos de autossatisfação.

Faltando apenas uma semana para receber uma viagem paga ao Havaí para aproveitar com Brenda cinco dias de uma segunda lua de mel, durante um intenso tiroteio em 25 de Julho de 1969 com os vietcongues bem próximos, a unidade de Dave sofreu uma emboscada. Seus colegas sobreviveram ao ataque, mas alguma coisa (uma bala ou um estilhaço) deixou uma pequena marca em sua bochecha. Dave tirou o pedaço de metal sem dificuldade e agradeceu por estar vivo. Mas essas era uma pequena cicatriz. Seria o próximo dia que mudaria sua vida para sempre.

Era 26 de Julho de 1969, perto da fronteia com o Camboja, quando a unidade de Dave subiu o rio para fazer o patrulhamento da mesma área onde tinha ocorrido o intenso combate do dia anterior. Enquanto o barco deslizava suavemente, tudo estava quieto. Dave sentiu que algo estava errado. Ele se abaixou e apanhou uma granada, puxou o pino, e preparou para atirá-la, pretendendo criar uma cortina de fumaça para encobrir seu barco.

Mas uma luz piscou como em um flash, e o mundo pareceu explodir. Um combatente tinha atirado em Dave atingindo sua mão e a granada, que estava apenas a centímetros de sua face. Ela explodiu…

Em um instante, o corpo de Dave estava pegando fogo. O lado direito de sua face estava destruído. Ele pulou na água e nadou até a margem onde desmaiou ainda em chamas. Foi resgatado por um helicóptero e o médico chegou a pensar que ele estava morto. Mas ele resistiu, e foi levado até o Japão. Depois de um tempo de recuperação, foi mandado de volta a San Antônio, Texas.

 O soldado na cama ao lado estava sem pele, queimado da cabeça aos pés. Dave ouviu a mulher desse soldado chegar e jogar a aliança aos seus pés, dizendo que nunca mais poderia andar com ele na rua. E saiu. Enquanto Dave esperava por Brenda, temia o pior. Como poderia ele, um “monstro com a face deformada”, ficar com uma mulher linda como a Brenda, muito menos continuar sendo o amor de sua vida?

Ali estava ele – apenas um resquício do homem que tinha beijado Brenda na despedida oito meses atrás. Tudo que ele podia fazer era esperar, e temer. Finalmente, Brenda chegou. Como não conseguia identificar Dave pela aparência, ela se aproximou de sua cama e conferiu o nome escrito no seu prontuário e a etiqueta de identificação em seu pulso para ter certeza de que era ele. Então, ela se inclinou e o beijou na face. “Eu quero que você saiba que eu te amo”, ela disse enquanto olhava para ele, no olho do lado bom de sua face. “Bem-vindo a casa, Dave.”

Brenda permaneceu o quanto foi permitido a ela naquele dia e, através do seu amor, a esperança reacendeu no coração de Dave.

[…]

O casamento deles foi feito no céu, fortalecido durante a guerra e para sempre marcado pelos votos fiéis de um amor que queima mais profundamente do que qualquer granada, e que fala mais alto do que qualquer cicatriz.” (Fonte: Teologia do Corpo para Jovens).

Quando decidimos viver nossas relações com os óculos da castidade, tomamos o caminho de conhecimento do ser da outra pessoa, saindo do seu corpo e adentrando ao seu coração.

Sejamos fortes para aprofundar nossas relações e assim tocarmos a vivência de um amor que é livre, total, fiel e fecundo.

Deus nos abençoe.

Angélica Baruchi Libório
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator 

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