Como ser melhor na relação consigo mesmo?

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Como ser melhor na relação consigo mesmo?

Convido você a imaginar uma grande montanha. Você está no cume e, ao olhar para baixo, avista 7 cavaleiros subindo ferozmente para capturar o tesouro que tu levas dentro de um medalhão pendurado em teu pescoço, e sem essa joia, o dom da vida, vida eterna, se perde. Diante desse cenário, a única opção é, usando de muita força de vontade, empurrar uma pedra a ponto de desprende-la e, assim, esmagar os algozes que te perseguem. O único detalhe é que esse contato com a pedra, essa relação, pode fazer com que esse objeto seja desfragmentado ao rolar montanha abaixo.

É importante saber que somos seres formados por 2 partes, carne e espírito. Foi assim que Deus manifestou a Sua vontade e Seu amor pela humanidade. Até a eternidade, seja no céu ou fora dele, onde seremos apenas espírito, temos essa relação com a nossa carne, refletida em nossos sentidos. E, por incrível que pareça, foi devido a essa relação dada por Deus a nós, uma complementariedade tão ambígua, que gerou a inveja dos anjos decaídos. Portanto, é preciso sermos um só, em carne e espírito, lutar para que sejamos seres monolíticos entre espírito e carne.

Quais armas usar?

Ainda no contexto, saiba que os 7 cavaleiros são os pecados da avareza, gula, inveja, ira, luxúria, preguiça e soberba, e a pedra é o resultado da relação entre a vontade humana fundida com a vontade de Deus. O fato é que os pecados são inevitáveis, eles virão, sem sombra de dúvida por meio das tentações, pois estamos no mundo, mesmo não sendo daqui. Sabendo que eles virão, ora de forma mais pesada ora disfarçado de auto piedade, e isso ocorrerá até o final da nossa peregrinação nesta terra. Não é nada prudente ser preguiçoso e deixar para se fortalecer no meio da batalha ou assinar a sentença de morte, pensar que somos fortes o bastante para enfrentar sem armas adequadas.

O treino de fortalecimento, para aqueles que são batizados, é pedir todo dia a renovação do batismo e os dons infusos, os quais são também sete: teologais (fé, esperança, caridade), virtudes que nos põem em relação direta com Deus, morais (prudência, justiça, temperança, fortaleza) e virtudes que orientam o comportamento do cristão frente aos valores deste mundo. Para aqueles não batizados, corra e, pelo amor de Deus, peça o batismo imediatamente, pois estais em guerra usando capacete de papelão e arma de NERF.

O que fazer para me tornar forte nas virtudes?

O primeiro passo é orar, sem palavras rebuscadas ou esperando o momento perfeito com cantos gregorianos, incenso e o silêncio do céu. Esquece! Deus quer uma relação sincera e dentro da nossa realidade. Claro que, se houver essa possibilidade no seu cotidiano, ótimo. O ponto é que tais condições são favoráveis, assim como de longe obrigatórias. Lembre-se: o feito é melhor do que o perfeito, ou o ótimo é inimigo do bom. Deus sabe de tudo e quer nossa voz dizendo tudo, pois isso é um ato de amor para com Ele.

Nesse momento de oração, peçamos para Deus revelar os nossos vícios, por exemplo, murmurar, fofocar, invejar, embriagar, comilança, psicotrópicos (drogas ilícitas), irritação, masturbação, pornografia, redes sociais, etc. Isso é direto com Deus e, pode acreditar, Ele vai entrar com os dois pés no peito. “Coragem! Eu venci o mundo!” (João 16, 33). Ao fazer e fortalecer essa relação, pois é como um músculo que fica mais forte quanto mais usamos. Fazer esse ato de entregar é um ato que fortalece as virtudes teologias. A fé cresce, pois orar é encarnar a fé, buscar a revelação de Deus para nós, assim como Jesus nos ensinou falando com o Pai abertamente “Eli, Eli, lemá sabactani” (Mateus 27: 46), ou seja, “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?”

Nosso Pai Celeste revelou-nos os seus segredos divinos. Tudo o que Ele diz é verdade, pois Ele é a Verdade Eterna; Deus não pode nem se enganar nem nos enganar. Por isso devemos aceitar como verdade tudo aquilo que Deus nos revelou, sabendo com segurança que tudo é verdade, e edificar nossas vidas sobre esta base: devemos crer em Deus.[1]

Ao fortalecer a fé, Deus nos capacita a amá-lo todas as coisas, nunca dizer nada contra Deus e encontrar alegrias indo à Missa aos Domingos e rezando todos os dias.

A esperança se solidifica, ao entregar tudo o que somos, com os pecados e dons, buscando a eucaristia “E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou” (Lucas 23:46).

A virtude da Esperança é, então, a certeza que temos da ajuda de Deus para possuí-Lo, nesta vida, pela graça santificante, e no céu, pela glória eterna.[2]

Por fim, a caridade, no perdão a nós mesmos quando buscamos a confissão, pois como podemos perdoar alguém quando somos frouxos em buscar o sacramento da confissão, “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34).

O amor a Deus compreende, implicitamente, o amor de Suas obras. Entre elas, mais do que todas, devemos amar as que mais se parecem com o próprio Deus. Aqui na terra, são os homens que receberam de Deus essa semelhança.[3]

O movimento contínuo das virtudes teologais, encarnado, nos traz maior intimidade na relação com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e como consequência temos o bônus de fortalecer as virtudes morais. Assim, unindo a nossa vontade à vontade de Deus é só rolar a pedra, o comportamento virtuoso, sobre as tentações e curtir a vista de cima do monte.

[1] A CARTA ENCÍCLICA de S.S. o Papa Bento XVI: Deus é Amor – “DEUS CARITAS EST”

[2]  Idem

[3] Idem

Thiago Casarini
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator

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