Educação dos filhos na fé cristã – a visão de uma filha

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Educação

Hoje em dia é possível encontrar na internet e nos meios cristãos diversos debates sobre o modo correto de educar seus filhos na fé e o jeito ideal de ser Igreja doméstica. A preocupação dos pais com a vida espiritual de seus filhos tem se feito cada dia mais necessária, afinal, estamos vivendo tempos sombrios de muita promiscuidade e falta de fé. Muitos pais têm visto seus filhos crescer na Igreja e depois perdê-los para o mundo, como o filho pródigo, mas sem ter a certeza de que vão voltar. Enquanto eu crescia, vi essa cena se repetir em diversas famílias  e ao mesmo tempo, vi a preocupação de meus pais em me dar uma boa formação cristã para que eu me mantivesse firme no caminho da Salvação.

Quando vejo todas as “dicas” que têm sido espalhadas hoje em dia, me questiono muito sobre o que é verdadeiramente essencial para que uma criança possa crescer em virtudes e aprender a enfrentar o mundo como ele é. Sou jovem adulta, quase formada na universidade e filha mais velha de um casal que se conheceu na Igreja e desde cedo se preocupa em servir a Deus com os dons que recebeu. Desde meu primeiro dia de vida, me educaram no catolicismo com muita sabedoria e me transmitiram sua fé de modo que não me vi separada dela em nenhum momento de meu amadurecimento. E para isso, não precisaram me privar de muitas coisas, apenas daquelas que realmente não convinham.

Nenhuma família é perfeita, isso não existe. E cada casal tem a liberdade de adotar as pedagogias que julga melhor para o desenvolvimento de seus filhos. Todavia, os maiores esforços de nada adiantam se o essencial não está presente. Há um momento em que não dá mais para andar com as pernas de nossos pais. Há um momento na vida de toda criança que cresceu em um lar cristão em que ela precisa se decidir se vai seguir os passos de Cristo por conta própria, ou se vai abandoná-lo. Eu passei por esse momento e vi muitas outras crianças e adolescentes passarem também. O que faz a diferença nessa decisão? O que determina esse passo? Para mim, foi claro como água. Eu tinha os valores cristãos firmemente marcados em meu coração. Mas para alguns outros, nem sempre foi assim.

É necessária muita intimidade com o Espírito Santo para que os pais saibam o que fazer em cada momento. Lembro-me de perguntar uma vez à minha mãe por que ela tinha algumas atitudes diferentes entre eu e meus irmãos na nossa educação, e ela me respondeu que era porque sabia o limite de cada um e até onde podia ir para que ela não nos perdesse. Cada criança com seu temperamento acolhe as coisas de uma forma, e a Sabedoria do Espírito Santo é um grande socorro aos pais na tomada de atitudes no dia a dia.

Durante minha infância

Meus pais sempre me incentivaram a conhecer a história dos santos e pedir a intercessão deles. Desenvolvi uma amizade com Santa Teresinha desde muito cedo. Os momentos de oração do terço em família também eram especiais para mim. Meus pais sempre fizeram questão de me envolver ativamente nas orações e naturalmente aquilo se tornou parte da minha vida. Às vezes, eu dormia durante a missa, mas eles eram tolerantes com isso até certa idade. E quando fui ficando mais velha, eles lapidavam as amizades que eu arrumava por aí. Até então, nada de extraordinário, certo? Acredito que muitas famílias façam a mesma coisa.

A diferença que me deu base para que quando chegasse a hora da minha decisão eu escolhesse a Cristo, não foi por causa de nada disso. É claro que quando o pai e a mãe tiram tempo para estar com os filhos e falam de Deus para eles, isso fica marcado. Mas o que sempre me fascinou de verdade foi a fidelidade que eles tinham em servir a Deus nos seus compromissos da Igreja. Eles empregaram a vida ali.

Meus pais sempre tiveram grandes compromissos com as coisas de Deus. São pessoas cheias de dons e que os gastam em prol do Reino. E eu sempre os admirei por isso, ainda sem saber direito a dimensão de tudo. Ser exemplo é o que marca. Tudo faziam com dedicação, amor e zelo, e eu sem perceber fui entendendo que dar a vida para Jesus fazia sentido e era bom.

Através da fidelidade deles, eu conheci o Amor. Esse é o essencial. Muito além de tempo gasto comigo, muito além de regras e ideias mirabolantes. Quando precisei olhar para minha vida e entender quem era Deus, para escolher se eu gostaria de viver em intimidade com Ele, eu só pensava que não existia outro lugar para eu estar a não ser diante Dele. Dar a vida por Jesus era o que o meu coração desejava. Era o que dava sentido à vida.

Não existia mais uma separação entre minha vida e a vida de Deus em minha casa. E mesmo diante de todos os defeitos e dificuldades, Seu Reinado se estabeleceu em minha família. Ensinaram os valores não somente com discursos, mas com ações. Gastaram a vida pelas coisas da Igreja como se estivessem cuidando de tesouros próprios.

Minha decisão foi bem fundamentada diante disso. Ao mesmo tempo, existem jovens que se afastam do cristianismo depois de crescidos que também tiveram um bom alicerce na infância. Não podemos esquecer que muitos outros fatores externos podem influenciar. No entanto, aquela criança que teve a semente verdadeiramente plantada em seu coração, sempre sabe o caminho de volta. Não deixem de dar o essencial aos seus filhos. Valores se tornam valores através do exemplo, através da fidelidade do casal a Deus, à Igreja e a si mesmo.

Giovana Cardoso
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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