O Deus vivo se dá a mim

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Deus vivo

Desde já, eu te convido a uma experiência. Diga para você mesmo: “Eu sou filho(a) do Deus Vivo”. Pense um pouco sobre essa realidade maravilhosa e incrível. Muitas pessoas se consideram religiosas, mas imaginam Deus como um “ser do passado”, uma figura mitológica ou uma ideia bastante vaga. Mas o que Cristianismo nos apresenta é justamente o contrário: um Deus próximo, atuante e que se entrega por inteiro.

O Senhor está sempre conosco, e isso não é apenas uma frase vazia com fins motivacionais. O próprio Cristo, antes de subir aos céus, prometeu aos seus amigos: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20). Desde o Antigo Testamento, a fidelidade de Deus se faz presente: “Se tiveres de atravessar a água, estarei contigo, e os rios não te submergirão. Se caminhares pelo fogo, não te queimarás, e a chama não te consumirá. Pois eu sou o Senhor, teu Deus, o Santo de Israel, teu salvador” (Is 43, 2-3).

Esta é a verdade mais importante de todas: nós temos um Deus vivo que se importa conosco. Ele não é indiferente às nossas doenças ou dores; Ele tem contadas cada uma de nossas lágrimas. O Senhor não simplesmente criou o mundo e o deixou no “piloto automático”. Ao contrário, Ele intervém em favor daqueles que são Seus. Ele vive!

DEUS QUER NOS TRANSFORMAR

É curioso notar como nós temos a capacidade de absorver comportamentos das pessoas que convivem ao nosso redor, mesmo que não percebamos. De repente, estamos falando a mesma gíria que o nosso amigo; estamos rindo de forma idêntica ao colega do lado; até mesmo o sotaque da região é capaz de nos influenciar de maneira clara.

É justamente por isso que os antigos costumavam dizer: “Diga-me com quem tu andas e eu te direi quem és”. Com isso, eles queriam dizer que o contexto ao nosso redor possui a capacidade de nos transformar – seja para o bem ou para o mal. Já vi casos de adolescentes “difíceis” que mudaram radicalmente após frequentar um bom grupo de jovens na igreja. O contrário também é verdade: já vi jovens bem formados perderem a fé após se inserirem em contextos anticristãos.

Essa realidade básica sobre o convívio humano também possui reflexos na vida espiritual. Quanto mais uma pessoa é íntima de Cristo, mais ela passa a imitá-lo (mesmo sem se dar conta). O mesmo vale para quem é devoto da Virgem Santíssima e conversa com ela todos os dias: logo se percebe que a pessoa adquire virtudes que são próprias da Mãe de Deus, como humildade, mansidão, docilidade e obediência.

É exatamente por essa razão que a santidade de uma pessoa não se mede pelos seus serviços ou pelos fenômenos místicos que experimenta. De acordo com os grandes mestres da vida espiritual, a santidade se mede pelo grau de intimidade que nós temos com Deus: quanto mais íntimos, mais apaixonados ficamos; quanto mais apaixonados, mais próximos queremos estar.

O ALIMENTO PARA QUEM QUER SER SANTO

O Senhor já havia feito muitas coisas pela nossa salvação: se tornou homem, se fez obediente durante toda a vida, nos ensinou a Boa-Nova e até morreu na cruz pelos nossos pecados. Mas o amor de Deus não conhece limites e Ele fez ainda mais: deu a própria carne como alimento a todos os seus amigos!

Quando nós recebemos a Santa Eucaristia, não estamos simplesmente celebrando um “símbolo”, tratando a hóstia “como se fosse” o Corpo de Cristo. Muito pelo contrário, nós estamos tocando o mesmo Jesus que curou os cegos, ressuscitou os mortos e pregou o famoso Sermão da Montanha.

O Evangelho nos conta a história de uma mulher que sofria com um fluxo de sangue há doze anos e já tinha gastado todos os seus bens com médicos, sem conseguir resolver o problema. De repente, ela avistou Jesus e pensou: “Se eu ao menos tocar na sua veste, poderei ficar curada”. Dito e feito: a hemorragia se curou instantaneamente (cf. Mt 9, 20-22).

Agora perceba uma coisa: o mesmo Jesus que aquela mulher tocou é este que nós recebemos na Eucaristia. Aliás, nós fazemos muito mais do que ela: enquanto ela se limitou a encostar na veste, nós comungamos o Corpo e Sangue do Senhor! É uma graça inestimável que nem mesmo os anjos têm acesso!

O SENHOR PENETRA O MEU CORPO E ME CONVIDA À INTIMIDADE

O Deus vivo quer me alimentar com a sua vida. Que coisa espetacular! Foi dito mais acima que a intimidade é o maior critério para aferir a santidade de alguém. Ao ceder seu próprio Corpo Santo, Jesus está nos dizendo (nos gritando, na verdade) que tem sede da nossa intimidade. Somente quando unirmos o nosso coração ao Coração Dele é que poderemos ser verdadeiramente transformados.

Algumas pessoas costumam cultivar um pensamento escrupuloso, no sentido de não comungarem por não se sentirem dignas. De fato, quem está em pecado grave não deve se aproximar da Santa Eucaristia, sob pena de sacrilégio. Porém, quem se encontra com a confissão e a consciência em dia – ainda que seja cheio de imperfeições – não somente pode, como deve comungar.

Santo Afonso de Ligório dá um exemplo interessante sobre isso. Ele diz que seria insensatez uma pessoa se recusar a se aproximar do fogo por estar muito fria. Ora, é justamente por se sentir com frio que ela deve se aproximar com pressa! Do mesmo modo, se quisermos atingir a perfeição da caridade, nós PRECISAMOS DA SAGRADA COMUNHÃO. Como bem lembrou o Papa Francisco recentemente, “a Eucaristia não é prêmio para os bons, é remédio para os fracos”.

Ao recebermos o Corpo do Senhor, ocorre um intercâmbio espiritual: nós entregamos nossas fraquezas e nossos fardos, enquanto Deus dá a sua paz e sua alegria. Nós entregamos nosso cansaço, e Ele nos dá sua coragem. Nós entregamos a nossa miséria humana e recebemos as graças divinas.

Que a Virgem Santíssima, aquela que gestou dentro de si o Menino Jesus, nos ensine a ter uma verdadeira intimidade com o Deus Vivo na Sagrada Comunhão.

Rafael Aguilar Libório
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator

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