Ceia do Senhor

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Com a Missa vespertina da Quinta-Feira Santa inicia-se o Tríduo Pascal, centro e vértice da história da salvação.

Às vezes damos pouca importância a essa Missa por não percebermos toda a riqueza contida nessa liturgia.

Com o nome já diz, a Ceia é do Senhor porque nela Jesus institui o Sacramento da Eucaristia, memorial de nossa salvação. Sabendo o Senhor de nossas fragilidades, antes de voltar ao Pai, quis Se fazer presente neste grandioso mistério de amor, tão estupendo que nem todos são capazes de alcançá-lo, não porque não podem, mas porque exige também uma fé estupenda. E assim o realiza para ficar próximo de nós, ou melhor, ser alimento na longa peregrinação rumo à Pátria definitiva, o Céu.

Temos também a narrativa em que Jesus lava os pés de Seus discípulos: “levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés de seus discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido” – Jo 15,4-5.
No gesto profundo do lava-pés, o Senhor nos deixa seu exemplo de doação no amor. Por isso a Eucaristia, “Sacramento do amor”, ganha sentido em nossas vidas quando a vivemos no amor doação a Deus e aos irmãos.

Mas, com o Sacramento do amor, deixa o Senhor para a Sua Igreja, o testamento do amor: “Dou-vos um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros como eu vos tenho amado” – Jo 15,34.

Nesta noite, o Senhor também institui o Sacerdócio Ministerial e tudo se completa. O Sacerdote, “in persona Christi”, é quem realiza, no seio da Mãe Igreja, o mistério do sacrifício Eucarístico, atualização do sacrifício de Jesus na Cruz. Realiza-o no sentido do serviço-doação fundamentado no amor que contagia todos os fiéis, para que, alimentados pelo Corpo e Sangue do Senhor, se tornem outros “cristos” para o mundo.

É uma liturgia que exige de nós muita sensibilidade para adentrarmos em todos esses mistérios tão belos e tão intimamente ligados entre si.
Quando começamos a ler a narrativa da Paixão do Senhor nos evangelhos, vemos que a primeira coisa que Ele realiza é a ceia, em que institui a Eucaristia. E quando vemos nos primeiros relatos da Ressurreição, como no dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13ss), Jesus celebra a partilha do pão, a Santa Missa.

Elias Gobbi
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator
Casa de Missão de Pedreira – Diocese de Amparo

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