O que levar de 2020 para o próximo ano?

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próximo ano
o que levar de 2020

As circunstâncias não podem nos definir, mas com certeza nos influenciam. E 2020, indubitavelmente, foi um ano extremamente determinante. Enquanto pensava sobre o que escrever, fiquei lembrando da virada do dia 31 para 1º de janeiro, como eu estava e o que esperava para esse 2020 e como as minhas expectativas foram extremamente frustradas. Dos “n” planos que eu tinha elaborado na 0h00 do dia 1º, se dois coincidiram com o que de fato eu vivi nesse ano já foi muita coisa. Porém, sempre podemos tirar algo bom do novo e inesperado, o que vamos levar para o próximo ano?

2020 começou com a ameaça de uma 3ª Guerra Mundial e depois, como se não bastasse, uma pandemia parou o mundo. Acho difícil dimensionar tudo o que estamos vivendo e o choque caótico que foi isso, nós literalmente paramos, a sociedade imediatista que endeusa o homem se viu extremamente impotente e obrigada a parar. Vivemos o caos em todos os espectros, na saúde, política, economia, vida pessoal e familiar e, além de tudo, nós tivemos um contato mais efetivo com a nossa finitude.

Por mais que seja difícil falar de 2020 sem falar do vírus, não quero me debruçar nele, porque já estamos mais que fartos de discutir sobre os seus desdobramentos. Mas precisamos refletir como nossas respostas a ele e a 2020 podem nos ensinar sobre o próximo ano. Sobre o que levar para 2021.

E então, o que levar?

É claro que falar sobre ensinamentos, expectativas e amadurecimento é entrar em particularismos e na experiência singular de cada um, mas vamos tentar fazer um apanhado geral sobre os pontos comuns desse ano para o outro.

No próximo ano vamos passar a valorizar mais as pequenas coisas, a entender como precioso aquilo que nós temos hoje, porque a constância daquilo que temos não é garantida. Quem diria que de um mês para o outro, algo super normal como sair de casa com a liberdade de antes passasse a ser tão requisitado? Que um abraço, o toque e o carinho no efetivo pudessem fazer tanta falta. Em 2021, vamos ter maior capacidade de ressignificar que o importante não deve ser banalizado.

Vamos levar para 2021 a significância do autoconhecimento, que não podemos ignorar o nosso interior e que é mais que necessário encararmos nossas misérias, falhas e defeitos. Não sei você, mas muitas vezes me deparei com o pior e mais miserável de mim, um lado meu que ignoraria ou que desprezaria na correria do “antigo normal”. Como foi importante – mesmo que dolorido – me encarar, porque reconhecendo o que preciso crescer, entendi muito de mim, da minha identidade e daquilo que eu sou independente das circunstâncias externas.

Ano que vem vamos entender que de fato as redes sociais não nos bastam. Tudo bem, eu sei que sem elas isso tudo seria muito (mais) enlouquecedor, o nosso contato com o resto das pessoas seria potencialmente minimizado, mas mesmo com elas foi difícil. Elas não nos complementam e podem nos mergulhar na superficialidade – fazendo valer o paradoxo.

Você não pode deixar de levar:

A certeza de que controlamos praticamente nada. Consequentemente, devemos levar a certeza de que a confiança em Deus e o abandono na sua misericórdia são praticamente o nosso tudo. Eu definitivamente elegi isso como o principal para 2021: eu simplesmente preciso depositar o meu tudo em Jesus.

Claro que isso não é fácil e pode ser muito abstrato, mas precisamos fazer o exercício de revelar tudo a Ele e entregar tudo a Sua Vontade. E isso é conquistado na vida de oração e no desejo de intimidade com Jesus, pedindo para aumentar a nossa fé: “Jesus, eu tenho muito medo de tudo o que está acontecendo, do que vai ser, de como eu vou ficar, mas não quero me afastar do Senhor, aumenta a minha fé! Quero revelar o meu coração ao Senhor e confiá-lo a Ti.”

Isso não precisa ser efetivado só em uma pandemia, mas em todas as circunstâncias da nossa vida: quando nos sentimos impotentes ou super capazes. O abandono na misericórdia do Senhor descomplica tudo, até um vírus, seja em 2020 ou no próximo ano.

 

Ana Clara
Engajada na Comunidade Católica Pantokrator

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