Como viver a Esperança em tempos de pandemia

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Esperança

Cultivar a esperança é essencial neste tempo de pandemia. Muitas vezes nos encontramos oprimidos pelas notícias negativas, sob o peso das perdas, preocupados com a situação financeira, sem nenhuma perspectiva de melhora. No entanto, a Esperança é esse impulso que não nos deixa paralisar frente às crises e desafios da vida.

“A virtude da esperança corresponde ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens, purifica-as e ordena-as para o Reino dos céus; protege contra o desânimo; sustenta no abatimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna. O ânimo que a esperança dá preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade” (CIC 1818).

Onde está a sua esperança?

É importante percebermos em quem estamos depositando a nossa esperança nesse tempo de pandemia. Uns apostam na vacina, outros em um emprego, há aqueles que esperam um novo governo e até se apoiam em um novo normal.  O salmista vai dizer “Para os montes levanto os olhos: de onde me virá socorro?” (Sl. 120, 1). Entramos em um encruzilhada, mas tudo fica mais claro à luz da fé.

O Sumo Pontífice emérito Bento XVI, em sua Encíclica Spe Salvi – sobre a esperança cristã, traz uma belíssima reflexão. Em seu escrito, relembra que antes do encontro pessoal com Cristo os homens estavam sem esperança. A partir da revelação do verdadeiro Deus, a esperança entrou no mundo. Temos um Deus que se importa. Ele tem toda a nossa vida sob o Seu olhar amoroso.

A última instância

As situações trágicas não determinam a nossa vida, mas podem ser utilizadas para abrasar o nosso coração na confiança e na experiência da providência divina.  “Não são os elementos do cosmo, as leis da matéria que, no fim das contas, governam o mundo e o homem, mas é um Deus pessoal que governa as estrelas, ou seja, o universo; as leis da matéria e da evolução não são a última instância, mas razão, vontade, amor: uma Pessoa. E se conhecemos esta Pessoa e Ela nos conhece, então verdadeiramente o poder inexorável dos elementos materiais deixa de ser a última instância; deixamos de ser escravos do universo e das suas leis, então somos livres”(¹)

Quando repousamos a nossa esperança em Deus, somos livres das amarras do desespero e da presunção. O primeiro nos rouba a esperança na bondade do Pai e Suas promessas. E o segundo presume que podemos nos salvar sem a ajuda do alto, ou mesmo sem uma conversão verdadeira.

Nenhum mal eu temerei

 Não podemos caminhar sozinhos, temos que contar com o auxílio do Bom Pastor que está conosco. “Ainda que eu atravesse o vale escuro nada temerei, pois estais comigo” (Sl 22,4). Bento XVI vai dizer que “O verdadeiro pastor é Aquele que conhece também o caminho que passa pelo vale da morte; Aquele que, mesmo na estrada da derradeira solidão, onde ninguém me pode acompanhar, caminha comigo servindo-me de guia ao atravessá-la”(²).

Precisamos cultivar a esperança por meio do encontro diário com Cristo. “Quando já ninguém me escuta, Deus ainda me ouve. Quando já não posso falar com ninguém, nem invocar mais ninguém, a Deus sempre posso falar. Se não há mais ninguém que me possa ajudar – por tratar-se de uma necessidade ou de uma expectativa que supera a capacidade humana de esperar – Ele pode ajudar-me”(³).

Esse encontro se manifesta pela vida de oração, pela vivência dos Sacramentos, pelo louvor ao Deus Todo Poderoso que sustenta a nossa vida. Encontramos nas Sagradas Escrituras, bem como nos Salmos, uma fonte inesgotável que sacia e fortalece a nossa esperança. Creia que Deus é poderoso para fazer infinitamente mais do que imaginamos.

Deus abençoe!

Referências

  1. Encíclica Spi Salve, 5
  2. Idem Ibidem, 6
  3. Idem Ibidem,32

 

Andressa Silva
Consagrada da Comunidade Pantokrator

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