Deixe-se ser mulher!

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De mulher para mulher, hoje teremos um papo de amigas.  Aos homens que me leem, sintam-se convidados a ficar; talvez o papo interesse a vocês também.

Vamos direto ao ponto: o assunto dessa nossa conversa de hoje é sobre ser mulher. Como em todo papo entre amigas, não pode faltar aquela partilha de vida das coisas profundas do nosso coração, é isso que trarei hoje aqui.

Para começar, quero dizer que não fui uma criança educada tipicamente dentro dessa noção de ser mulher. Não brinquei de boneca, não fiz penteados e maquiagem nas amiguinhas, não tive vestido de princesa; e arrisco a dizer que não usei rosa na infância, não tenho muitas fotos dessa época e as que tenho, não estou usando rosa. Clichês tipicamente femininos que certamente não faziam diferença para minha mãe. Ela estava mais preocupada em não deixar suas filhas passarem fome do que em discernir qual cor de roupa nós usaríamos. Não precisa se preocupar, pois não farei discurso de infância sofrida e triste, ainda que tenha sido sofrida, definitivamente não foi triste. Apenas faço essa introdução sobre minha infância para dar base à partilha de hoje.

Como vocês leram acima, não tive uma educação tipicamente feminina.

Você pode ter tido muitas bonecas para brincar, vestidos de princesa, pode até ter tido um quarto todo rosa. Ou pode não ter tido nada disso, nem casa para morar ou roupa para vestir. Mas, minha amiga, para nossa conversa de hoje, tanto faz como foi sua infância nesse aspecto exterior do ser mulher. O que importa na verdade é como nossa alma feminina foi forjada.

As feministas queimaram sutiãs pela liberdade; eu levei isso tão a sério que só passei a usá-los depois dos 16 anos; até as professoras faziam piadinhas sobre isso. Não foi só isso que levei a sério do discurso feminista: também acreditei e lutei por direitos iguais aos dos homens. Infelizmente, acabei me esquecendo de que os desejos do meu coração não eram iguais aos desejos do coração de um homem; lutar e ter direitos iguais não mudaria isso e, ao me esquecer dessa diferença, eu me perdi acerca de quem eu deveria ser.

E assim perdida, vivi por muito tempo até o dia em que o Senhor me alcançou e devolveu minha identidade de mulher, filha de Deus muito amada. Ele me fez lembrar de que, de fato, homens e mulheres devem ter direitos iguais, mas respeitados na sua diferença mais profunda, transcendente. Mas aí me perdi num outro clichê: o da mulher bela, recatada e do lar. Deus me devolveu o sentido da minha vida em ser mulher segundo o Seu coração, mas novamente me perdi buscando encaixar-me num padrão de mulher que achava ideal. Para surpresa de zero pessoas, ainda que eu usasse sutiã, maquiagem, saias, não consegui preencher o check-list do ser mulher que eu havia idealizado.

Falo alto, gosto demais de usar calça jeans, vou ao cabeleireiro uma vez ao ano, não sei combinar roupas, tenho a voz grossa; enfim, sou quase um caso perdido para os clichês de feminilidade. E sabe o que é legal em tudo isso? É que pouco importam os clichês exteriores. Apesar de eles terem seu lugar e sua função no modo como nos posicionamos no mundo, só ganham sentido quando UMA MULHER de alma feminina forjada no coração de Deus os manifesta. Amiga, fuja dos clichês feministas, tradicionalistas, sei lá mais o quê. Simplesmente fuja!!! E DEIXE-SE SER MULHER SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS!!!

A serpente disse para Eva que ela poderia ser como Deus se comesse do fruto da árvore que estava no meio do jardim, “Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus” (Gn 3, 5). Eva acreditou nessa falácia, mas poderia ter dito “Serpente maligna, deixe-me ser mulher, não quero ser como Deus, apenas mulher”.

Um anjo foi enviado a Maria para anunciar que ela seria mãe do Filho de Deus e Ela disse “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1, 38). Ao dizer isso, foi como se Maria dissesse “Deixo-me ser mulher segundo o seu coração Senhor”.

Duas mulheres, duas propostas, duas escolhas, dois destinos. Segundo Edith Stein, a mulher é chamada a “buscar o caminho que leva de Eva a Maria”. A nós, mulheres, foi dada a missão particular de restaurar a “natureza feminina em sua pureza”, cujo modelo é a Virgem Maria. E se existe um clichê que devemos seguir é este: ser como a Virgem Maria, receptiva ao Amor, generosa, digna e maternal.

Quanto a mim, que vivi até pouco tempo muito mais como Eva do que como Maria, digo para vocês que, enfim, meu coração encontrou descanso e sentido real e profundo nessas palavras de Edith Stein: “buscar o caminho que leva de Eva a Maria”. Simplesmente ser mulher segundo o coração de Deus, esse é o caminho a ser percorrido e que tenho buscado seguir.

Assim, termino a nossa conversa de hoje fazendo esse convite a vocês, minhas amigas, minhas irmãs: DEIXE-SE SER MULHER!

Que o Bom Deus nos abençoe e a Virgem Santíssima no guie nesse caminho.

Fernanda Guardia
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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