O que significa “benzer”?

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benzer

Para quem foi criado em uma família Católica, o termo benzer é bem comum. Muitos, com certeza, já ouviram os avós, pais ou tios usarem essa expressão: vou pedir para benzer a casa ou vou benzer essa imagem de um santo, benzer o carro, etc.

A palavra benzer tem na sua raiz a palavra abençoar, que é mais comumente usada hoje em dia por nós. E o termo abençoar é essencial à vida de cada um de nós, basta lermos no livro do Gênesis que Deus, depois de ter criado o homem à Sua imagem e semelhança, teve como primeira atitude, abençoar: “Deus os abençoou” (Gen 1,28a) …, ou seja, o termo benzer tem na sua raiz a benção primeira de Deus em favor do homem e podemos afirmar com toda certeza: ela é inerente ao homem.

Não consigo imaginar nossa vida sem a benção de Deus, nela está presente a vida do próprio Criador. A benção está para nossa alma assim como o ar está para nossa existência. Sem ar ficaríamos sufocados e morreríamos e que morte triste seria esse sufocamento. E não é diferente a necessidade da alma espiritual em relação à benção, seríamos como aqueles que “vegetam”. A benção sustenta a relação do homem com seu criador.

Mas todo “benzer” realmente vem do Deus verdadeiro?

Por isso é bom ressaltar que o termo “benzer” também existe fora da Fé Católica e aí é bom nos aprofundarmos para saber se tem o mesmo sentido.

Começo afirmando que não. De certa forma o termo foi plagiado para confundir a consciência dos mais fracos e ingênuos no conhecimento da fé verdadeira.

Quem de nós não ouviu falar das “benzedeiras”? Ou até mesmo por ignorância não foi levado(a) a uma ou muitas? Talvez até não saibamos, mas se perguntarmos às nossas mães ou avós, elas vão nos dizer.

Quando criança era muito comum benzer a crianças de “sapinho na boca”, uma espécie de infecção fúngica na língua, ou mesmo quando alguém dizia que a criança tinha “quebrante” e por aí vai. Muitos são os motivos usados para procurar “benzedeira”, qualquer coisa que parece estar fora da normalidade na criança é motivo para tal atitude.

E depois de adulto também acontece muito: tirar mal olhado “benzendo” com galhos de arruda, de “espinhela caída”, de “aguamento” e segue o cortejo.

Tudo isso fora da Fé Católica; fora da Igreja não traz a verdadeira benção, muito pelo contrário, está sempre recheada de charlatanismo, superstição e astúcia do Demônio para enganar os filhos de Deus.

O Inimigo, sabendo que na sua essência o homem é necessitado da benção de Deus, o mesmo foi incutindo esses falsos benzimentos que podem ser muito nocivos para a vida das pessoas. Podem ser casos de uma contaminação simples, principalmente para as crianças ou adultos já batizados que os fazem por falta de conhecimento, mas podem ser também ações malignas que causam um estrago muito grande na vida da pessoa, principalmente se ainda não foi batizada.

Nessas contaminações podem estar raízes de muitos males na vida das pessoas, como tristezas profundas, angústias, ansiedades, solidão, falsa timidez, dificuldade de se relacionar, de crescer na vida profissional, chegando até em depressão e em alguns casos de suicídio.

Se a verdadeira benção é um bem inigualável, o “benzimento” fora da Fé Católica pode ter efeitos desastrosos na vida das pessoas. Isso é muito sério e cabe a nós, Católicos, com toda caridade, é claro, levarmos o verdadeiro conhecimento às pessoas para não serem mais iludidas nem escravizadas por Satanás.

As “benzedeiras”

Importante ressaltar que muitas o fazem por ignorância, receberam a instrução de mães, avós ou alguém próximo e, assim, vão exercendo essa função achando que estão fazendo um bem. Assim foi com minha avó paterna, ela “benzia” as pessoas que tinham alguma torção ou luxação nos braços, pernas, colunas, etc, pegava um paninho, uma agulha com linha e recitava algumas palavras, até que um dia ouvindo a Rádio Aparecida, um padre disse que era pecado e não agradava a Deus, desde então abandonou essa função e nunca mais o fez. E olha que ela era uma católica fervorosa, mas o fazia por ignorância.

Mas é bem verdade que o contrário também acontece. Pessoas têm consciência de que é um mal, mas por contaminação espiritual, influência maligna, vontade de ganhar dinheiro, etc, exercem essa função, pois o Demônio, astuto como é e incapaz de criar qualquer coisa original, é o verdadeiro plagiador das coisas de Deus. Nesses disfarces, a muitos seduz com falsas promessas de benção.

A potência da verdadeira graça

Mas em tudo a graça de Deus é maior e suplanta toda e qualquer contaminação do falso “benzer”. Precisamos tomar a autoridade do nosso Batismo para combatermos esse mal, nós portamos uma potência em nós, pois somos ungidos pelo poder do Espírito Santo, por isso precisamos abençoar verdadeiramente tudo o que nos cerca.

Eu tenho costume de ver alguma criança, alguma pessoa em uma situação que julgo não ser boa, e, em tantas situações, no íntimo do meu ser, com a convicção de que porto a graça, e vou abençoando todas essas pessoas, também lugares, etc.

Devemos ter uma clara consciência de que pelo sacerdócio comum que recebemos em nosso batismo somos portadores da benção e precisamos espalhar a verdadeira benção no meio onde estamos. No trabalho, nos restaurantes, nos transportes, na vida das pessoas.

Elias Antonio Breda Gobbi
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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