Existem locais em nossos corações que não são feitos de pedra

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Nossos corações não foram feitos para ser pedra, embora isso seja óbvio. Hoje em dia, o óbvio muitas vezes precisa ser dito. Principalmente quando, na prática, eu e você ainda nos encontramos travados para amar e ser amados da maneira como deveríamos ser. Às vezes pode ser até inconsciente, o que é ainda pior: significa que estamos acostumados. Se você não se sente frustrado ao se deparar com uma exigência de amor que você julga não ser capaz de atender, ou se você tem o coração fechado para receber alguém se aproxima para cuidar de você, é porque seu coração está com uma armadura ao redor dele e você sequer notou. Não podemos nos acostumar com corações de pedra.

Foi o pecado que nos deixou assim. O pecado fere nossa capacidade de amar e receber amor. E quando digo “pecado”, não me refiro somente ao seu, mas também ao pecado do outro que te gerou feridas, feridas que por sua vez geram bloqueios. Pessoas feridas ferem outras, e o ciclo somente se intensifica. Todavia, se você sente que assim está seu coração hoje, empedrado, seco e duro diante de tantos machucados e decepções, eu te digo: ainda que você sinta fisicamente o peso em seu peito, existem locais nos nossos corações que jamais serão feitos de pedra, não importa o que aconteça.

Arrisco dizer que a pedra é somente uma casca superficial, um mecanismo de proteção que criamos, mas que não é irreversível. Por dentro, ainda existe uma carne viva que tem sede do amor. E não somente sede, mas saudade, pois um dia todos nós viemos d’Aquele que é o Amor perfeito e isso está gravado em nossas almas. Essa casca que nos aprisiona e sufoca é capaz de ser derrubada a partir do momento em que nos aproximamos d’Aquele capaz de transformar e curar todas as memórias que nos podaram: “Derramarei sobre vós águas puras, que vos purificarão de todas as vossas imundícies e de todas as vossas abominações. Eu vos darei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne.” Ezequiel 36, 25 – 26.

Curados e livres para amar

Todos nós precisamos de cura, cada um em níveis diferentes. A carência afetiva, ou seja, qualquer distorção da capacidade de amar que o pecado deixa em nossos corações, pode afetar todos os nossos relacionamentos dos mais diversos jeitos, nas amizades, nos namoros, nos casamentos e até em relacionamentos familiares. Alguns sinais mais comuns são o ciúme excessivo, controle, codependência, desconfiança, egoísmo, impaciência, falta de perdão e misericórdia.

Quando somos conduzimos pelas nossas feridas, tendemos a agir como uma esponja: reter tudo para si. Isso não significa que sabemos receber amor, significa que só queremos receber amor quando ele vem do nosso próprio jeito. Não sabemos ser amado pela maneira com que o outro sabe amar e o cobramos injustamente por isso, quando na verdade um coração não existe para si mesmo. Sua própria função biológica já comunica esse fato: o coração existe para bombear o sangue e regar todo o corpo. Nós servimos para bombear amor a todo canto também, de maneira livre, como era no princípio.

Só o Senhor é capaz de nos curar e nos tornar livres para amar. Para ordenar todas as nossas paixões, o primeiro passo é despejá-las n’Ele. É preciso esforço e paciência, sim, mas Deus está ansioso para nos dar corações de carne. Foi para isso que Ele entregou seu Filho. A cura já nos foi dada, só precisamos ir até ela e assim conhecer o amor como ele sempre foi feito para ser.

Giovana Cardoso
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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