Não use seu temperamento como desculpa pela falta de conversão

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temperamento

Temperamento: como alguma outra forma lícita de autoconhecimento, é um meio necessário e saudável para quem busca conhecer-se de maneira sincera e madura, ele é um caminho, não a linha de chegada.

Conhecer se somos coléricos, melancólicos, fleumáticos ou sanguíneos, ajuda-nos a compreender algumas de nossas reações, pensamentos e posturas, não nos autoriza a pecar.

O temperamento não justifica o pecado, ele serve para nos dar pistas de como identificar nossa fraqueza e esclarecer nossas verdadeiras lutas. O que devo dominar em mim?

Quando se está num barco a velas, é importante saber a direção e a velocidade do vento, todavia, não é ele que vai apontar o destino, mas a bússola que contém as informações certas sobre a direção que se quer tomar.

O conhecer a direção do vento serve para “ajustar as velas”.

Temperamento: um conhecimento importante para “ajustar as velas”

Penso que o temperamento, seja qual for, sabemos ser algo natural em nós, fisiológico até; seria injusto culpá-lo por nossas preguiças, impaciências, egoísmos, etc, pois uma coisa é a tendência e outra o consentimento.

Seria uma grande imprudência o marinheiro sentar-se no barco, dizer que irá para onde o vento soprar mais forte, deixar sua bússola de lado e depois que se perder, culpar o vento.

A culpa da nossa falta de conversão é nossa! Não é do nosso temperamento, passado, acontecimentos atuais ou qualquer outra coisa. Sempre temos a possibilidade de mudar, de recomeçar, de nos posicionar perante a vida, de dar a ela uma resposta diferente.

Se eu sou colérico e tendo a me irritar com facilidade, não posso me acomodar em justificativas de que explodi porque sou colérico e todos precisam entender e suportar, afinal, “é mais forte que eu”. Se eu sei que tenho essa tendência, aí é que devo lutar e deixar que o Espírito Santo, através de uma sincera vida de oração, vá transformando meu temperamento até eu não mais ser dominado por ele, mas ser capaz de dominá-lo.

Todos os santos também tiveram desafios de temperamentos, porém, deixaram que Deus os ordenassem e por isso chegaram à santidade, não como a Gabriela, (da música de Dorival Caymme: “Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim, Gabriela, sempre Gabriela”) que se não se converteu, deve ter também “morrido assim”.

O milagre da nossa conversão é Deus quem faz. A nós compete desejar e colaborar com Ele. Deus quis contar conosco para nos salvar. Ele é Amor e o amor deixa livre o amado. Sem a nossa colaboração, seria uma imposição. Deus não Se impõe, Ele se dá a conhecer, Se apresenta. Quem O aceita, ótimo; quem O rejeita, problema da pessoa.

O livre arbítrio fez santos, mas também demônios. Nossas escolhas ditam nosso destino

Importante ressaltar que não existe aqui o mais ou menos: ou decidimos buscar a santidade que nos fará felizes ou vamos buscar nossas próprias auto satisfações ditadas pelo mundo. A liberdade está na escolha!

A liberdade que o mundo diz existir é ilusória, de fato, ninguém faz o que quer, faz o que há opções de se fazer e dentro daquilo que alguém diz que pode ser feito. Ninguém escolhe o que não existe. Se esse alguém lhe dá opções, ele também limita suas escolhas. Desse modo, ninguém faz o que quer, faz o que é possível fazer.

O ser humano não é capaz de criar algo do nada, só Deus!

O temperamento foi criado por Deus, desordenado pelo pecado. Se eu decido seguir o manual de fábrica, que sabe exatamente os meios corretos para que o equipamento funcione perfeitamente, com certeza minhas chances de resolver o “problema” serão altíssimas; por outro lado, se eu decido “fazer do meu jeito” ou seguir “palpiteiros de plantão”, além de diminuírem consideravelmente minhas chances de sucesso, corro o risco de danificar seriamente o equipamento e até perder a garantia.

Então, onde encontrar essa bússola e onde está esse manual? A Palavra de Deus é a resposta! Através de uma sincera e frutuosa vida de oração, de um profundo relacionamento com Deus, frequência nos sacramentos, vou me deixando ordenar e vou adquirindo paz, sabedoria e todas as virtudes necessárias para o fim que almejo: a verdadeira felicidade que nunca termina, nossa união definitiva com o Deus que amamos e que nos ama infinitamente!

Rosana Vitachi
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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