E se fossem meus últimos dias nesta terra, como eu terminaria minha jornada?

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últimos dias

Atire a primeira pedra quem nunca parou para pensar quantos dias ainda nos restam nesta terra… Afinal, quem nunca perdeu alguns minutos pensando no que fazer, caso soubesse que sua jornada estaria para terminar?

Pare um breve momento para refletir sobre quantas pessoas à sua volta acabaram por viver seus últimos instantes sem que ao menos desconfiassem desta realidade. Quantos deles não teriam tomado decisões diferentes caso soubessem que o seu fim estava próximo… imagine quantos perdões seriam dados, quantos abraços ou quantos “eu te amo” teriam saído com a mais profunda naturalidade.

Em um tempo cheio de incertezas, repleto de medos e de inseguranças como o que estamos vivendo, quantas não foram as pessoas que viram seus planos sendo desfeitos, sabendo que a vida frágil que habitava em si estava se esvaindo…

NÃO SOMOS ETERNOS… VIEMOS DO PÓ E AO PÓ VOLTAREMOS

Em regra, existem duas formas de se encarar a morte: 1) para uns, trata-se do término definitivo da vida, o fim de todos os planos, a maior tragédia que poderia existir… 2) para outros, é o início de uma nova vida, uma passagem para a eternidade, o momento do encontro tão esperado com o Criador.

Nós, os cristãos, somos chamados a pertencer a este segundo grupo. Não somos iludidos pelo mundo e sabemos que o nosso lugar (nosso Reino) não é aqui. A morte, para nós, é a consequência inevitável de uma vida temporária. Como o Divino Mestre ensinou, “não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo no inferno” (Mt 10, 28).

É muito bonito ler o relato dos santos no momento de sua morte. Eles compreenderam, melhor do que ninguém, que aquilo não era uma “tragédia inevitável”, e sim o momento do tão aguardado encontro!

É espantoso ver, por exemplo, a Beata Chiara Luce, uma católica fervorosa de apenas 18 anos, morrendo de câncer no seu quarto. Não pense que ela estava abatida e se lamentando pela curta vida. Ao contrário, ela esbanjava alegria e palavras de consolo a todos ao seu redor. Até chegou a fazer ensaios sobre o que deveriam dizer em seu velório!

Isso se dá pela esperança. Sim! Esperança.

Para mim, particularmente, nunca fez tanto sentido (como agora) o fato de que nós precisamos nos apegar às promessas de Deus. Não importa o quanto acumulamos de conhecimento, de riquezas ou mesmo de amigos durante a vida, nada nos dará maior conforto na nossa “hora” do que saber que estamos indo para o Pai.

Deus não é incoerente e nem mentiroso. Ele tem uma promessa de “novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça” (II Pd 3, 12). Convenhamos, uma felicidade pautada somente neste mundo é pouco demais, é raso demais para a intensidade e para os desejos imensos de nossa alma!

Uma vida (e, principalmente, uma morte) experimentada sem a esperança de viver o Grande Dia é algo desesperadoramente triste.

FOMOS CRIADOS PARA O CÉU

Assim que uma pessoa se converte, uma das primeiras coisas que começa a pensar é: “Posso tanto ir para o céu como também posso perdê-lo”. Esta consciência é o ponto de partida para nossa subida rumo ao cume da montanha.

Sim, esta é uma imagem que pode nos ajudar. Pense que a vida do cristão é uma constante subida, cheia de obstáculos e de perigos. Porém, todos os riscos valem a pena, uma vez que lá no cume da montanha existe um banquete preparado para aqueles que amam a Deus. E, durante nossa subida, nosso incentivo é saber que dia após dia estaremos mais próximos do grande objetivo.

Por isso, meus queridos, se faz necessário que estejamos sempre atentos! Estou mesmo empenhado nesta escalada rumo ao topo da montanha? Se hoje fosse o último dia desta minha jornada, eu estaria próximo ao cume ou estaria perdido em meio às paisagens desta vida? Será que eu não peguei um desvio perigoso e hoje estou bem longe da montanha que me levará para o céu?

São Domingos Sávio, certo dia, estava jogando bola com seus amigos e, em determinado momento, eles iniciaram uma conversa que tinha por tema esta mesma reflexão: “e se hoje fosse o seu último dia?”.

Estavam eles dizendo o que cada um faria: um disse que iria pedir desculpas para seus pais, pois havia brigado com eles antes de sair de casa; outro disse que precisaria correr para um confessionário… Em meio a tantos relatos, perguntaram a São Domingos o que ele próprio faria. Para a surpresa de todos, o menino santo respondeu: “Eu continuaria jogando bola”! Ou seja, ele não possuía nenhuma “pendência” e já vivia sempre como se fosse a sua última oportunidade.

Meus queridos, que possamos ter nosso coração semelhante ao de São Domingos. Que, mesmo diante de nossas imperfeições, não desistamos da nossa constante subida! Ainda que venhamos a “escorregar” em alguns trechos, ou mesmo que os ventos nos atrapalhem, não devemos nos abater, pois sabemos o que nos espera naquele tão almejado cume.

E desejo a você uma completa renovação da sua esperança, a fim de que persiga firme na certeza de que o Senhor te espera com um banquete especialmente preparado ao final da dura jornada.

Deus nos abençoe.

Angélica Baruchi Libório
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

 

 

 

 

 

               

 

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