Qual a lupa que você tem usado?

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Como dizem por aí: “tudo depende do ponto de vista”. Isso não deixa de ter um fundo de verdade, se percebermos que a maneira como vemos as coisas é influenciada pela lupa que usamos, pela ênfase que damos a elas. Nos dias atuais, é muito comum enxergar-se tudo, ou quase tudo, pelo ponto de vista do medo, das preocupações, da autossuficiência, da vontade própria, da necessidade de estar sempre “feliz”… Você já refletiu sobre isso? Qual a lupa que você tem usado?

A lupa do medo e das preocupações exageradas

Habitamos em um mundo e em uma sociedade que parecem nos dizer que somos seres solitários e que tudo depende unicamente de nós mesmos, que vivemos “cada um por si”, como se cada um de nós fosse o único responsável pela nossa sobrevivência. Alguns se sentem como se Deus os tivesse criado e simplesmente os tivesse abandonado à própria sorte. Outros têm um medo exagerado e até doentio de perder seus empregos, de não conseguir prover as necessidades próprias e de sua família, até mesmo de não conseguir manter seu padrão de vida, e do futuro.

É verdade que precisamos nos empenhar para sermos profissionais competentes, responsáveis e honestos, coerentemente com a nossa vivência cristã, buscar manter uma vida financeira organizada conforme a realidade de cada um, ser prudentes nos gastos, mas ter a profunda consciência e a confiança de que a nossa subsistência e sobrevivência não dependem somente de nós.

“Portanto, eis que vos digo: não vos preo­cupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?” (Mt 6,25-26)

“Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.” (Mt 6,32b)

É o que nos revela as Sagradas Escrituras. Façamos a nossa parte, dedicando o melhor de nós, mas olhemos pela lupa da providência divina. Deus cuida de nós e não permite que nos falte aquilo de que realmente precisamos. A preocupação é um sentimento humano, é normal que a sintamos, mas se temos Fé em Deus, não há porque se desesperar. Muitas vezes, os ventos parecem contrários, mas o Senhor tem Seus meios de agir em nossas vidas e nunca deixa de olhar por nós. Seus caminhos vão muito além do nosso entendimento. Lembre-se sempre de que tudo é providência: seu emprego, seu salário, bem como as providências misteriosas e surpreendentes de Deus nos momentos de desemprego e dificuldades. Mais do que o nosso sustento, Deus deseja prover a nossa salvação. Tenha um coração grato!

A lupa da vontade própria

A lupa da vontade própria facilmente desfoca a nossa visão de Deus e até de nós mesmos, levando-nos, por vezes, a buscar somente o nosso bem-estar, uma “felicidade” superficial, um egocentrismo. Há uma necessidade de prazer, de estar sempre “feliz”, um desejo de tudo controlar para que tudo sempre nos agrade e se realize conforme a nossa vontade.

Deus, porém, não nos quer crianças mimadas, mas deseja que sejamos pessoas maduras e realizadas. A vida de um homem e de uma mulher não se resume a prazeres somente, embora eles sejam importantes e lícitos. Deus deseja que os tenhamos, mas que saibamos viver as coisas com equilíbrio e dando real sentido a elas. Quando estamos em sintonia com Deus, cada pequeno prazer, com uma comida gostosa ou um banho de mar, por exemplo, torna-se um reflexo da felicidade eterna no Céu.

A lupa da Fé

Unidos a Deus, pela vida de oração, somos capazes de enxergar com os olhos da Fé. Ela cura as nossas “miopias” e nos torna capazes de ver as coisas como realmente são, em dimensão e valor. Agora, sem falsas lupas, tudo se ordena. Somente Deus nos sacia e nos faz realmente felizes! N’Ele, somos livres! Ele é a nossa Paz e o nosso sustento! Sejamos gratos!

Aprendamos com São Paulo:

“Sei viver na penúria, e sei também viver na abundância. Estou acostumado a todas as vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade. Tudo posso naquele que me conforta.” (Fil 4,12-13)

Que o Bom Deus nos abençoe!

 

Adriane Luz
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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