Como educar as crianças nos dias atuais?

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Sou mãe de três lindas meninas e há dois anos deixei a minha vida profissional para me dedicar exclusivamente à minha família. À primeira vista pode parecer um ato de renúncia e sacrifício, mas, através das experiências que vivi, cheguei à conclusão de que quando eu saía de casa para viver minhas conquistas profissionais, eu estava sacrificando a minha principal missão: a de SER mãe e esposa. E assim, renunciava ao privilégio de cuidar e educar as minhas filhas.
Desde já quero deixar bem claro que, infelizmente, nem todas as mães podem viver exclusivamente para suas famílias. Por diversas razões muitas famílias precisam que as mães saiam de casa para trabalhar. E isso de forma alguma desqualifica estas mães. Isto porque o mais importante é a qualidade do tempo que passamos com nossos filhos, e não a quantidade. Muitas vezes ficamos o dia todo em casa, mas nos perdemos nos afazeres, nas redes socias e na televisão.

Educar é papel dos pais

Certamente, o tempo da pandemia vai marcar as nossas vidas. De forma especial, para mim, o olhar que passei a ter sobre a educação das meninas. Nunca fui negligente e sempre busquei estar atenta, no entanto, a pandemia me obrigou a despertar para realidades sutis e ao mesmo tempo gritantes, que já batiam a minha porta e eu não havia dado conta.
O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que, “A fecundidade do amor conjugal, não se reduz apenas à procriação dos filhos. Deve também estender-se à sua educação moral e à sua formação espiritual. O papel dos pais na educação é de tal importância que é impossível substituí-los. O direito e o dever da educação são primordiais e inalienáveis para os pais.” (CIC2221).
Nossa Santa e sábia Igreja nos direciona, acertadamente, sobre aquilo que – não só como direito, mas também como dever – devemos ter sobre a educação dos nossos filhos. E o que seria educar os filhos?
Devemos estar cientes que educar um filho não se resume em pagar uma boa escola, curso de inglês, música, dança e mesada; ou em garantir que tenham um bom celular e roupas da moda. Não se resume em sermos considerados superpais, porque respeitamos a sua privacidade e liberdade. A missão de educar vai muito além.
A palavra educar vem do latim “educare”, que significa literalmente “conduzir para fora” ou “direcionar para fora”. Devemos ver a educação dos nossos filhos como o grande privilégio de os “conduzir” para fora de si mesmos. Devemos instrui-los para aquilo que é bom, belo e verdadeiro. Pautados nas virtudes devemos gerar filhos de fé, que saibam manifestar a caridade, que cresçam e que frutifiquem conscientes da dignidade que possuem como filhos de Deus. Filhos que cheguem à maioridade sabendo quem eles são e não somente se identifiquem pelo que fazem.

Por onde começar?

Os dias atuais parecem impossíveis de serem vencidos, mas é importante lembrar que na história também existiram outros desafios para os pais na educação de seus filhos. O que devemos nos perguntar é como estamos lidando com tais questões. Devemos saber pontuar nossas prioridades e valores.
O primeiro passo para quem quer assumir seu dever na educação dos filhos é através do testemunho. “O lar é um lugar apropriado para a educação das virtudes”. A família é o lugar ideal para que os filhos aprendam a “responsabilidade, a ternura, o respeito, o perdão, a fidelidade e o serviço desinteressado.” (CIC 2223).  É dentro de casa que os filhos devem aprender que não são subordinados aos prazeres do mundo, que existe um tesouro muito maior e melhor do qual vale a pena vender tudo.
Não se angustie pensando se seu filho vai ser médico, advogado ou jogador de futebol. Esforce-se para que ele conheça e saboreie a Cristo, para que siga Seus passos, para que cresça e se fortaleça na fé e na comunhão com Deus. As outras coisas virão como consequências.

“Aquele que dá ensinamentos a seu filho será louvado por causa dele.” (Eclesiástico 30, 2)

Vanessa Cícera
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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