Pentecostes: A perene graça do Espírito

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O Espírito Santo, como sabemos, é a terceira pessoa da SS Trindade, é Deus com o Pai e o Filho. O Espírito Santo é o continuador da obra da redenção, é o prometido do Pai. “Exaltado pela direita de Deus, havendo recebido do Pai o Espírito Santo prometido, derrama-o como vós vedes e ouvis.” At,2,33.

O evento de Pentecostes, uma das três mais importantes solenidades celebradas, marca a manifestação pública do nascimento da Igreja. Com a pregação pública de Pedro, inicia-se, ao longo da história humana, a manifestação perene da ação de Deus em nosso favor. Uma vez derramado, é Ele que conduz, ilumina, enriquece e plenifica a Igreja em sua missão. O Espírito Santo é o poder do alto em nosso favor, é o verdadeiro bom amigo de todas as horas. É dEle que nos vem todos os dons e graças necessárias para nossa salvação.

Duas realidades: a Divina e a humana

Quando pensamos na realidade Divina, de um Deus tão grande, tão perfeito e olhamos depois para nossa realidade humana fraca, ferida pelo pecado, com toda nossa incapacidade, pensamos que é impossível a unidade dessas duas realidades. Mas o que era impossível ao homem, Deus o fez possível em seu Filho encarnado, morto e ressuscitado.

No texto do filho pródigo lemos: “Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.” Lc 19b-20a. Aqui está a verdadeira definição do homem ferido pelo pecado, toda sua indignidade, toda sua incapacidade. O homem que dissipou o maior tesouro que tinha, a perfeita comunhão com o Criador, para viver de acordo com sua vã vontade. É o retrato do fracasso, do homem e não de Deus.

Por outro lado, também lemos no mesmo texto a explanação do pai para o filho mais velho, o filho indignado que ficou na casa do pai, mas não era menos necessitado da misericórdia, pois vivia em uma mentira: “Explicou-lhe o Pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.” Lc 15,31. Aqui está um mistério de quem é Deus e como nos olha Deus. O pecado é barreira para o homem chegar a Deus, mas não é barreira para Deus amar incondicionalmente seus filhos. Aqui se fundamenta a incondicionalidade do amor de Deus; não importa o que façamos, onde estejamos, Deus continua a nos amar, e mais, fez uma sociedade conosco: “tudo o que é meu é teu” e não é suma sociedade anônima, mas uma sociedade por participação clara e direta, pois, como nos diz a Palavra, somos filhos e herdeiros.

Os dois trechos acima nos revelam a verdade do homem e a de Deus. Diante disso está a resposta de como é possível a unidade das duas realidades, a Divina e a humana. Ela se realiza não a partir do homem ferido pelo pecado, mas por Deus em seu Filho único que se encarna em nossa realidade, na essência do ser criado à sua imagem e semelhança, mostrando assim a perfeição da criação, que, apesar de ferida pelo pecado, é perfeita, pois pode ser restaurada, e mais ainda, ser elevada.

Paixão de Jesus

Jesus na cruz toma sobre si nossas dores. Feridas, pecados, toda imundície, toda atrocidade da humanidade, toma sobre seu corpo puríssimo e filtra tudo isso em sua carne santa, deixando-a ser ferida por nós, lançando-nos no abismo da sua Divina misericórdia, no mais profundo do seu ser, e permitindo que, do seu coração ferido, onde jorrou sangue a água, jorrasse a nova humanidade redimida e elevada à sua divindade, não em natureza, mas por participação.

É o homem sendo elevado em sua dignidade no mistério divino, sem deixar de ser essencialmente humano, e o Deus que se rebaixa à nossa humanidade, sem perder sua essência Divina. É mistério redentor donde jorrou sangue e água, símbolos dos sacramentos, símbolos da vida da Igreja, símbolos do Pentecostes, onde recebemos a graça perene da presença de Deus em nós, onde somos agraciados com o mais belo tesouro: o Espírito Santo, a habitação do próprio Deus em nós, onde experimentamos a graça perene a pairar sobre nossa vida para transformá-la e elevá-la no abismo de sua eterna misericórdia.

A graça perene do Espírito Santo

Parece que houve um desvio de rota sobre o tema acima, mas, na verdade, tudo faz parte do roteiro. É impossível falar de Pentecostes sem associar a paixão de Jesus, isso o próprio Pedro nos mostra em sua pregação em At 2,14ss. O Espírito Santo é o “tudo que é meu é teu”, é riqueza dos homens, é o próprio Deus que se dá a nós, não em cápsulas, mas de forma perene e total. Espírito que jorrou primeiro do peito aberto de Jesus na Cruz e se manifesta no dia de Pentecostes.

O profeta Elias diz: “É vivo o Deus a quem sirvo”, o que é uma verdade, mas nós devemos proclamar que é ressurreto o Deus a quem servimos, pois ele passou pela nossa morte para nos libertar e permitir que adentrássemos em sua vida de graça e santidade. A ressurreição de Jesus é nosso estandarte para ser elevado diante de Satanás para mostrar a quem verdadeiramente servimos.

O Batismo do Espírito Santo

“Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e repousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo concedia que falassem.” At 2,1-4.

Celebrar Pentecostes é mergulhar nesse batismo do Espírito Santo enviado por Jesus após receber do Pai. É a continuação da obra da salvação no mundo e em nós, é a graça perene de Deus, pois é o próprio Deus imutável para sempre que se dá a nós, mesmo que em fagulhas, mas o Deus que se dá de maneira total, não parcial; não são pedacinhos de Deus, mas o Deus total com toda sua majestade e soberania, nos cumulando de dons, carismas e graças.

Consequência da ação do Espírito Santo em nós

“Pedro e João iam subindo ao templo para rezar à hora nona. Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo. Quando ele viu que Pedro e João iam entrando no templo, implorou a eles uma esmola. Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: Olha para nós. Ele os olhou com atenção esperando receber deles alguma coisa. Pedro, porém, disse: Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda! E tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto pôs-se de pé e andava. Entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. Todo o povo o viu andar e louvar a Deus.” At 3,1-9.

Esse coxo representa a humanidade que precisa ser alcançada pela Graça de Pentecostes. O maior tesouro que temos não pode ficar escondido ou guardado para nós, mas precisa ser partilhado com todos.

Pedro e João são o símbolo dos novos evangelizadores, não mais com conhecimento humano da lei, mas portadores da Graça do Espírito Santo, cheios de carismas e autoridade, com audácia e confiança, tendo a certeza de que têm o bem maior em favor dos homens.

Elias Antonio Breda Gobbi
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator 

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