O tempo é um dom de Deus

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Deus

Estamos chegando ao meio do ano e parece que o tempo está voando. Acordamos e dormimos, o Sol nasce e se põe e, quando menos esperamos, seis meses se foram.

Você lembra de suas metas (ou promessas) feitas no começo do ano? Lembremos que, como cristãos, não fazemos simpatia nem “promessa de campanha”, mas precisamos ter metas de crescimento. Metas que sejam desafiadoras, mas não inalcançáveis.

Cultivar a paciência, trabalhar a gula, lutar contra a luxúria, rezar 10 minutos a mais por dia, ou mesmo estar mais presente em casa, viajar com a família uma vez ao semestre para algum lugar, mesmo que seja perto, etc.

O tempo é um dom! Um dom dado a Deus por nós. Antigamente não havia morangos todos os meses, ou laranjas, ou mesmo frutas em fartura todos os meses. Hoje, com o avanço tecnológico e uma rede globalizada, conseguimos ter frutas em todos os dias do ano. Às vezes mais caras ou por vezes mais baratas, mas temos.

Conseguimos “manipular” o tempo para termos comida e mesmo trabalho a qualquer momento. Antigamente era impensável “virar a noite” trabalhando na administração de uma empresa. Com a vinda da energia elétrica, temos luz em abundância e, com essa luz, podemos ficar em escritórios (ou em home office) madrugada adentro.

Contudo, existem coisas cujo tempo não temos o controle.

A virtude requer tempo de maturação

Por vezes pedimos a Deus a virtude da paciência. E o que Deus nos dá? Paciência? Mais ou menos. Deus nos dá situações em que a paciência é exercida. E ela levar tempo para se tornar um hábito. Quando pedimos a virtude da fortaleza, Deus nos dará situações de incerteza, por vezes de ver nossa fraqueza exposta para, na Fé e na Confiança, sermos fortes em Deus. Mas isso não vem do “dia para a noite”.

Santa Monica rezou por 33 anos pela conversão de seu filho, Santo Agostinho. Jesus aguardou até seus 30 anos para se manifestar. Muitas vezes pedimos a Deus uma graça, uma cura, uma libertação, e achamos que é como um WhatsApp: esperamos ficar “azulzinho” a nossa prece e logo ser respondida.

Por vezes queremos que o tempo seja rápido para nossas necessidades, lerdo para viver nossos prazeres, veloz diante das dificuldades e desprezível para nossas alegrias.

Queremos por vezes controlar a vontade de Deus quando o tempo parece não passar e, por vezes, apelamos citando a Deus a passagem das Bodas de Canaã (Jo 2, 1 – 11) ou mesmo de Elias com a viúva e o azeite (I Re 17, 8 – 18,46).

Às vezes Deus quer sim acelerar o tempo. É da vontade de Deus que todos os seus filhos estejam sadios, curados, prósperos e santos. Haja viso a quantidade de curas e milagres no Novo Testamento. Mas também é certo que, como Bondoso Pai, Ele sabe que, em alguns momentos, é necessário esperar.

Há um tempo para cada coisa

Esperamos o futuro bondoso e glorioso, esquecendo um passado “difícil” e não vivendo o presente real.

Quantas vezes reclamamos de nossos filhos que não param de sujar a fralda e não vivemos a fase que o sorriso é banguela e a casa cheirando a bebê? Quantas vezes reclamamos daquele adolescente estabanado e desajeitado e não percebemos que ele ainda está em casa e logo não o teremos mais no nosso quotidiano. A faculdade, o trabalho ou o casamento o levarão de nosso ninho.

Quantas vezes reclamamos que não temos dinheiro para isso ou aquilo, mas não vemos que aprendemos a viver com pouco. Quantas vezes entristecemo-nos com a falta de tempo e não percebemos que nosso tempo foi preenchido arrumando a casa, cozinhando e passando a roupa do nosso marido.

É normal (e humano) que nos cansemos. Muitas vezes reclamamos das fraldas, não porque não gostamos do filho, mas porque estamos cansados mesmo. Mas há vezes em que a reclamação é uma lamuriação, uma ladainha satânica onde cultivamos a reclamação e as dores e não o louvor e a benção do dia de hoje.

Quando estamos nesse estado, perdemos o dia de hoje e:
nossos filhos crescem e não marcamos suas vidas com boas coisas;
nosso salário cai mês a mês e não louvamos pelo aprendizado com as dificuldades;
nosso casamento se torna mais duradouro, mas o afeto esvai-se na reclamação;
passam-se quaresma, páscoa, advento e natal e nunca Deus nasce e ressuscita em nossos corações.

É necessário viver o tempo de hoje. O tempo que Deus nos deu. Esse tempo é um dom, uma graça, um caminho de santidade e de encontro com Ele. É no tempo de hoje, de agora, que encontraremos Deus na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, todos os dias de nossa vida até o Juízo Final.

Na eternidade haverá apenas um tempo: o do Louvor ou o da Pena perpétua.

Peçamos a Deus a graça de viver maduramente o tempo de hoje como Ele quer para que o passado, o presente e o futuro estejam nas mãos de Deus. Não importará mais se é abril ou setembro, maio ou outubro, 2022 ou 2030. O que importa é que nossas metas, desafios e meios de crescimentos estarão sempre nas mãos poderosas e bondosas de Deus.

“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo do céu.
tempo de nascer e tempo de morrer;
tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou.
Tempo de matar e tempo de curar;
tempo de demolir e tempo de construir.
Tempo de chorar e tempo de rir;
tempo de gemer e tempo de dançar.
Tempo de atirar pedras e tempo de ajuntá-las;
tempo de abraçar e tempo de apartar-se.
Tempo de procurar e tempo de perder;
tempo de guardar e tempo de jogar fora.
Tempo de rasgar e tempo de costurar;
tempo de calar e tempo de falar.
Tempo de amar e tempo de odiar;
tempo de guerra e tempo de paz.”
Eclesiastes 3, 1-8

 

Leonardo Pataro
Consagrado da Comunidade Pantokrator

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