Ele vive e Reina!

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Quem nunca teve um pesadelo interminável durante à noite, daqueles que nos deixam aterrorizados, ansiando por acordar e constatar que tudo era afinal um mero sonho? O alívio é indescritível ao percebermos que nada daquilo aconteceu… O fato é que nós estaríamos realmente em um pesadelo inigualável se o nosso Senhor não tivesse vencido a morte. Cristo vive, e é o fato de Ele viver que nos garante a salvação do eterno pesadelo.

Uma angústia terrível e sem fim é o que experimentam as almas condenadas eternamente ao inferno. E todos nós – sem exceções – viveríamos essa angústia se Deus não tivesse amado tanto o mundo a ponto de nos entregar Seu Filho unigênito para que fossem salvos os que cressem Nele (cf. Jo 3,16).

Para refletir sobre a ressureição do Senhor (e a consequente salvação que isso significou a nós), é preciso que, antes de tudo, façamos uma breve reflexão sobre a gloriosa paixão e morte do Filho de Deus.

O Senhor nos amou com amor de cruz!

Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele. Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós.” (Is 53,3-6)

Meu querido leitor, é absolutamente necessário que hoje tenhamos gravada em nossos corações a imagem da maior prova de amor da história: a cruz. Sim, aquele que era considerado um assustador instrumento de tortura, tornou-se o símbolo do verdadeiro Amor. Não é à toa que São Paulo escreve: “A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina” (I Cor 1, 18).

Para remir o mundo inteiro, nosso Senhor aceitou o pior dos castigos: foi humilhado, sofreu profundas lacerações em sua carne, foi coroado com uma coroa de espinhos, abandonado por seus amigos…

Mesmo após O agredirem de todas as formas, colocaram sob Seus ombros uma pesada cruz e O fizeram carregar o próprio instrumento da Sua morte. Não era apenas o peso da madeira que pesava sobre o Salvador; muito mais que isso, eram os pecados de toda a humanidade! Para que você e eu pudéssemos ser salvos da escuridão perpétua, aquele Homem-Deus, mesmo sendo inocente, padeceu pelos nossos crimes.

Por mais que atravessemos momentos difíceis em nossas vidas, nada se compara ao sofrimento que nosso Senhor suportou – e suportou de forma livre – para que pudéssemos novamente sonhar com o céu.

Toda a história da Paixão de Jesus foi celebrada e vivida liturgicamente nesses últimos dias, onde fizemos a memória do quanto fomos (e somos) amados por Deus.

Assim, ao cantarmos altivamente o “Glória” na Vigília Pascal – a Missa mais importante do ano –, não estamos apenas preenchendo um requisito litúrgico ou cumprindo um simples preceito; estamos, na verdade, proclamando a vitória do Salvador: o Senhor vive, Ele venceu a morte!

Porque Ele vive, podemos crer em um amanhã…

Sabe aquele sentimento de quando ganhamos algo de inestimável valor? Sabe aquela alegria que nos faz explodir a ponto de não cabermos em nós mesmos? Quem já sentiu isso em algum momento me compreenderá: dá vontade de parar todos na rua e compartilhar o motivo daquela exuberante felicidade.

É exatamente esse sentimento que precisamos ter nesse dia tão glorioso! “Este é o dia que o Senhor fez para nós!” (Sl 117, 24). Hoje nós ganhamos um inestimável presente… acordamos daquele pesadelo terrível e ganhamos a chance de escrever uma nova história.

Uma nova história Deus tem para mim

Não tenho dúvidas de que, assim como eu, você gostaria de poder recomeçar de algum ponto específico da sua vida – talvez um ponto em que tomou a decisão errada ou deixou passar alguma oportunidade.

Quem nunca quis viver de forma diferente alguma discussão? Ou evitar alguma briga? Ter tido forças para não cair em determinado pecado? Ter voltado atrás de uma decisão que lhe custou muito…

A verdade é que nós não podemos nos prender para sempre no “E SE…”. O Senhor passou tudo o que passou para que nós pudéssemos, justamente, iniciar um caminho direto e objetivo à felicidade eterna – não importa o ponto em que estejamos hoje. O Senhor vive e vive junto de cada um. Jesus não te olha e questiona “o porquê não fez isso ou aquilo outro”. Ao contrário, Ele segura a sua mão e diz: “Vamos, Eu sei o caminho!”.

Nesta Páscoa, meu querido leitor, nós encontramos o sepulcro vazio! A nossa dívida já foi paga, o Senhor nos dá a chance de mudarmos de vida, de assumirmos posturas melhores, de sermos mais virtuosos, de brigarmos pela nossa salvação – assim como Ele, tão corajosamente, brigou por mim e por você.

O Senhor ressuscitou! O Senhor vive e nos convida a, junto Dele, escrevermos uma nova história, a trilharmos um novo caminho, a sermos realmente felizes!

Deixemos o Autor da vida escrever

Como nosso amigo e santo, Agostinho nos lembra: “Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser”.

Que neste novo tempo, nós possamos finalmente deixar Deus ser Deus em nossas vidas. Deixemos que Ele faça dos nossos dramas uma nova e apaixonante aventura ao Seu lado.

Que Deus nos abençoe!

Angélica Libório
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

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