Ordem, Caos e Redenção na Criação de Deus

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“Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom” G 1,31. Assim termina a primeira narrativa da criação do livro do gênese. A criação saída das mãos de Deus era maravilhosa. Deus contempla e se alegra com Sua criação, e a narrativa repete esse deleite de Deus nos versículos 10, 12, 18, 21 e o citado acima o 31.  O homem, por sua vez, foi criado a “imagem se semelhança de Deus” cf Gn 1,26. Obra mais perfeita, o homem é réplica (hebraico Zel) e semelhança (dam, do mesmo sangue). O homem, sem ser Deus, é uma replica de Deus, porque possui inteligência e vontade, faculdades superiores próprio dos seres que são espírito. Sem ser filho, é tratado como um filho e é capaz de receber o Espírito de Deus, o “sangue de Deus”, ou seja, a vida mesmo de Deus.

criação

A obra de Deus não só era “muito boa” como tudo vivia em harmonia consigo mesmo e com Deus. Especialmente o homem vivia em amizade em intimidade com o Criador, num contexto de paz a e beleza, expresso pelo jardim do Édem. A intimidade é notável quando o texto bíblico no Capitulo 3, 8 diz que “Eles (Adão e Eva) ouviram os passos de Deus que passeava no jardim à brisa do dia…”. Reconhecer alguém pelos passos, o jeito de andar, é sinal de muita intimidade.

A obra do pecado é a destruição de toda essa perfeição, ordem, beleza e harmonia. A serpente seduz os primeiros pais, e então o caos é instalado na criação. Adão e eva são expulsos do paraíso e da intimidade de Deus, a dor e a maldade entram na história da humanidade. O Capítulo 3 do livro de gênese narra toda essa destruição causada pelo pecado.

Diante desse caos instaurado na criação, o Criador faz um projeto de salvação, a fim de restituir a ordem e a beleza. Já o primeiro sacrifício narrado na bíblia, o de Noé após o dilúvio que purifica a criação, parece querer restaura aquela bondade, e Javé “respira o agradável odor” da oferta de Noé. Cf Cn 8,21 Esse projeto de salvação dá início quando Deus tira Abraão de sua terra para constituir um povo que prepararia a vinda do Salvador. Jesus consuma a obra da Salvação no Seu sacrifício na cruz e por isso “aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude e por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus.” Col 1, 19-20. Em Cristo toda a ordem da criação é restaurada. Na vida da Igreja existe tantos sinais dessa criação restaurada, mas um sinal contundente é a chamada “incorrupção dos corpos”. Trata-se da não degradação dos corpos (inteiros ou de uma parte) de alguns santos, observados após a exumação do mesmo. Como exemplo temos a garganta de Santo Antônio, braço e coração de Santa Tereza, coração de Cura Ars e São Vicente de Paulo e o corpo inteiro de Santa Bernadete e Santa Catarina Laubouré. É notável que não existe relatos desse milagre, sem ajuda de técnicas de preservação, fora dos santos católicos. Milagres extraordinários, inexplicáveis que vi com meus olhos e que testemunham que a criação que submete a Cristo não está sujeita a desordem do pecado.

No entanto, nos tempos de neo paganismo que vivemos, o diabo continua a seduzir e a gerar caos na criação. É fácil ver no mundo de hoje leis que atentam contra a ordem da natureza, valores que tentam destruir a harmonia da criação e modas que expressam bizarrices atentando contra o senso de beleza. A quem crê nesse Cristo, cabe fazer a experiência de uma existência submetida a Ele e por isso livre daquelas mazelas que o Diabo inseriu na criação. Essa experiência de fé nos revela que “não são os elementos do cosmo, as leis da matéria que, no fim das contas, governam o mundo e o homem, mas é um Deus pessoal que governa as estrelas, ou seja, o universo; as leis da matéria e da evolução não são a última instancia, mas razão, vontade, amor: uma Pessoa. E se conhecemos esta Pessoa e Ela nos conhece, então verdadeiramente o poder inexorável dos elementos materiais deixa de ser a última instancia; deixamos de ser escravos do universo e das suas leis, então somos livres.” Bento XVI, Spe Salvi 05

André L. Botelho de Andrade
Fundador e Moderador da Comunidade Católica Pantokrator

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