Descobrindo o valor próprio

0
valor

Se eu perguntasse a você, querido leitor, qual o seu valor, você saberia me dizer? Em meio a tantos estereótipos do que é ser uma pessoa adequada, bela e bem-sucedida, tem ficado um tanto quanto difícil sabermos qual o nosso verdadeiro valor.

O que definiria alguém de valor? Seria o corpo que a atual sociedade define como ideal? O status de ter um bom emprego? Seria a nossa vestimenta e nosso comportamento? Ou até, quem sabe, o nosso círculo de amigos?

No passado, quando a escravidão ainda era uma prática comum, os seres humanos eram vendidos por algumas moedas. O valor dependia do vigor físico ou até da qualidade dos dentes. Por mais absurdo que isso pareça, o fato é que muitos voltaram a ver, nos dias de hoje, diferenças de valor entre as pessoas.

De repente, a vida dos bebês nos ventres das mães passou a valer menos do que as outras. Se antes o valor das pessoas era medido em moedas, hoje talvez seja pelos “likes” ou número de visualizações…

O que seria uma pessoa de valor?

Em meio a tantos padrões e requisitos exigidos para se tornar alguém “de valor”, vemos, cada dia mais, pessoas sofrendo com a baixa autoestima. São pessoas que não se encontram mais, que se esqueceram de que suas vidas foram compradas a preço de sangue (e sangue do próprio Deus!).

Nunca houve uma era com tantos casos de depressão, repleta de pessoas frustradas com suas vidas. Quem diria que o suicídio seria uma das principais causas de morte entre os jovens… Ouso dizer que muitos acabam se perdendo, justamente, por tentar desempenhar papéis irreais em determinados lugares – na ânsia de se acharem “dignos” de ser reconhecidos.

Estamos em uma corrida do “parecer”, onde não nos importamos mais com o que verdadeiramente somos. Estamos jogando fora a essência para privilegiar a capa… nos esquecemos de que o conteúdo do perfume vale muito mais do que o vidro que o comporta – por mais bonito que ele pareça.

Onde nos perdemos?

Perdemo-nos quando nos esquecemos de quem somos! Se a pessoa não sabe o quanto ela é única e especial, acabará aceitando fatalmente os rótulos que o mundo quer impor-lhe. Então quem somos, afinal? Eu deixo para que a Sagrada Escritura responda: “Então disse Deus: ‘Façamos o homem à nossa imagem, con­for­me a nossa semelhança…’” (Gên. 1,26).

Não somos nada mais e nada menos que filhos de Deus. Somos à imagem e semelhança do Senhor dos senhores. E isso não é pouca coisa!

Enquanto tantos lugares e indivíduos selecionam quem é “digno” e “valoroso” o suficiente para se aproximar, o Criador de tudo nos acolhe como somos e com o que temos. Ele nos assegura que gravou nosso nome na palma da mão para sempre nos ter diante dos olhos (cf. Is 49, 16).

“Eu sou aquilo que Deus pensa de mim” (Santa Teresinha)

Santa Teresinha, a nossa grande amiga (e Doutora da Igreja!), nos ensina que nada nos deixará mais em paz e tranquilos do que entendermos que não precisamos viver segundo nenhuma moda específica ou imposição social. Não temos que nos desesperar para alcançar status diante do mundo, afinal, eu e você somos aquilo que Deus pensa de nós.

E por que isso é tão libertador?

Quando compramos algum aparelho eletrônico e ele apresenta algum problema, normalmente, vamos buscar o reparo do objeto junto ao seu criador. Não o deixamos em quaisquer mãos para consertá-lo.

Assim também somos nós, meus queridos leitores. Ninguém, além do próprio Deus, sabe quem somos verdadeiramente. Ele sabe exatamente o nosso valor, pois foi Ele quem nos criou e conhece cada detalhe do nosso coração: desde os nossos sonhos mais distantes, até os nossos medos mais profundos.

Assim sendo, não precisamos ficar tímidos, receosos ou envergonhados em nos aproximar d’Ele, pois, Ele nos conhece antes mesmo de nós relatarmos o nosso “mau funcionamento”. Com isso, não é preciso nos acanhar. Só nos é necessário deixarmo-nos ser guiados pelo nosso Criador, Aquele que detém o nosso verdadeiro manual de instruções.

Meu valor é incalculável

Veja que maravilha te diz o Senhor através do profeta: “És precioso aos meus olhos, porque eu te aprecio e te amo. Troco reinos por ti, entrego nações em troca de ti” (Is 43, 4). Leia e releia isso quantas vezes forem necessárias, até que se convença desta verdade: Deus é capaz de loucuras por você – ainda que você não ouça elogios do mundo ou que ninguém curta as suas postagens em redes sociais.

Sabemos que não somos perfeitos, muito longe disto. Porém, o que talvez você nunca tenha ouvido, é que você não precisa ser a “Miss Universo” ou a capa da “Revista Forbes” para finalmente se sentir alguém de importância. Somos importantes para o Senhor, e isto importa mais do que tudo! Jesus nos disse que até os fios de cabelo da nossa cabeça estão todos contados (cf. Lc 12,7).

O Senhor nos amou a ponto de Se entregar por cada um. O Senhor nos amou a ponto de dar tudo o que tinha para que pudéssemos ter uma nova vida. Diante de uma realidade tão extraordinária, de que importa os rótulos do mundo?

Com isso, encerro meu texto, meu querido leitor, mas antes com uma reflexão:

Não podemos dar poder àqueles que não nos conhecem verdadeiramente, que não sabem quem somos. Somos filhos do Altíssimo, somos caros para nosso Deus e somente Ele é quem conhece nosso verdadeiro valor.

Deus te abençoe sempre!

Angélica Baruchi Libório
Discípula da Comunidade Pantokrator

Deixe uma resposta

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, insira seu nome aqui.