Eduque seu imaginário

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imaginário

Quantas vezes caímos em ilusões criadas pelo nosso imaginário? Muitas vezes até parece que é melhor não usar a imaginação. Entretanto, Deus nos deu o imaginário para coisas estupendas, por isso é necessário educá-lo, caso contrário, poderemos nos perder nas ilusões, o que nos levará à frustração.

Para compreendermos o plano de Deus para nossa imaginação, vamos observar o livro do Gênesis, que logo no início diz: “A terra estava sem forma e vazia” (Gn 1,2) e, a partir daí, Deus vai imaginando e criando: “Faça-se a luz”, “Faça-se um firmamento entre as águas”, “Produza a terra plantas, ervas que contenham semente e árvores frutíferas”, “Pululem as águas de uma multidão de seres vivos”. Até que, num determinado momento, Deus diz: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.”

Veja que coisa impensável: Deus cria uma imagem de si mesmo chamada homem! Logo, se somos imagem e semelhança de Deus, nossa imaginação tem um poder criativo e, ao mesmo tempo, cada ser humano, desde o mais pecador até um santo canonizado, carrega na sua face a face de Deus!

Ilusão acerca do próximo

Sendo assim, meus irmãos, precisamos honrar tamanha graça dada a nós por Deus. Quando vemos as misérias do nosso próximo, é como se estivéssemos vendo a terra “sem forma e vazia”, sem beleza, sem atrair os olhos humanos. Diante desta situação, precisamos usar nossa imaginação e dizer com o Senhor: “Faça-se a Luz!” e, a partir daí, produzir um olhar empático sobre a vida da pessoa, compreendê-la, desejar o bem dela e com o tempo seus pensamentos deixarão de lado os julgamentos, ou seja, as ilusões, pois foi na cegueira do pecado que a imaginação construiu aquela imagem falsa do próximo.

Interessante que, após dizer “sem forma e vazia”, a palavra diz: “e o Espírito de Deus pairava sobre as águas”. Isso evidencia que o Espírito sempre está presente. Veja: não precisamos crer que aquela pessoa difícil vai tomar jeito sozinha; é o Espírito de Deus que paira sobre ela, portanto, podemos e devemos, sim, imaginar e crer no melhor para o nosso próximo.

Percebe que este exercício é muito delicado? Requer esforço; não tem condições você buscar esta maturidade do imaginário assistindo a novelas, séries e filmes que apontam para o pior do ser humano. Certamente, seu imaginário rapidamente passará a pensar coisas do tipo: “vai me trair”, “está sendo falsa”, “é um tolo”, ou seja, ilusões que não apresentam um delineamento completo da realidade, apenas um recorte, baseado numa observação pontual.

Ilusão acerca de si mesmo

Da mesma forma que ao olhar o próximo vemos recortes, também acontece o mesmo conosco. É necessário encontrar a nossa terra “sem forma e vazia” e depois nos encontrarmos com o “Espírito de Deus” para que ele nos transforme no nosso “eu ideal”.

Entretanto, se no nosso imaginário existir apenas referências de vida boêmia, narcisista e individualista, qual será nossa capacidade de descobrir nosso “eu ideal”? Impossível! Teremos uma ilusão de ideal! Sonhos inatingíveis! Vocações falsas, cheias de amor-próprio! Um altruísmo permeado de segundas intenções!

Ao contrário, quando nos alimentamos das Sagradas Escrituras e da vida dos santos, temos em nosso imaginário elementos da vida de Cristo, que irão compor o nosso “eu ideal”.

Ilusão acerca das coisas

Outra forma importante de educar nosso imaginário é a respeito das coisas. Se nos alimentarmos, por exemplo, de séries, filmes, entre outros entretenimentos, que apresentam situações muito absurdas, certamente iremos dificultar as coisas para o nosso imaginário. Ao invés de imaginar soluções factíveis e viáveis, sempre tenderemos a nos calar ou não ter nada a acrescentar diante de um problema. É necessário munir nosso imaginário de virtudes, altruísmo, nobreza, beleza, fidelidade, coragem… Quanto mais nos alimentarmos de coisas boas, mais capacidade de criar soluções excelentes para situações próprias da nossa vida teremos.

Ilusões acerca de Deus

Deus nos criou à sua imagem e semelhança para que pudéssemos alcançá-Lo. Deus nos fez capazes d’Ele, desta forma, nosso imaginário é capaz de Deus! Entretanto, por Deus ser infinito, nosso imaginário precisa entrar numa constante busca, que irá encerrar apenas quando nos encontrarmos face a face com Ele.

Em socorro das nossas limitações, Deus envia seu Espírito, ordenando todo o nosso ser para sair do fluxo do pecado e entrar no fluxo da graça. É necessário nos fixarmos em Cristo e em sua Santa Igreja, que, por sua vez, irá formar todas as nossas faculdades, inclusive nosso imaginário, para que, cada vez mais, consigamos tocar em Deus.

Conclusão

É necessário educar nosso imaginário. Precisamos tê-lo como um cofre, onde iremos guardar as coisas mais belas e preciosas que encontrarmos na nossa história. Precisamos ser zelosos; hoje os entretenimentos procuram apenas cativar as pessoas, sem se preocupar com o bem dos outros, querem apenas números para multiplicarem seus lucros!

A tecnologia tem colocado as coisas de Deus em uma luta desigual em termos de cativar a atenção das pessoas, mas são coisas pífias e sem valor perto da promessa de Deus para nós. É urgente educar o imaginário! Estamos trocando o reino por um prato de lentilha.

“Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (ICor 2, 9)

Lucas Sturion
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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