Para onde está direcionada a sua busca?

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Todos nós vivemos em busca de algo. Uma busca nada mais é do que uma jornada, e a vida por sua vez é recheada delas. Se buscamos algo, pressupõe-se de forma lógica que é porque algo nos falta. O ser humano pode estar se tornando cada dia mais cético, as gerações cada vez mais distantes dos planos de Deus, e a sensibilidade espiritual a cada momento menos valorizada pela nossa sociedade atual, mas ainda sim, existe algo dentro de cada ser existente que nem mesmo a pessoa mais racional e sem fé é capaz de negar. Um grande vazio, acompanhado por um grande anseio. É daí que se originam todas as nossas jornadas e buscas.

O vazio que portamos é o que sentimos em decorrência do algo que nos falta. Para a maioria das pessoas, é difícil decifrá-lo. A origem desse vazio é desconhecida para quem desconhece a Deus e às vezes para até quem O conhece. No entanto, é a partir desse vazio que nasce nosso desejo, o anseio, o impulso interior de ir atrás de algo que nos preencha. O vazio é a ignição e o anseio o combustível de uma grande busca.

Busca do quê?

Quando somos crianças, isso se traduz na nossa criatividade, curiosidade, no ímpeto de descobrir coisas novas e se aventurar. Quando adolescentes, nossos anseios se traduzem principalmente nos sonhos, nas paixões e no encontro de um propósito de vida. E na vida adulta, por fim, é comum ver os anseios estampados na busca de realização pessoal e reconhecimento profissional. Mas, como qualquer ser humano também pode servir como testemunha, nenhuma dessas coisas de fato preenche aquele vazio que tanto nos incomoda.

Existe algo certo que precisamos buscar? Existe uma direção correta que devemos apontar com o combustível dos nossos desejos? Se você está esperando ainda nesta terra saciar completamente seus desejos, então a resposta é não. Não existe nada que você possa fazer aqui para se sentir completo. Isso nos ensina São João Paulo II, ao nos apresentar sua tese em que explora o amor humano e o amor divino, hoje em dia conhecida como Teologia do Corpo.

Dentre milhares de outras coisas, São João Paulo II nos ensina que nossos desejos carnais e terrenos são sinais do nosso desejo de união com Deus, união essa que não acontecerá plenamente nesta vida. Portanto, a busca que devemos tomar nessa terra é uma busca direcionada ao céu, conscientes de que nossos desejos não serão saciados aqui, mas sim crescerão a cada dia até nos impulsionar ao infinito. Santa Teresinha também fez essa descoberta durante sua vida, e constata que quando mergulhou na busca pelo infinito, a própria sede ardente se tornou a bebida mais deliciosa, ou seja, o próprio anseio já nos satisfaz de algum modo, alimentando a esperança de seremos totalmente preenchidos na Eternidade (Cf. História de uma Alma).

A busca é eterna

Muitas pessoas que já caminham em uma vida espiritual ainda possuem a ilusão de que, vivendo com Deus, já seremos totalmente saciados na terra e não teremos mais a sensação de que algo ainda nos falta. Todavia, não foi assim que o Senhor quis que as coisas funcionassem. Pelo contrário, o próprio Jesus se vai e diz que é necessário para nós que Ele o faça (Cf. Jo 16:7), para que ao sentir sua perda, nunca cessaremos e nos cansaremos de buscá-Lo.

Por isso, se sua busca ainda está direcionada a preencher seu vazio com as coisas seculares, ou até mesmo com as coisas de Deus, achando que aquele vazio irá sumir de uma outra para outra, você irá se frustrar. Se as coisas fossem assim, não haveria santidade. A busca é eterna e deve ser direcionada ao eterno. Nada disso anula seus sonhos, paixões e planos humanos, pelo contrário, te ensina a vivê-los com liberdade, sabendo que são apenas parte do caminho, e não o seu destino final.

Giovana Cardoso
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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