Qual é a Terra do seu coração?

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 Vivemos em uma realidade social na qual o crescimento – seja pessoal, material ou profissional – é extremamente valorizado, mas muitas vezes ele é conquistado por uma instrumentalização da autoajuda, pelo apego à imagem – guiado pelo conceito do crescimento ser convencional – e alicerçado em um objetivo efêmero. Assim, ele vem alheio ao amadurecimento, não é conquistado por um profundo autoconhecimento e sua finalidade, pela nossa lógica da Verdade em Cristo, não é a santidade. Mas nós precisamos ser homens e mulheres sempre dispostos a ser mais para chegarmos ao Céu, para vivermos nossa vida guiada pelo verdadeiro sentido e ser genuinamente felizes intrinsecamente à nossa essência; para tudo isso, precisamos conhecer a terra do nosso coração.

Metaforicamente, conhecer tal terra é conhecer a nossa essência, nossa alma e verdade, a base que nos constrói e que é a responsável pelos desdobramentos do que somos. E essa analogia usada por ninguém menos que nosso colega Jesus Cristo no Evangelho de São Mateus, no capítulo 13, nos provoca a buscar entender quais são as sementes plantadas em nossa terra, o que elas fecundam e quais são seus frutos, se suas raízes são profundas, quais são seus espinhos e os porquês deles sufocarem as sementes. Perguntar-se a frase que nomeia esse texto é um dos firmes passos para crescer: o que eu sou, o que eu verdadeiramente cultivo e qual o norte que essa colheita deve ter?

Como conhecer nossa terra?

Encarar com honestidade e simplicidade a composição da nossa terra é um ato de coragem, porque muitas vezes dói nos depararmos com o nosso todo, encararmos desde nossas pragas até nossas flores. Mas o Senhor está ao nosso lado, Ele segura nossa mão para minuciarmos e conhecermos cada pedacinho dessa terra, e para que, a conhecendo, possamos ser ainda mais d’Ele; então vamos lá! Seguindo a lógica da metáfora e influenciada pela geografia, primeiro precisamos entender como é o relevo dessa terra: se é um planalto com uma superfície mais alta, uma planície ou um terreno muito íngreme, porque dependendo de como ele for, nossas técnicas de cultivo e plantação, a manutenção dele precisará ser singular e pensada. Mas o importante é que, independente de como ele for, fecundará.

Nosso relevo e formas são determinados e permanentes, porém muitas vezes o tipo da nossa terra é algo que sofre influências externas, seja pela chuva ou falta dela, presença ou ausência de cobertura vegetal que potencializam sua secura e aridez, assim como a sua fertilidade. E mais uma vez, compreender como funciona a nossa terra é essencial; se estamos em um período de aridez e secura espiritual, em nossa intimidade com Cristo precisamos trabalhar a fé, a confiança de que mesmo em nosso ceticismo Ele se faz presente e atua em nossas vidas; nossas medidas de cultivo e cuidado devem ser voltadas para que essa terra seca se umedeça e fecunde. E se ele, agora, é um terreno fértil, devemos então cultivá-lo para que continue a dar frutos, pois mesmo as pequenas pausas podem fazer retornar à secura.

Além disso, nós precisamos ter claro aquilo que nos faz cair na tentação, o que não deixa que as sementes se tornem frutos bons e quais são os espinhos que sufocam as nossas boas raízes. Ter consciência das nossas faltas e do que nos afasta de Jesus é um caminho que efetiva as nossas ações para nos mantermos unidos a Ele. Muitas vezes precisamos ceifar os frutos maus pela raiz, os velhos hábitos, pensamentos e escolhas que apodrecem a terra do nosso coração.

Agora que eu conheço, o que fazer?

Não podemos ficar só na descoberta teórica, precisamos destrinchar todo esse autoconhecimento para que ele se converta em ações para o fomento dessa terra. E o grande cerne do prático é a oração! E ela se desdobra em vários espectros: a chuva que nutre a terra pode ser traduzida como nossa oração pessoal, com a leitura da Palavra onde Jesus se manifesta e se alimenta, já que Ele é a Água Viva. A cobertura vegetal, o seu húmus, é a relação com Jesus Eucarístico na comunhão, na Adoração. Os objetos que ceifam os espinhos estão na penitência, na caridade e no amor nas pequenas coisas pelo próximo. O encontro com o Pai se encontra muito na pequenez, e é nela e na paciência de que o pequeno faz grandes coisas que muito da nossa profissão de Fé deve estar.

O Senhor quer, acima de tudo, independente de como se encontra o terreno, é fincar a cruz d’Ele em nossos corações, e que à luz desse autoconhecimento com Ele, possamos ter uma terra que sempre fecunde o Seu amor e que exale o desejo da santidade e da vida com Ele no Céu.

 Ana Clara Gonçalves
Engajada na Comunidade Católica Pantokrator

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