Jesus Rei e meu Esposo

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“Eu noivarei contigo para sempre, eu noivarei contigo pela justiça e pelo direito, pelo amor e pela ternura.’ Esta é a voz do meu amado; ei-lo aí, que já vem saltando sobre os montes, saltitando nas colinas. Meu Amado, chama-me tua doce voz. Vem – me dizes – o inverno já se foi. Para ti, uma nova estação vai começar.” [1]

Cristo Ressuscitou! Aleluia! Após mais uma quaresma chegamos, enfim, ao Tempo Pascal, à Ressurreição do Cordeiro, à Vitória do Rei e Poderoso Senhor.

Tantas são as facetas a penetrarmos no mistério que é o Tríduo Pascal e os subsequentes dias… mergulhemos, hoje, no mistério de amor de Jesus.

Jesus é Rei. Rei poderoso. Por amor, deu Sua vida a nós. Tão profundo é esse mistério de amor que na sexta feira da paixão celebramos a Paixão de Jesus. Paixão, pois foi por amor. E por que o Amor se machucou, e por nós? Por mim e por você, única e exclusivamente?

Não há maior demonstração de amor que o amante dar-se ao amado. Veja, Jesus se fez sacrifício para que o alvo de Seu amor, VOCÊ, que lê nesse momento esse texto, fosse inundado, penetrado, preenchido de um amor ciumento, poderoso, devorador.  Sim, o Amor de Jesus é Ciumento e Devorador.

Sua realeza consiste (também) no domínio de todas as coisas, e “todas as coisas” contemplam todas as situações de sua vida. Esse amor ciumento e devorador, imperioso e soberano, total e poderoso quer dominar e reinar em todos os mínimos pontos de sua vida. Por isso Seu gesto de amor profundo: Ele se deu inteiro (lembra que o amante se dá ao amado?) para que você e eu fôssemos amados até o fim!

Ele venceu a morte física e material, transcendeu a limitação do pecado e elevou gloriosamente a condição humana. Ele é Poderoso pois tem o Poder de dar-se, de morrer e ressuscitar, de amar e se deixar ser amado.

Amar é um Poder grandioso que por vezes esquecemos. Mas Jesus nos ama, também, com amor de Esposo. Como os homens que iam à guerra para defender sua família, sua esposa e filhos da invasão de suas terras, de sua cidade, de seu país, Cristo vai à guerra para nos defender, nós, sua Esposa.

Jesus começa Seu ministério em um casamento. O apocalipse retrata um casamento. Nós, a Igreja, somos a Noiva. Somos aquela que irá se unir a seu Esposo: o Cordeiro Imolado. Jesus é o Esposo que quer desposar nossa alma, sua esposa. “O Espirito e a Esposa dizem: Vem!”[2]

Jesus nos ama profundamente até o ponto de dar a Sua vida para que não fôssemos repartidos com ninguém. Como o marido que protege sua família, Jesus protege, com Seu sangue, sua Esposa.

A nós, resta-nos responder, não filialmente, mas esponsalmente a esse amor. E como responder? Com generosa fidelidade!

A fidelidade a Jesus através de Sua Igreja, filial obediência aos Sagrados Pastores; amor apaixonado por Sua Sagrada Tradição e intensa vivência batismal no mundo. Ser verdadeiros cristãos em nosso trabalho, em nossa família, no trânsito, em qualquer lugar em que estejamos.

O amor é a marca dos cristãos (“Vede como eles se amam”[3]; “Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”[4]) não apenas (como se fosse pouca coisa) porque Deus é Amor[5], mas porque Cristo nos ama com amor esponsal.

A Páscoa é a preparação do matrimônio espiritual. A quaresma, podemos ver assim, é a preparação do enxoval. Assim como a noiva alegremente prepara o enxoval, sonha com a nova casa, com sua futura família, de estar nos braços de seu marido no novo lar, de ter a realização e o gozo da união íntima do matrimônio, essa mesma esposa também sofre várias perdas.

Sofre a perda da casa dos pais, lugar onde cresceu e foi protegida, onde se sente segura; sofre a ida para um lugar que ainda não conhece; sofre as futuras dores de uma vida onde ela precisa ser forte com seu marido.

A quaresma é o momento onde perdemos não apenas o pecado e más tendências, mas o controle de nossa vida, o ideal de santificação que achamos belo e assumimos o caminho da cruz e do sacrifício para alegrarmos o Marido, o Esposo.

Na Páscoa o Esposo nos mostra o prato com o qual se delicia, qual roupa ele gosta de usar e como a quer passada, mostra-nos onde está a casa em que moraremos… enfim, a Páscoa, em seu tríduo, une nossa alma com Cristo e nos prepara para o encontro definitivo, o matrimônio espiritual onde seremos não apenas a Noiva, mas a Esposa do Cordeiro.

A quaresma, mais do que um tempo de dor é o período de perfumar o rosto através do jejum, banhar o corpo pela penitência e vestir bela roupa através da esmola. Não é dor pela dor, mas para preparar a Noiva.

Cristo nos dá, ano após ano, a oportunidade de nos preparar cada vez mais e melhor. Ele quer apenas nosso SIM. O resto Ele preparará. Ele quer nossas lâmpadas acessas[6], nossa vigilância no caminho da santidade e do amor a Jesus.

Por fim, o Esposo, vivo e ressurreto, nos mostra que nosso caminho é esse. Como no sacramento do Matrimônio, onde o sacerdote questiona os nubentes: “ Prometes … na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”, Cristo nos mostra que passaremos com Ele na alegria do tempo pascal e do Natal e na tristeza da quaresma, advento e crucificação.

Viveremos, também, na alegria dos ensinamentos e milagres, promoções do trabalho e nascimento de filhos, como na doença da luta de nosso pecado e más tendências, dificuldades familiares e financeiras, perdas de pessoas queridas e insucessos na vida. Mais que o Cristo “bonitinho” que vemos acenando na imagem do ressuscitado, Ele quer ser o amor de nossas vidas e de nossas almas.

Possamos nós viver de amor, morrer de amor, nos consumir nas chamas vivas do amor ciumento e soberano de nosso Esposo, Cristo Jesus.

“Viver de amor é viver de tua vida,
Rei glorioso, deleite dos eleitos.
Por mim, tu vives escondido numa hóstia;
Por ti, oh, Jesus, eu quero me esconder!
Para os amantes é necessária a solidão,
Um coração a coração que dure noite e dia.
(… ) Vivo de Amor.

Morrer de Amor é um bem doce martírio,
E é este que eu gostaria de sofrer.
Oh, Querubins! Aprontais vossas liras,
Porque eu sinto terminar meu exílio!…
Chama de Amor, consome-me sem tréguas;
Vida de um instante, teu fardo me é bem pesado!
Divino Jesus, realiza meu sonho:
Morrer de Amor!…”[7]

[1] Os 2,16;Ct 2,8; Santa Terezinha do Menino Jesus – Cântico de gratidão da Noiva de Jesus (Obras Completas – Paulus)

[2] Ap 22,17

[3] Tertuliano – Apologia 39

[4] Jo 13, 35

[5] I Jo 4,8

[6] Cf. Mt 25, 1 – 13

[7] Santa Teresinha do Menino Jesus – Viver de Amor 3.14

 

Leonardo Araujo Pataro
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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