Como lidar com pequenas mortes no nosso dia a dia

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Você já chegou a meditar sobre sua morte? Sobre o dia em que não mais estará com seus familiares e amigos? Alguma vez pensou na sua história como Brás Cubas, começando do fim, no seu velório? Imagino que não seja um exercício confortável de se fazer, não é mesmo? Afinal de contas, falar em perder a vida sempre gera em nosso interior uma certa tristeza, mesmo sabendo que a morte é a passagem para a vida eterna, a qual nós cristãos buscamos dia a dia.

É certo que morreremos um dia e precisamos ter isso vivo em nossa mente, para não perdermos um só instante de nossa vida, vivendo indignamente. E aqui quero fazer uma reflexão com vocês, a partir de um pensamento de Santa Teresinha do Menino Jesus, que é o seguinte: “Antes de morrer a golpes de espada, é preciso saber morrer a golpes de alfinetes”.

Notem que ela se refere a uma morte gloriosa pela fé, como os mártires assim o fizeram. Todos nós em alguma medida também temos esse desejo de perseverar, lutar e morrer pela fé se for preciso. Se você é cristão e não tem esse desejo dentro do seu coração, tem algo errado ai, mas isso seria assunto para outro texto; sigamos com nossa reflexão sobre a morte. Santa Teresinha diz que antes de morrer pela espada precisamos morrer a golpes de alfinetes. Percebem a sabedoria desse ensinamento?

Como ainda não vivemos tempos de perseguição religiosa, nem corremos o risco de um martírio de sangue, vamos refletir sobre a frase de Teresinha à luz da nossa atualidade. Antes, ser mártir pela fé era algo almejado pelos cristãos, uma morte grandiosa, digna de alguém que soube viver o evangelho e seguiu os passos de Nosso Senhor. Hoje, porém, não estamos tão dispostos assim a morrer pela fé; no entanto queremos tantas vezes ser um cristão de sucesso, influenciador nas redes sociais, pregador/cantor que arrebanha multidões, de quem todo mundo fala e a morte é apenas uma palavra usada em uma ou outra pregação. Assim acreditamos que teremos uma morte digna de quem teve uma vida bem vivida. Será mesmo? No que é que está baseada essa vida, no evangelho real e autêntico ou numa coisa que eu acho ser o evangelho?

Antes que você ache que sou contra isso, quero dizer que para mim não faz a menor diferença quem tem sucesso ou deixa de ter, porque no fim das contas o que importa são as almas que salvamos com nossa vida bem vivida. Pois bem, chamo a atenção para algo importante: quando voltamos nosso olhar para as mortes gloriosas, os “sucessos” missionários, corremos o risco de nos esquecermos de que precisamos morrer a golpes de alfinetes, matar nossos vícios, nossas más inclinações, nosso orgulho, nossa falta de amor, enfim, nos esquecemos que precisamos morrer um pouquinho todo dia para que a verdadeira vida brote em nós, para que possamos chegar ao ponto de dizer como São Paulo: “não sou mais eu, mas Cristo que vive em mim!”.

Olha que coisa estupenda: chegar ao fim da nossa vida, olhar para tudo que vivemos até então e dizer: “não fui eu, mas Cristo que viveu em mim”. Percebam a grandeza dessas palavras, meus amigos, a grandeza de alguém que de fato teve uma vida digna de ser vivida porque trilhou o caminho de Cristo todos os dias, abraçando a Cruz da morte diária do pecado em nós.

Encerro esse texto trazendo novamente a frase de Santa Teresinha e te faço o convite: reflita sobre essa frase, olhe para onde você tem perdido a oportunidade de morrer a golpes de alfinetes, não tenha medo da morte, tenha medo de uma vida medíocre e sem sentido.

“Antes de morrer a golpes de espada, é preciso saber morrer a golpes de alfinetes.”

Que a Virgem Santíssima nos guie e nos ajude a saber morrer as pequenas mortes do dia a dia.

Deus abençoe

Fernanda Guardia 
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

 

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