Habitar na Palavra é descobrir a força da Cruz

0
Cruz

Somos fruto daquilo em que acreditamos. Nossas ações, reações, sentimentos e raciocínios se baseiam nas palavras em que cremos. Sendo assim, se cremos na força da Cruz de Cristo, nossa vida será de uma maneira; se não cremos, de outra.

Se as nossas crenças nos distinguem, precisamos estar bem atentos àquilo em que cremos, à qual palavra damos crédito e ouvidos, qual palavra deixamos entrar em nossa intimidade e modelar nosso coração, pois a palavra tem o poder de transformar nossa personalidade.

O universo foi criado pela palavra de Deus, Jesus é o Verbo do Pai! Em toda a palavra há um poder, de construir, de destruir, de converter.

Em qual universo linguístico você tem habitado?

É necessária uma reflexão para descobrir quais palavras temos usado, difundido, de quais delas temos nos alimentado e por quais delas temos nos deixado converter. Em qual tipo de palavra temos habitado, com quais palavras temos convivido?

Você crê na redentora força da Cruz de Cristo? Crê na Palavra de Deus? Convive com ela, habita nela? Qual tem sido sua luta?

Sabe o motivo de eu estar questionando tudo isso? O primeiro parágrafo deste texto!

Muitas vezes vivemos uma vida dentro da igreja e pensamos acreditar em tudo o que está na Bíblia e no que a Igreja nos ensina através de seus santos e magistério, mas quando nos deparamos com um desafio, agimos contrariamente ao que acreditamos crer.

Quantas vezes sabemos que precisamos mudar algo em nós e entra ano, sai ano, não vemos progresso? Quantas vezes aquilo que a Bíblia diz não nos é conveniente, ou o que a Igreja fala consideramos exagero (ou como dizem: “não é bem assim”)? Quantas vezes participamos das atividades da paróquia/comunidade e continuamos a pensar como nos ditam as mídias sociais ou o vizinho?

Isso tudo por um único motivo: não deixamos que a Palavra de Deus nos converta. Não passamos tempo com ela, não habitamos nela, não cremos verdadeiramente em sua força!

Trocamos a força que redimiu o mundo pelas notícias do dia. Deixamos que elas nos convertam! O resultado é uma sociedade confusa, cheia de conflitos de ideias (cada um pensa uma coisa diferente do outro e quer se impor), inconstante, frágil, desesperada, desanimada, descrente, utópica e aqui seguem mais outras mil características que você mesmo pode acrescentar. Se todos os que dizem crer em Cristo realmente cressem em Cristo, teríamos uma sociedade inabalável.

Qual é a força da Cruz?

Qual é a força de uma entrega tão radical? O que fez Jesus enfrentar todo o sofrimento físico e moral, toda a incompreensão, abandono, desprezo, descaso? O que O fez cumprir até o fim a mais árdua das missões?

Só há uma resposta que cabe em todo esse questionamento: o amor!

Habitar na Palavra é, assim, descobrir a força do amor, a força da Cruz, o motivo de Deus ter se feito homem para morrer por nós e nos abrir novamente a possibilidade de nos unirmos a Ele, perdida por nossos primeiros pais. Da desgraça da separação passamos à graça da união, mas dessa vez mais íntima do que antes!

Muito bem, mas como habitar na Palavra e descobrir a força da Cruz?

Confiando na Palavra!

Casando-nos” com ela, unindo-nos a ela em intimidade! Trazendo-a ao convívio do dia a dia: ao dormir, acordar, nos alimentar, nas diversões, nas dores; permitir que ela nos cure, nos modele, nos converta. Entregar nosso coração a Cristo, para que através de Sua Palavra sejamos transformados e preparados para viver no céu com Ele!

Só aprendemos a amar e experimentamos a força do amor de verdade, se cremos firmemente na Palavra de Deus (escrita, falada, vivida), se deixamos que ela nos modele. Só na Palavra de Deus somos fortalecidos, pois encontramos nela a verdade que nos liberta; vivemos a realidade não nos deixando levar por ilusões passageiras com falsas promessas de felicidade.

Se estamos unidos da mesma força que levou Cristo até a Cruz, passaremos por quaisquer desafios em nossa vida e alcançaremos a vitória final.

Se dermos crédito às outras palavras, às ditas por nós mesmos e por outros, já não teremos a mesma garantia, pois tudo o que não é eterno é passageiro: acaba, extingue-se.

O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.” Mt 24, 35

Habitar numa casa construída sobre a rocha: A Palavra de Deus.

A Palavra de Deus remete à essência do ser, da realidade das coisas. As palavras do mundo, e as criadas em nós pelas feridas, remetem à superfície dos fatos, à maneira com que nós enxergamos o que nos acontece, o que pode ser uma distorção da verdade, uma forma superficial e emocional de entendimento, impulsionando uma reação, muitas vezes, desconectada da realidade, podendo causar-nos sofrimentos inúteis e ideias errôneas. Nossa vida será fruto de nossas escolhas.

Termino com o convite a continuamente refletirmos a respeito de um dos assuntos mais sérios de nossa existência: Em qual palavra você tem escolhido crer, em qual tem apostado sua vida? Quais palavras têm te moldado diariamente? Quais delas têm se tornado seu habitat?

“Ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, o seremos igualmente por uma comum ressurreição. Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele, pois sabemos que Cristo, tendo ressurgido dos mortos, já não morre, nem a morte terá mais domínio sobre ele.”

Rom 6, 3-5, 8-9

Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça? Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade; e o termo é a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.”Rom 6, 16, 22-23

Rosana Vitachi

Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

 

Deixe uma resposta

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, insira seu nome aqui.