Encontre Deus nas coisas mais simples do seu cotidiano

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Simples e surpreendente, assim é o amor de Deus por nós. Deus é simples sem deixar de ser glorioso e poderoso. Simples quer dizer que não é composto ou desdobrado em partes. Não é complexo, mas inteiro. Deus é assim, um único Deus. Seu amor é total, inteiro, ou seja, simples.

Eu falo diversas vezes para minha filha mais velha: “Deixe Deus te surpreender.” Quando queremos ter muito o controle das coisas e fazemos do nosso jeito, não damos espaço para a graça agir. Por vezes, nós nos metemos a controlar nossa vida sem submetê-la a Deus e acabamos complicando as coisas.

É importante ter um planejamento para que haja uma ordem interior. No entanto, a virtude da humildade nos ajuda a viver as “surpresas” do dia a dia com espirito de alegria, para que aí também encontremos o Senhor.

Deus habita nosso espírito e está sempre conosco. Ele nos diz: “Não tenha medo, pois eu estou com você. Não precisa olhar com desconfiança pois eu sou o seu Deus” (Is 42, 10).

Se, de fato, acreditamos na Palavra de Deus, então, acreditamos que ele está conosco em todos os momentos e fala conosco. Nas coisas mais simples da vida, Deus está falando conosco.

Santa Elizabete da Trindade nos ensina: “Encontrei meu céu na terra porque o céu é Deus e Deus está na minha alma.” O Senhor habita nosso ser. Conhecer-se e encontrar-se consigo mesmo é também um encontro com o Senhor. À medida que buscamos esse autoconhecimento, vamos nos aproximando mais e mais de Deus.

Tomando um café, cuidando dos filhos, preparando uma comida, passando a roupa… coloquei os afazeres de uma dona de casa porque é o que eu faço no meu cotidiano, mas poderia ser qualquer outra coisa: escovando os dentes, tomando um banho… Seja qual for seu trabalho ou ocupação, é sempre possível fazer uma experiência de Deus. No cheiro do café, do sabonete, na sensação da água tocando a pele… em tudo isso podemos vivenciar a bondade do Senhor.

Eu sei que pode ser bem difícil encontrar Deus no nosso dia a dia cheio de distrações. Podemos perder a hora da graça por deixar passar. Por isso, é importante ter um espírito de oração que busca a Deus para poder ouvi-l’O durante o nosso dia. Seja na leitura da Bíblia ou através de algum acontecimento, temos sempre que nos perguntar: O que o Senhor deseja me falar com isso? Por que o Senhor permite que eu passe por isso?

A agitação do dia a dia pode dificultar essa escuta. A falta do Sacramento da Confissão e a falta de prática na vida de oração também dificultam essa escuta. O importante é não desanimar.

Devemos nos conformar a vontade do Pai, como nos ensinou Jesus, e manifestar a glória que é de Deus na vida dos homens. Deus é simples, Seu Amor é gratuito e desinteressado.

A simplicidade da pequena via

Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da Igreja, nos ensina a pequena via. Um caminho simples e certo para se chegar ao céu, ou melhor, para se encontrar com Deus.

Quando Teresinha ainda era carmelita, sentia que estava muito longe de viver as virtudes heroicas dos grandes santos. Refletindo sobre as novas invenções de seu tempo – eletricidade, automóveis, telefone – lembrou-se de uma viagem feita à Itália antes de sua entrada no Carmelo, ocasião em que conheceu o elevador. Em um instante encontrava-se nos altos dos edifícios. Ela se perguntava se não haveria algo semelhante para alcançar a santidade.

Lendo um dia a Bíblia, ela se deparou com a passagem de Pr 9,4: “Se alguém é pequenino, venha a mim!” Esse versículo foi uma grande luz para ela. Entendeu que ela era esse pequenino. Estava exultante por perceber que estava encontrando a resposta para sua busca fundamental: a santidade. Ela se perguntava o que Deus faria do pequenino que fosse até Ele com confiança. Encontrou em Is 66,13 a resposta: “Assim como uma mãe afaga seu filho, assim eu vos consolarei e vos carregarei no colo e vos embaralhei nos joelhos”.

Teresinha descobriu sua trilha: eram os braços de Jesus, o elevador, que a levaria até os picos da santidade. Concluiu a partir dessa maravilhosa verdade que para ser carregada pelos braços de Jesus não é necessário apenas ser pequena, mas apequenar-se casa vez mais. Descobriu que vivendo a humildade e a magnanimidade poderia se achegar a Deus como um Pai bondoso.

Através da pequena via, Santa Teresinha nos ensina que não são necessárias grandes obras para alcançar a santidade e encontrar Deus. Mas se você realizar os menores gestos, trabalhos insignificantes, sem glamour e muitas vezes escondidos, com amor a Deus, você estará trilhando a pequena via. Isso significa encontrar Deus nas coisas mais simples do seu dia a dia.

Teresinha é um grande exemplo da vivência da pequenez e do nada. Reconhecendo nosso nada, podemos encontrar com o Tudo, pois somente vivendo nosso “não ser” podemos fazer uma experiência com Aquele que é. Isso se traduz muitas vezes na vivência de contrariedades ou situações bem complicadas do nosso cotidiano, em que não sabemos o que fazer, em que não vemos saída ou resposta. É nesse momento que Deus deseja reinar no seu ser.

                Termino com uma parte do poema de Santa Teresinha: “Viver de amor”

Na ceia do Amor, Jesus claramente
Se desvela: “Se alguém me quer amar,
Minha palavra guarde diligente.
O Pai e Eu o viremos visitar.
Faremos nele lar que nos aqueça
E há de amá-lo meu Pai que me enviou!
Em paz queremos que ele permaneça
Em nosso Amor!…”

Viver de Amor é Te guardar, Senhor,
Verbo incriado, Palavra Divina.
Bem sabes, ó Mestre, tens meu amor,
Sim! o Espírito de Deus me ilumina
Amando-Te faço que o Pai me queira.
Frágil, Te tenho seja como for,
Ó Trindade! Te tenho prisioneira
De meu Amor!

Viver de Amor, Jesus, nossa alegria,
Rei dos eleitos, é viver tua vida.
Por mim velado estás na Eucaristia,
Por Ti, quero viver sempre escondida!
A amantes a solidão bem condiz,
Coração a coração, com fervor.
Teu olhar somente me faz feliz.
Vivo de Amor!

Viver de Amor é na terra somente
Armar no cimo do Tabor sua tenda.
Subir com Jesus o Calvário ardente,
E ver na Cruz a mais preciosa prenda!
No Céu terei pleno contentamento,
Pois toda prova para trás ficou.
Mas na terra quero no sofrimento
Viver de Amor!

Viver de Amor é sem medida dar,
Recompensas não reclamar na vida.
Hei de dar tudo sem jamais contar,
Pois quando se ama não se tem medida.
Ao Coração Divino, com ternura,
Concederei o que pedido for.
Tão somente será minha ventura
Viver de Amor!

Thaís Casarini
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

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