Católico pode ir ao centro espírita?

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Espírita

Essa é uma pergunta muito frequente com a qual constantemente somos abordados: católico pode ir ao Centro Espírita?

Quantos de nós, católicos, não têm alguém nos grupos de WhatsApp (e grupos de Igreja, da pastoral, do grupo de oração etc) que, vira e mexe, posta uma mensagem de Chico Xavier falando de amor, paz e saúde? Quantos de nós não vemos (ou ouvimos falar) que Allan Kardec e tantos outros falavam bem de Jesus, de que Jesus é o mais iluminado ser, aquele que mais evoluiu e o que mais amou? Quantos de nós, também, fomos abordados para ajudar as creches espíritas, que ajudam as crianças pobres, órfãs etc?

Antes de dar uma resposta, a nós católicos, ‘seca’ e direta (afinal, a fé católica não é um conjunto de normas ou aglomerado de ‘sim’ e ‘não’), quero te levar a uma reflexão. Muitas vezes já ouvimos aquele exemplo: vários cegos estão tocando um elefante e o que toca a tromba diz: “o elefante é como uma serpente”. “Não, é como uma borboleta”, diz o outro cego que toca a orelha; e assim vai… Alguns tentando explicar que a fé, que Deus é visto de uma maneira por cada religião.

Uma ou muitas vidas?

O problema desse exemplo é que Deus Se fez carne e habitou entre nós. Ele não apenas passou por nós, Ele nos ensinou muito! Muito está na Bíblia; e outro tanto na Tradição. Diz o Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 26: “A fé é a resposta do homem a Deus, que a ele Se revela e Se oferece, resposta que, ao mesmo tempo, traz uma luz superabundante ao homem que busca o sentido último da sua vida.” De sua vida, única vida.

Jesus no diz que há muitas moradas e que Ele prepara uma morada a nós e virá nos buscar (cf. Jo 14,1-4) para lá morar (e não retornar). Diz que é necessário nascer de novo da água e do Espírito (cf. Jo 3, 3-13), ou seja do Espírito Santo, no Batismo, renascendo na oração pessoal, clamando o Espírito Santo não encarnando novamente ou tendo o espírito vagando; e, principalmente, Ele Ressuscita e sobe ao céu.

Mostra-nos em Sua vida que a vida é apenas uma! Uma única vida. Uma única existência!

A nós, católicos, traz algumas advertências: não evocar espíritos, como em Levítico 19, 31: “Não recorram aos médiuns nem busquem adivinho, pois eles vos contaminariam. Eu sou o Senhor, vosso Deus”; ou em outras passagens como Dt 18, 9-12, Lv 20, 6, At, 16,16-18. Veja que em Pentecostes o Espírito desce e inflama a alma de cada apóstolo, mantendo neles as faculdades da alma (vontade e memória) tendo em si cada um sua personalidade única mantida. Não há uma entidade que toma o corpo de cada um deles.

A quem servir? A quem seguir?

Aqui já vemos discrepâncias entre a fé católica e o que é professado pelo Espiritismo. Nisso podemos ver que não há “casamento de fé”, levando-nos a entender que precisamos decidir a quem vamos seguir. Não há como servir a dois senhores: ser de Cristo e buscar uma consulta a um espírito. Mal sabemos que espírito irá falar conosco (na verdade, sabemos quem busca enganar, ludibriar e ‘macaquear’ Deus…).

Se na Igreja Cristo nos dá Seu Espírito, o que iremos encontrar em um Centro Espírita? Se Deus tanto nos alerta quanto à adivinhação, à consulta necromante, a magias (aqui entra a amarração, encomendação, benzedeiras) e tantas outras coisas, por que buscar isso se temos o verdadeiro alimento: o corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Por que um católico recorreria à consulta dos mortos?

Certa vez, num atendimento de oração, uma mãe aos prantos queria saber sobre o filho morto. Havia (na época) 1 ano e meio de uma morte de acidente automobilístico de seu filho. Ela gostaria de saber onde o filho estava (céu, inferno, purgatório ou outro lugar). Para nós, católicos, é muito claro em nossa fé que, uma vez findada a vida nesse mundo, iremos ao encontro de nosso Juízo. O desespero dessa mãe (e de tantas outras pessoas), a partir da dor da perda e de uma desconfiança do amor misericordioso de Deus, buscava uma resposta que ninguém poderia dar. Na verdade, a resposta é confiar no Amor de Deus.

Rezamos pela dor dessa mulher para que o amor de Deus a tocasse e consolasse seu coração. E, assim, voltou para casa mais acalentada (não apenas afetivamente, mas em sua alma).

Para onde iremos, basta Deus saber. Por isso, não há como ter os “dois senhores” em nossa vida. Ou escolhemos o Espirito Santo como regente de nossa alma, o Amor do Pai e o Senhorio de Jesus, ou buscaremos outras coisas. Não há como um católico ser católico buscando Kardec, Xavier e tantos outros. Ou amadurecemos na fé, sendo uma fé viva no Ressuscitado, ou vagaremos nesse mundo na incerteza e inconstância de um medo de não ser aceito e amado por sei lá quem.

Não confunda a experiência de São Joao Bosco (relatada no livro “Céu, Inferno e Purgatório”), Santa Teresa d’Ávila ou Santa Faustina como um espírito desencarnado que a apresentou. Essas experiências pessoais são fruto da Revelação que Deus deu para que eles nos ajudassem a buscar o céu.

Nem mesmo a aparição da Virgem Maria, São José ou São Miguel como uma evocação de espíritos. Deus os enviou e, a nós católicos, basta a confiança de que a Bondade Divina nos brindou com tais revelações.

Eu, Católico Apostólico Romano

Uma vez estando decididos pelo Senhor, busquemos o Sacramento da Confissão (os que ainda  não o fizeram), caso tenhamos ido a benzedeiras, mesa branca, centros espíritas, participado de jogos espíritas (copo, caneta etc.), participado de ações de “centro” para que nossa alma seja purificada de toda contaminação, sujeiras vindas do submundo espiritual.

Por fim, rezemos proclamando a nossa fé (que, como disse no início, não é um amontoado de palavras, mas a vivência de uma Pessoa: Cristo) no texto do Credo Niceno-constantinopolitano:

“Creio no Espírito Santo, / Senhor que dá a vida, / e procede do Pai e do Filho; / e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: / ele que falou pelos profetas. / Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. / Professo um só batismo para remissão dos pecados. / E espero a ressurreição dos mortos / e a vida do mundo que há de vir. – Amém.”

Leonardo Pataro
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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