Como viver bem a solenidade de Cristo Rei?

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O ano era 1925. Muitos governos passaram a se posicionar abertamente contra o cristianismo e o mundo estava praticamente enlouquecendo com as ideologias revolucionárias. Muitos haviam virado as costas para Deus. Em poucos anos, teria início a Segunda Guerra Mundial – a mais terrível de todas. Foi neste contexto obscuro que o Papa da época (o grande Pio XI) encontrou o remédio para toda esta situação. Ele instituiu uma nova festa na Igreja, que deveria ser celebrada todos os anos: a solenidade de Cristo Rei do Universo.
Ao instituir esta nova festa, o Papa Pio XI promulgou uma Encíclica (“Quas Primas”), na qual explicou a importância desta novidade litúrgica. Ele afirmou que as grandes calamidades políticas e sociais daquela época estavam acontecendo porque as pessoas estavam expulsando para longe a figura de Cristo, deixando de honrá-lo como Ele merece. Portanto, o grande remédio seria fazermos justamente o contrário: trazer Cristo para o centro; celebrá-lo como Rei de todo o universo!
Já se passaram quase 100 anos da criação desta solenidade e, infelizmente, o mundo não parece ter acolhido o “remédio” de Pio XI. Muitas pessoas recusam decididamente o governo de Cristo e preferem se submeter a outros “deuses”, como o poder, o prazer e a cobiça material.
Mas, e quanto a nós, católicos? Será que nós temos vivido como verdadeiros súditos do Rei do Universo? Existe algo ou alguém em nossa vida que esteja ocupando o “trono” que pertence por direito ao Cristo? Como nós temos vivido a celebração do reinado do Nosso Senhor?

UM REI ANUNCIADO

Deus Pai havia feito uma promessa, lá no Antigo Testamento: no futuro, Ele enviaria um rei poderoso para governar seu povo, de modo que formaria um reino que jamais teria fim. Essa promessa foi dita inicialmente a Davi (cf. II Sm 7, 12-16).
Ainda sobre este “rei prometido”, vejam que maravilha é essa profecia de Daniel: “Olhando sempre a visão noturna, vi um ser, semelhante ao filho do homem, vir sobre as nuvens do céu: dirigiu-se para o lado do ancião, diante de quem foi conduzido. A ele foram dados império, glória e realeza, e todos os povos, todas as nações e os povos de todas as línguas serviram-no. Seu domínio será eterno; nunca cessará e o seu reino jamais será destruído” (Dn 7, 13-14).
E, como sempre, Deus cumpriu sua promessa. O rei prometido finalmente nasceria de uma Virgem! Aliás, quando o arcanjo aparece à Virgem, faz questão de dizer: “Ele [o menino] reinará eternamente na casa de Jacó e seu reino não terá fim” (Lc 1, 32-33).
Sim, o nosso rei existe e se chama Jesus Cristo! Antes de ser condenado à morte o Senhor foi indagado por Pilatos se ele era realmente rei. Respondeu: “Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo” (Jo 18, 37). Após sua ressurreição gloriosa, Cristo lembrou aos apóstolos: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28, 18).

MAS EM QUE SENTIDO JESUS É REI?

Muitos, infelizmente, interpretaram de maneira errada o reinado do Nosso Senhor. Os judeus, principalmente, estavam esperando um verdadeiro general de batalhas, que expulsaria o domínio do Império Romano e conquistaria riquezas e bem-estar para o povo. Ou seja, queriam um “rei político”.
Porém, para escândalo geral do povo, o Rei do Universo não possuía um exército bélico – apenas seguidores arrependidos dos seus pecados. Ele não era rico com metais ou pedras preciosas – mas da sua sabedoria divina. Ele não recebeu uma coroa de ouro – mas de espinhos. A única vez em que recebeu uma “túnica púrpura” (que era sinal de realeza) foi na sua crucificação, quando estavam zombando dele.
Precisamos compreender, em primeiro lugar, que Jesus fez muito mais do que vencer o domínio de ditadores humanos; Ele venceu o próprio maligno. Muito mais do que libertar o povo da escravidão junto ao Império Romano, Ele nos libertou da escravidão do pecado!
Ao vencer a morte e nos salvar das penas do inferno (que merecíamos!), Cristo se tornou Senhor de todas as coisas (cf. Jo 3, 35). Fomos comprados pelo alto preço do seu sangue e, portanto, toda a criatura tem o dever de dobrar os joelhos diante do nome de Jesus (cf. Fl 2,10).
Nada neste mundo foge do controle de Cristo. É Ele quem governa as leis naturais e morais. É Ele quem julgará todas as pessoas no último dia, condenando as más ao fogo eterno. Suas leis e mandamentos são os únicos que podem trazer verdadeira paz. Ele conhece de perto todos os corações. Perceba: ainda que a maior parte das pessoas não creia ou que os governantes se coloquem em perseguição à Igreja, nada pode mudar o fato de que Cristo reina sobre tudo!

A SOLENIDADE É UM CONVITE

Diante desta verdade, cabe a nós aderirmos conscientemente ao reinado do Nosso Senhor, assumindo o “fardo leve” que Ele nos propõe no evangelho (Mt 11, 30). Não se trata de um soberano cruel, que nos humilha e maltrata. Ao contrário: trata-se de um Senhor bondoso, compassivo e que quer dividir o seu reino conosco!
Nós viveremos bem esta solenidade na medida em que convidarmos o Cristo a reinar:
– Em nossa inteligência, de modo que possamos aderir a todas as verdades reveladas e guardadas pela Santa Igreja;
– Em nossa vontade, a fim de buscarmos viver com coragem e decisão os mandamentos que nos farão livres e felizes;
– Em nosso coração, para que não tenhamos nenhum outro afeto ou apego que se coloque acima de Deus;
– E em nosso próprio corpo, de modo que os nossos membros sejam instrumentos para o aumento da santidade no mundo.
Não nos esqueçamos de que o reinado de Cristo é mais valioso do que qualquer benefício ou lucro e, portanto, mais vale obedecer a Lei de Deus do que os caprichos humanos. Ter Cristo como Rei significa se dispor a viver sua santa vontade em todas as coisas.

Viva Cristo Rei!

Rafael Aguilar Libório
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator

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