O quanto queremos ser amados — que seja esse o tanto que eu ame

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Ame

Ame sem esperar nada em troca, ame na medida em que gostaria de ser amado, e terá amado de fato. Ame com pureza e gratuidade, ame com generosidade, que é fruto do coração grato a Deus. Só os corações generosos sabem ser gratuitos.

“É maior alegria dar que receber.” (Atos20,35)

Quando amamos sem esperar retribuição ou recompensa, Deus nos transforma, cura nossos egoísmos, forma nossa vida para sermos cada dia mais parecidos com Jesus; passamos a olhar o próximo com o olhar de Cristo. Se formos generosos, experimentaremos a alegria de dar sem esperar receber, participando da alegria dos outros e vivendo as alegrias de receber bênçãos de Deus em nossas vidas.

É verdade que nosso coração tem sede de reciprocidade, fomos criados por amor e para o amor, temos necessidade de comunhão, de relação, de amor, e nesse sentido quando digo “ame sem esperar recompensas”, não estou dizendo que temos que compartilhar da insensatez e ingratidão do outro, mas que devemos ser livres no nosso amar.

O pecado desfigurou o verdadeiro sentido do amor, este se transformou em moeda de troca, em sinônimo de egoísmo e prazer. No entanto, o Amor Maior chegou assim, esvaziando-se de Si, fazendo-se homem, fez Sua a nossa sede, se entregou por amor a nós; um amor incondicional, livre, total, fiel e fecundo.

“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados. Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor”. (Ef 5, 1-2).

É do lado de Cristo transpassado pela lança que jorrou todo o amor, uma fonte viva que sacia toda a nossa sede. Jesus é Aquele que dá ao homem o Espírito Santo, a “água viva” que sacia nosso coração inquieto, sedento de amor e vida e por vezes cansado de amar sem nada receber.  Ele mesmo se revelou à mulher samaritana lhe dizendo: “Dá-me de beber” (Jo 4,7).

Na verdade, o que Ele desejava era saciar a sede daquele coração, que mendigava amor sem nada receber; os “cinco maridos” podem ser representados para nós como toda tentativa frustrada de amar com o objetivo de sermos amados.

“Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água viva.” (Jo 4,10).

É por amor que Deus adentra as profundezas da nossa humanidade e nos diz: ame! Cristo, ao se fazer homem, também experimentou o egoísmo dos homens, mas nem por isso deixou de amar. Viveu, inclusive, o abandono, mas não foi abandonado.

Quando a gente entender que precisamos amar na medida em que queremos ser amados, somos ajudados por nós mesmos, voltamos à nossa essência, ao nosso chamado à comunhão, somos curados dos nossos egoísmos e ajudamos a reacender a chama da esperança no mundo.

Quer ser amado? Ame! Ame como resposta ao amor que recebeu, por que “Ele nos amou primeiro.” (1 Jo 4,19) Ame como quem ama o próprio Deus e Ele não te deixará sem recompensa. “Aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. (Jo 14,2)

Ame por amor e serás livre! Ame sem interesse. Amar sem esperar retribuição é a maior liberdade que podemos alcançar, porque assim Deus nos amou e Jesus nos ensinou. Eu amo e isso me basta. Abra seu coração para o amor, faça o bem sem olhar a quem, deixe que o Espírito Santo te mova a amar de maneira surpreendente, a se dar sem medidas.

“Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes, também vos medirão de novo”. (Lc 6, 37-38).

Vanessa Ozelin
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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