É lícito substituir Missa Presencial pela online?

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Com o avanço da Covid-19, vimos várias igrejas fechadas e sem missa presencial. Missas presenciais foram suprimidas. E, ganharam força as chamadas ‘missas on-line’. Para melhor entender, vamos por partes.

O dever de ir à Missa

“O mandamento da Igreja determina e precisa a lei do Senhor: «No domingo e nos outros dias festivos de preceito, os fiéis têm obrigação de participar na missa». «Cumpre o preceito de participar na missa quem a ela assiste onde quer que se celebre em rito católico, quer no próprio dia festivo quer na tarde do antecedente».

A Eucaristia dominical fundamenta e sanciona toda a prática cristã. É por isso que os fiéis têm obrigação de participar na Eucaristia nos dias de preceito, a menos que estejam justificados, por motivo sério (por exemplo, doença, obrigação de cuidar de crianças de peito) ou dispensados pelo seu pastor. Os que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem um pecado grave”. (Catecismo da Igreja Católica, 2180-2181).

Acima, a citação do Catecismo traz o nosso dever enquanto fieis católicos. Mas por que devemos ir à Missa? E por que ser um dever? Imaginemos a seguinte situação: Dois jovens começam a sentir algo diferente um pelo outro. Há uma aproximação, há uma paquera e logo um namoro. Casais de namorados normalmente querem estar juntos a todo momento. Tempos depois esses namorados casam! E casando, consumam no ato conjugal o belo amor que sentem um pelo outro. E dessa união geram-se filhos.

Filhos são uma bênção! As crianças são a alegria da casa. Mas crianças também acordam de madrugada, com fralda cheia, ficam doentes, por vezes viramos a noite em vigia por sua saúde, etc. Deixamos muitas vezes de gastar conosco pois o inverno está chegando e, meu Deus, “preciso comprar calça, moletom, touca, etc”.

Esse dever de cuidar das crianças fazemos com tanto amor que muitas vezes esquecemos que é um dever dos pais! Assim se dá com a missa. Ou deveria. Se amo a Deus que estar próximo d’Ele, que tocá-lo, quero acariciá-l’O, quero beijá-l’O e ser abraçado, acariciado, beijado pelo grande Amor de minha vida.

Deus não pode ser um ser de luz, uma energia que me dá vida ou algo etéreo. Deus é uma pessoa e uma pessoa real! Na santa missa comungo o corpo e sangue de Cristo, Deus que se fez carne! O próprio Deus adentra minha vida, penetra minh’alma, cura minhas feridas, acalenta meus problemas, fortalece e traz robustez as minhas virtudes e lança a semente de santidade, lança em mim! Lança em você! Entende isso? Deus tem um encontro íntimo, pessoal na tua pessoa!

O mandamento deixa de ser friamente mandamento; a Lei deixa de ser friamente palavras escritas; o costume deixa de ser uma história contada a mim; a vida de Deus torna tudo isso meu desejo, minha vontade, meu zelo, meu desejo ardente de comungar e estar unido em corpo e alma ao meu Senhor.

A presença na Missa

Uma vez entendido a questão do dever vamos a presença na missa. No catecismo pode saltar a palavra ‘assistir’ à Missa. E, sim, nós assistimos. O Padre celebra; nós assistimos. Não como uma TV, ou vídeos do Youtube. Assistimos em nossas almas, como um namorado assiste os olhos de sua namorada, como um pai de família assiste a alegria de seu lar. Não são eles que o fazem, mas gozam da mesma felicidade e estão em unidade com o que acontece.

Por isso o desejo do coração é estar presente, junto, unido. Não há outro desejo do coração apaixonado senão esse: “Verdadeiramente, um dia em vossos átrios vale mais que milhares fora deles” (Sl 83, 10a). Então, voltemos aos tempos atuais…

Em meio a pandemia, olhos no alto, pés no chão

Por uma questão extremamente exclusiva, igrejas foram fechadas da presença dos fiéis. E, as missas online já existiam (quantas e quantas paróquias já transmitiam via TV ou internet missas grupos de oração e até mesmo adoração ao santíssimo!) e ganharam força, permitindo que fieis que não podiam entrar na casa de Deus, de ir a missa presencial, pudessem ter suas casas invadidas pela santa missa.

Pessoas que há muito não iam a igreja, não participavam de missa presencial, puderam contemplar, pelas telas de TV e celulares o santo sacrifício de Cristo por amor a nós. A missa presencial dominical, nesse período foi a missa ‘online’ de quase todos os fiéis. Mas por que discutir a licitude da missa ‘online’.

O amor requer presença, toque e aconchego

As missas televisivas ou online não são ruins ou contratestemunho, pois há vários fatores reais e sensíveis que podem evitar a ida a uma missa. Certa vez indo à Missa das 16h estourou o cabo da embreagem. Espera pelo guincho com criança no carro, tem que acompanhar a remoção do carro, etc. Mas, antes da pandemia, ainda havia uma Missa às 20h. E agora, que pode não haver? Aconteceu de nos programarmos de ir à Missa das 19h e um familiar necessitar de ajuda médica. Não havia mais a Missa das 20h…

A Missa online supre a necessidade de quando algo grave acontece (doença que nos imobiliza ou impede a presença em público, cuido de alguém, entre outros) e não podemos nos deslocar para a igreja. Ela não supre a necessidade para dormir um pouco mais cedo (ou acordar mais tarde), realizar um passeio, arrumar a casa etc.

E por que não? Porque somos pessoas e precisamos do Corpo de Cristo! Cristo não passará por sua tela na comunhão! Há, também a dimensão comunitária da missa. Nós vamos ao encontro de Deus pois ele é Deus. Não é Deus que está a meu serviço e, sintonizo o canal para que Deus venha me ajudar.

Muitas vezes ouvimos: “Mas nesse momento, precisamos pensar sobre o que é realmente o mais importante. É a adoração ou o edifício?”; “Para mim, Deus está onde você estiver.”; “Você não precisa se sentar no banco da igreja para que Deus ouça suas orações”. A questão não é Deus ouvir minhas orações.

Muitos namorados continuaram visitando suas namoradas, e as igrejas fechadas; muitos trabalhadores foram aos seus postos de trabalho, e as igrejas fechadas; muitos foram aos mercados, e as igrejas fechadas; muitos transitaram por estradas pedagiadas, e as igrejas fechadas.

Dizer que a Missa presencial não é essencial a sua vivência é dizer que não se entendeu quem é Cristo! Na Missa presencial recebemos Jesus Sacramentado, vivemos com a comunidade orante, unidos em oração (e seguindo os protocolos sanitários) declaramos a realeza e vitória de Deus diante de um vírus. Eu busco Deus, vou ao encontro dele para ser encontrado por Ele! Sou eu que tenho a necessidade de Deus. A minha vida é passageira e preciso que Ele me guie, em transforme, me santifique, por isso a ‘procissão de minha casa à Igreja’ anuncia a minha dependência e total necessidade de Deus.

Por isso, sem uma razão grave, é ilícito a ausência da missa presencial, quando a mesma se faz disponível. A Missa presencial é o cumprimento do dever legal e de caridade conosco mesmo.

“Os que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem um pecado grave. A participação na celebração comum da Eucaristia dominical é um testemunho de pertença e fidelidade a Cristo e à sua Igreja. Os fiéis atestam desse modo a sua comunhão na fé e na caridade. Juntos, dão testemunho da santidade de Deus e da sua esperança na salvação. E reconfortam-se mutuamente, sob a ação do Espírito Santo.” (Catecismo da Igreja Católica 2181 -2182)

“Participar na Missa é uma obrigação dos fiéis, a não ser que tenham um impedimento grave” (Ecclesia de Eucharistia, 41)

Leonardo Pataro
Consagrado na Comunidade Católica Pantokrator

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