Qual a medida do amor?

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amor

“O amor é um elo entre o azul e o amarelo”. Leminski escreveu essa frase, tentando explicar o amor nos deu uma frase aparentemente sem sentido, mas a partilha de hoje não é para definirmos ou buscar sentido no amor. A proposta de hoje é medir o amor. Será que é possível dar uma medida para ele?

Se pegarmos o que nos diz o apóstolo João em sua carta, vemos que “Deus é amor”, e se pensarmos que não podemos mensurar Deus, logo já temos a resposta da nossa questão: o amor não tem medida!

Simples isso, não é mesmo? Se já respondemos à pergunta que dá título a este texto, poderíamos terminar por aqui, certo? Sim, poderíamos. Mas já que estamos aqui, faço o convite para ficar comigo mais um pouco e aprofundarmos esse assunto. Bora?

Aos que continuaram a leitura, vamos conversar sobre o amor. Ah, o amor! Tão falado, debatido, desejado. Certamente, se você ainda não vive um amor autêntico, deseja viver um. Ou talvez nem acredite mais no amor, perfeitamente compreensível. Na sociedade atual, com os pensamentos e valores tão corrompidos, facilmente podemos cair na desesperança de que ainda seja possível amar e ser amado.

Que vida triste seria essa sem o colorido do amor. Ainda bem que para Deus nada é impossível.

Ora essa, Deus é o próprio amor e nós que cremos n’Ele já vivemos um amor, mas aí entra a questão da corrupção do pecado em nós, na qual acreditamos até certo ponto, a partir das nossas métricas. Por vezes, caímos no engano de colocar medida no amor de Deus e no nosso amor por Ele. Ah, se Deus me ama tanto, Ele me dará um emprego novo! Eu amo a Deus, mas rezar todo dia é exagero, não é?

Essa mentalidade de colocar medida no amor nos trava nas nossas relações. Não conseguimos alcançar a plenitude da vida por colocar limite no meu amar ao próximo e ser amado. Num piscar de olhos nos tornamos pessoas ressentidas, amargas, triste.

Enfim, uma vida onde o amor não transborda é como uma árvore que perde a seiva da vida e vai secando aos poucos até a morte.

Para ilustrarmos os benefícios do amor sem medida, relembramos o que aconteceu nas bodas de Caná. Faltou vinho na festa de casamento na qual Jesus e seus apóstolos eram convidados, e a pedido de Sua mãe, Jesus pediu aos servos que enchessem as talhas de água e a transformou em vinho. Não qualquer vinho, o melhor vinho da festa. Não pouco vinho só para inteirar o faltante, mas muito vinho, para continuar a festa e ainda sobrar. Esse é um belíssimo mistério a ser vivido.

Viver o amor sem medidas é encher as talhas da nossa existência até a borda com a água da nossa vontade e da nossa fé, na certeza de que o Senhor irá transformar no melhor vinho que vai alegrar a festa da nossa vida até o fim.

Sei que não é fácil dar esse passo, o medo de sofrer, de se ver abandonado acaba nos travando, limitando nossa vida. Amar sem medidas é um convite à verdadeira fé, pois a única garantia que temos é a de que Deus irá se transbordar de amor por nós, ninguém mais fará isso. Talvez você se questione se vale a pena viver isso. Bom, sou suspeita em dizer que vale a pena sim, então termino essa nossa reflexão de hoje com um trecho do poema da minha querida amiga Santa Teresinha e um convite para que você possa embarcar nessa aventura da fé e do amor sem medidas.

Viver de Amor é dar-se sem medidas,
Sem reclamar salário sobre esta terra.
Ah! Sem contar, eu dou bem convencida
Que quando se ama, não se calcula!
Ao Coração Divino, transbordante de ternura
Eu tudo dei, corro ligeira,
Nada mais tenho que essa única riqueza:
Viver de Amor.

Que o Bom Deus te abençoe!

Fernanda Guardia
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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