“Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes”

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Jesus disse em alto e bom som: “Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes” (Mt. 9-11). Esse é o relato da vocação de Mateus: um cobrador de impostos, que disse sim ao seguimento de Jesus. Todos ficaram escandalizados, pois Jesus estava sentado com um pecador, porém, o Mestre enfatizou: “não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mt. 9,13). Ele veio para alcançar a vida de Mateus, da Samaritana, de Zaqueu, dos doentes… para alcançar a nossa vida. Ele veio para nos elevar à Sua dignidade, a dignidade de filhos de Deus.

Esperança para os pecadores

Temos enfrentado uma pandemia que de certa forma aflorou os nossos pavores e estampou a nossa finitude. Se não adoecemos por conta do vírus, adoecemos por conta das suas consequências em nosso ser físico, psicológico e espiritual. Como Jesus encontrou Mateus, Ele quer nos encontrar, quer nos colocar no trilho da Sua Vontade. Se por alguma circunstância nos afastamos Dele, é tempo de permitir que Ele cure as nossas feridas.

Jesus entra na nossa realidade

Jesus sentou à mesa na casa de Mateus. Ele entrou no cotidiano e na realidade daquele homem. Não se importou com os falatórios, pois o objetivo Dele era a vida de Mateus, sua salvação. Hoje, Jesus entra em nossa realidade, nas nossas aflições, doenças e pecados.
Entra na vida daqueles que foram acometidos pelo vírus e que convivem até hoje com as sequelas da doença. Muitos precisaram e ainda precisam passar por fisioterapia, reabilitação, estão reaprendendo a viver após a doença… e seus familiares também. Pais, mães, filhos que tiveram de adaptar sua rotina para poder ajudar nesse recomeço.
Jesus entra na vida daqueles que foram acometidos em seu psicológico. Nunca se viu tantas pessoas doentes, com problemas de ansiedade, síndrome do pânico, depressão, tensões nervosas. Lidar com o isolamento, o medo da doença, a morte de um ente querido, as dificuldades financeiras, a mudança de rotina e a enxurrada de informações, não tem sido uma tarefa fácil. Ao contrário, exige uma esforço que está além das nossas forças.
Ele entra na vida daqueles que estão com a fé abalada. Em nossa vida espiritual, não foi diferente. Não poder estar em comunidade, afastado dos sacramentos, trouxe certo mornismo. Claro, que nesse período, a evangelização pelas redes sociais ganhou destaque e foi um refrigério em meio ao deserto. Entretanto, com o fim das restrições, a volta para o seio da comunidade foi lenta, infelizmente, muitos ainda não retornaram.

Médicos dos Médicos

Ele vem ao nosso encontro, Deus deseja o nosso bem! Ele toma os nossos males: “Em verdade, Ele tomou sobre Si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos… o castigo que nos salva pesou sobre Ele; fomos curados graças às Suas chagas.” ( Is. 53,4-5)

Doentes atraem o coração de Deus

Muitas vezes, queremos estar bem para buscar a Deus, ou mesmo, que a nossa realidade não esteja tão feia para permitir que Ele a toque. Entretanto, é justamente em nossa miséria, em nossa pequenez que Ele se manifesta. Precisamos aprender a confiar no Amor de Deus que está ao nosso favor. Temos que clamar por Sua ajuda, abandonar-nos Nele. Assim fez Santa Teresinha: “Meu caminho é o caminho da infância espiritual, o caminho da confiança e da entrega absoluta”.
A confiança em Deus nos faz ir além da nossa realidade: “Quando confiamos damos a Cristo Sua soberania sobre nós” ¹ Permitimos que Ele reine sobre os nossos pecados, sofrimentos, desgraças e somos restaurados. Não tenhamos medo de apresentar a Cristo nossas dificuldades, não é necessário maquiar a realidade, pois Ele veio para os doentes, Ele veio para nos dar uma vida repleta de graças, Ele nos ajuda a carregar a cruz.

Referências

1. Pequena via de Santa Teresinha – 82

Andressa Aparecida da Silva
Consagrada da Comunidade Pantokrator

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