Maturidade: Enfrentar o que nos deixa desconfortável

0
desconfortável

Quem nunca passou por uma, duas, inúmeras situações que te deixaram muito desconfortável? Acho que todos nós temos muitas histórias para contar sobre isso. A questão é: como enfrentamos essas situações? Como lidamos com as pessoas que nos colocam nesses desconfortos? Como lidamos conosco mesmo quando, devido às nossas reações impulsivas, num momento de raiva, de ira, de incompreensão, nós mesmos nos colocamos nessa situação e nos sentimos muito desconfortáveis.

Posso citar aqui várias situações. Talvez seja uma pessoa que sempre tem que fazer as coisas do jeito dela, e se não for, não está bom. Ou aquela pessoa que, numa conversa, quer sempre ter a última palavra, ter a razão e não permite a opinião do outro. Ou aquele estranho que se aproxima de você e começa a falar de sua vida pessoal, o que é muito desconfortável! Situações em que temos que lidar com pessoas que nos deixam desconfortáveis ​​acontecem o tempo todo. Qual a minha reação diante dessas situações? Suportamos para não gerar um conflito ou somos honestos com o outro? Saímos da nossa zona de conforto e nos dispomos a ajudar o outro no seu amadurecimento social, afetivo, espiritual?

Se a palavra de Deus me diz que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28), devemos olhar para essas situações como algo que Deus providenciou para que ali eu me posicione, eu ajude falando com a pessoa, corrigindo-a se for necessário. Isso é amar o outro. Se falo com delicadeza, com zelo pela vida do outro, a honestidade e a verdade são sempre a melhor opção. Não estou dizendo que isso é fácil. Pelo contrário, a correção fraterna é algo muito difícil, mas extremamente necessária. Só assim ajudaremos as pessoas a não nos colocar e a não colocar outras pessoas numa situação desconfortável.

Aceitar as coisas que não podem ser modificadas

Sim, isso mesmo. Temos que ter humildade para aceitar as coisas que nós não podemos mudar, como um desemprego, uma enfermidade, um sofrimento, a perda de uma pessoa querida, uma deficiência nossa e até mesmo um encontro com aquela pessoa que tem o dom de me deixar desconfortável. Aceitar e a partir daí, buscar meios para que as coisas se resolvam e não cair no comodismo e ficar se lamentando pelos acontecimentos da vida, com pena de si mesmo.

A partir do momento em que eu aceito e enfrento o que me deixa desconfortável, eu dou um novo sentido a essas situações e vou aprendendo a cada dia, a lidar melhor com elas, com verdade e honestidade.

E quando são pessoas, o que fazer?

Amar o teu próximo como a ti mesmo é o segundo mandamento da Lei de Deus. Amar e rezar, eis o que eu devo fazer primeiramente! Depois, busque a pessoa em particular e converse com ela. Seja honesto. Mostre a ela, com muita caridade, as situações onde ela te deixa desconfortável. Faça sua parte. Ela pode acolher ou rejeitar, a escolha é dela.

Quando uma pessoa não quer mudar, o que podemos fazer é rezar por ela, pela sua vida, por sua conversão. Tudo parte de nós, do nosso querer, da nossa adesão e abertura de coração.  ““Eis que eu renovo todas as coisas”. Apoc 21-5, mas se eu rejeito o novo de Deus em minha vida, O senhor continua operando, mas nada acontece em mim, porque meu coração está demasiadamente fechado, endurecido. É preciso querer que Deus renove o meu jeito de ser, o meu temperamento, a minha forma de pensar, independe das situações que estou enfrentando. É preciso humildade para acolher a correção do outro, saber ouvir e a partir daí, deixar Deus agir.

Um novo olhar sobre a vida

Quando aceitamos o que não pode ser mudado, criamos a possibilidade de enxergar os problemas, as situações difíceis, com um novo olhar. No caso de pessoas, exercito a caridade fraterna, a compaixão, a misericórdia. Às vezes as pessoas só querem nossa atenção, estão carentes de uma palavra, de acolhimento, de abraço, de amor. Seja aquele que apresenta Jesus a ela, seja Jesus para essa pessoa. Temos que aproveitar todas as oportunidades e situações para evangelizar e ser evangelizados. A criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus nos diz São Paulo em sua carta aos Romanos (8,19). Saiamos de nós e sejamos dom na vida das pessoas, por mais desconfortável e exigente que isso nos seja.

Sede santos porque eu, o Senhor, sou Santo

A santidade é o molde que Deus nos dá para sermos imagens perfeitas d’Ele, mas o processo de entrar nesse molde não é simples, é gradual e incômodo. Todos gostamos de conforto, ninguém gosta de ser exigido, apertado. Isso não é prazeroso. O caminho de Jesus, no entanto, é a saída do conforto, ou seja, entrar nos moldes de Cristo é desconfortável para a nossa natureza. Buscar a santidade é entrar pela porta estreita (Mat 7,13 livre); é se ajustar e se configurar a Cristo. E por ser estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida, poucos há que a encontrem, e para que isso aconteça, temos que nos submeter a Jesus e permitir que Ele nos conduza e nos guie. Sejamos instrumentos dóceis em suas mãos e permitamos que ele nos use para a nossa santificação e pela dos outros, conforme lhe aprouver.

E como nos orienta São Pedro: confiemos tudo ao Bom Deus porque Ele tem cuidado de nós.

“Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque Ele tem cuidado de vós” (I Pd 5,7b).

 

Sandra Luzia Silva Santos
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

Deixe uma resposta

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, insira seu nome aqui.