Lance-se na fornalha do Amor Misericordioso

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amor misericordioso

Está difícil para você conviver com as próprias limitações? Deixo um convite: conte com o Amor Misericordioso de Deus, e assim, não sairá decepcionado!

Tenho uma notícia ruim para lhe contar: por mais que possamos melhorar em alguns aspectos, nunca, nesta vida, ficaremos totalmente livres das fraquezas, faltas e toda espécie de desordem. Elas são inerentes à condição humana.

Mas, em compensação, trago-lhe uma notícia ótima! O Amor de Deus pode transformar aquilo que, em nossas vidas seriam “desgraças”, em fontes de Graça! Santa Teresinha do Menino Jesus nos mostra que, ao invés de odiar nossas misérias, elas podem se tornar amáveis. O grande SEGREDO está em nossa POSTURA frente a Deus e à vida.

Compreendendo essa dinâmica… 

Teresinha nos recorda de que não estamos sozinhos nesta luta. Muitas vezes nos vemos miseráveis, mas existe o Deus Misericordioso sempre pronto a nos socorrer! Esse Deus se fez homem e por isso conheceu em tudo (exceto no pecado) as limitações que a nossa humanidade nos impõe.

A palavra misericórdia é formada pela junção de “miserere” (ter compaixão) e “cordis” (coração). Portanto, ela indica a união de sentimentos com o próximo. Deus se compadece de nós. E é interessante observar que, ao mesmo tempo em que a fraqueza (o vazio do “NADA”) é inerente à condição humana, a Potência do “TUDO” é inerente ao SER Divino, ou seja, Ele nos completa! E tem mais: é próprio de quem ama a ação de “dar-se”; e a essência de Deus é puro Amor!

Logo, temos “a faca e o queijo na mão”! Só que Deus respeita a nossa liberdade em deixarmos ser ajudados ou não. É aí que entra a questão da nossa POSTURA frente a tudo isso: ou cheios de orgulho “escondemos” nossos limites e seguimos em frente, lutando sozinhos, chegando a “lugar nenhum” ou nos permitimos SER PEQUENOS, como crianças que “pedem o colo do Pai”, deixando-O nos ajudar a transpor QUALQUER OBSTÁCULO. A isso, chamamos de “dependência” dentro da “Pequena Via”, doutrina de Santa Teresinha.

O Pai sente imenso prazer poder realizar esse movimento de Misericórdia em que se abaixa até nós e nos eleva!

Palavras de Teresinha a nós 

Gostaria de citar exemplos dados pela própria Santa, ilustrando essa relação que devemos buscar com Deus por meio de nossas limitações:

“Eu queria tentar fazer-vos compreender por uma comparação muito simples, como Jesus ama as almas mesmo imperfeitas que confiam Nele: suponha que um pai tenha dois filhos levados e desobedientes e, chegando para castigá-los, vê um deles tremer e se afastar com terror, mas tendo no fundo do coração o sentimento de merecer o castigo; o outro, ao contrário, lança-se nos braços do pai dizendo que se arrepende de o ter desgostado, que o ama e que, para provar, será obediente daquele momento em diante; e se esse filho pedir com um beijo ao pai para puni-lo, não creio que o coração do feliz pai possa resistir à confiança filial do seu filho de quem conhece a sinceridade e o amor. Não ignora, todavia, que seu filho recairá nas mesmas faltas, mas está disposto a perdoá-lo sempre se o filho o pegar pelo coração… Nada vos digo do primeiro filho, meu querido irmãozinho, deveis imaginar se o pai pode amá-lo tanto e tratá-lo com a mesma indulgência…”  (Carta 258, para o padre Bellière).

“Para os que O amam e que, depois de cada indelicadeza, vem pedir-Lhe perdão lançando-se nos Seus braços, Jesus vibra de alegria. Ele diz aos seus Anjos o que o pai do filho pródigo disse para os seus servidores: ‘Trazei depressa a melhor veste e vesti-lhe; ponde-lhe um anel no dedo e calçados nos pés, regozijemo-nos’. Ah, meu irmão! Como a Bondade e o amor misericordioso de Jesus são poucos conhecidos!… É verdade que, para gozar desses tesouros é preciso humilhar-se, reconhecer o próprio nada, e é isso o que muitas almas não querem fazer, mas, meu irmãozinho, não é assim que se procede, por isso a via da confiança simples e amorosa é feita para vós”. (Carta 261, para o padre Bellière).

“(…) No entanto, ó meu Deus! Bem longe de desanimar vendo minhas misérias, venho a Vós confiante, lembrando-me de que: ‘Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes’. Eu vos suplico, pois, a cura, o perdão, e me lembrarei, Senhor, ‘que a alma à qual perdoastes mais deve também amar-vos mais que as outras!… Ofereço-vos todas as batidas de meu coração como outros tantos atos de amor e de reparação e os uno a vossos méritos infinitos. Suplico-vos, ó meu Divino Esposo, que sejais vós mesmos o Reparador de minha alma, que opereis em mim sem levar em conta minhas resistências, enfim, já não quero ter outra vontade senão a Vossa; e amanhã, com o auxílio de Vossa graça, recomeçarei uma nova vida da qual cada instante será um ato de amor e de renúncia”.

“Oh! Como sou feliz por me ver imperfeita e precisar tanto da misericórdia do bom Deus na hora da morte”!

Conclusão 

Contando com o auxílio da Graça do Espírito Santo podemos reconhecer e acolher nossas fragilidades. Permanecendo no Amor do Pai e confiando em Seu Auxílio, atraímos a Sua Ação, e assim, Cristo é glorificado! Portanto, em nossa fraqueza se revela o Poder de Deus!

Diante de tudo isso, podemos dizer que nossas fraquezas e limitações são como “lenhas” e “gravetos” que alimentam a “Fornalha” do Divino Amor. A princípio, parece uma loucura amar nossas limitações! Todavia, com certeza, ao saber que elas (somadas à nossa postura de confiança) atraem o Olhar Misericordioso do Pai e Lhe oferecem a Alegria de nos pegar no colo, … como não amá-las?

Luiza Torres
Discipula da Comunidade Católica Pantokrator

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