Quando a vida perde o sentido

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Na verdade, a vida não perde o sentido, nós é que podemos nos perder do sentido da vida. Porém, de qual sentido me refiro? Sentido como significado das coisas, como um conjunto das sensações ou como um norte, um objetivo?

Acredito que um misto de tudo isso. 

Toda vida tem sentido, se assim não fosse não nos teria sido dada. Ela se inicia já carregada de sensações, percepções num contexto especial que faz parte de nossa história individual. Ela nos é dada com um propósito, Deus não cria almas à toa. Independente da maneira que fomos concebidos, Deus nos quis e venceu em nosso nascimento!

À medida em que crescemos, muitas impressões vão sendo fixadas em nós e vamos nos moldando às nossas vivências, construindo nossa história que nos permite ser o que somos hoje.

Somos frutos das nossas escolhas, sensações e percepções, daquilo que deixamos ou impedimos que faça parte de nossa vida. Muitos acontecimentos fogem do nosso controle, porém nenhum deles pode atingir nossa alma sem nossa permissão.

Deus nos criou com uma liberdade interior que nem mesmo Ele infringe. Se hoje somos escravos de situações ou até de pessoas, fomos nós que permitimos. Sendo assim, nós temos a responsabilidade por essas permissões e podemos revogá-las sempre enquanto vivermos.

Perdemos a bússola?

Pensemos que somos viajantes caminhando numa estrada pouco conhecida no meio de uma floresta. Se não temos uma bússola, algo que nos norteie, facilmente nos perdemos. Não é a estrada que desaparece, somos nós que nos embrenhamos mata adentro procurando atalhos que nos desviam do destino ao invés de chegarmos mais rápido a ele.

Acabamos por encontrar mil defeitos na estrada e tentar caminhos alternativos, inventamos uma bússola para nós mesmos e achamos que é melhor do que aquela que nos foi dada originalmente. Ao buscar nos encontrar, acabamos por nos perder e ao nos distanciar de nossa verdadeira identidade, inventamos outras para sobreviver. Acontece que quando nos afastamos de nossa identidade original e optamos por seguir os atalhos, saímos da segurança da estrada e nos expomos aos perigos da floresta.

A voz interior de nossa consciência fica cada vez mais baixa a ponto de nem mais nos esforçarmos para ouvi-la e nos deixamos conduzir por outras vozes ou pelas vozes de nossas próprias dores. Na tentativa de aliviá-las, longe da verdade, acabamos servindo-as. Elas se tornam nossos deuses e nossos carrascos. Entramos num ciclo que se retroalimenta e num círculo que não há fim, não há linha reta. 

A roda do ramster

Quando percebemos que não temos saída, não enxergamos nada além do mesmo, quando vimos que nossos esforços ou nossa preguiça nos mantém na roda e nada que façamos nos tira dela, bate o desânimo, o desespero, a ansiedade, ou outra sensação ruim que essa roda pode trazer a cada um.

Perdemos o sentido. Os atalhos não nos levaram à felicidade prometida ou esperada, as promessas das vozes que nos levaram mata adentro não foram cumpridas, fomos enganados e culpamos a estrada original! Foi por culpa dela que nos perdemos?

A estrada está lá e sempre estará. É nossa! Se desejarmos retornar, a bússola original nos será dada novamente e nos conduzirá a ela. A luz que ilumina a estrada será vista novamente e sairemos da penumbra da mata fechada. Ouviremos o som do riacho e reconheceremos o ritual do caminho. O sentido brilhará aos nossos olhos e preencherá nossos corações ao percebermos que ele sempre esteve lá a nos esperar.

Com a descoberta ou redescoberta do sentido, nossos sentidos experimentarão novas sensações, o sorriso voltará, a alegria em avistar e percorrer a velha estrada virá da confiança que depositamos nela, de que se cumprem todas as promessas Daquele que nos criou para percorrê-la.
A certeza de estarmos na estrada certa, apesar de suas imperfeições, nos encherá de esperança.

Como encontrar o sentido?

Se trata de uma descoberta, não de uma criação. O sentido se descobre, não somos nós que damos ou criamos o sentido das coisas, nós descobrimos os sentidos que aquilo já tem.

Quando estamos perdidos, desanimados, fracassados, por pior que isso possa parecer, podemos acabar nos acomodando nessa situação, nos justificando nelas, sendo vítimas de nós mesmos. É uma situação de penumbra, onde nosso olhar é turvado e não conseguimos sair dela sozinhos.

Precisamos de luz para enxergar.
Jesus Cristo é a luz. Se percebemos que estamos perdidos, precisamos abrir os olhos, desejar enxergar e aceitar o que veremos, encarar o que a luz nos mostra.

O caminho do “filho pródigo”

Acredito que esse é o primeiro passo, como fez o filho da parábola que enxergou que tratavam melhor aos porcos do que a ele e decidiu voltar para o pai.

Esse movimento de encarar a realidade como ela é e tomar uma decisão consciente é abrir os olhos, conhecer o problema e decidir solucioná-lo, não ficar lidando com ele para obter alívios passageiros.

Importante esse “arrepender-se”, confessar-se, pedir ajuda a quem pode ajudar, entrar na via da graça! Não ficar se lamentando na ilusão de que os outros nos devem coisas, de que a vida nos deve soluções. A solução dos nossos problemas está em nós, não nos outros. 

Continuo seguindo esse filho que não só decide, mas se levanta e vai. Parte dali, sai daquele ambiente de mata fechada e de olhos abertos e bússola nas mãos, caminha em direção à estrada original e chega à casa do pai.

O filho aceita todos os desafios que esse retorno lhe impõe e assume a responsabilidade de sua volta, sendo recebido com beijos e abraços pelo Pai que o ama incondicionalmente. Amor esse que supera todas as suas expectativas: anel no dedo, sandália nos pés e festa!

Termino com um versículo bem conhecido e que cabe bem na conclusão desta breve reflexão:

“Jesus lhe respondeu: ‘Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim.” (Jo 14,6)

Em Cristo temos a resposta, Ele é a resposta, o sentido e o propósito! Ele é a estrada, a luz, a força para caminhar, Sua palavra é a bússola que nos mantem na direção certa. Nele descobrimos o sentido de nossa vida, pois o destino de quem se mantém nesse Caminho até o fim é a felicidade eterna!

(Nota: Esta reflexão não está direcionada à patologias.)

Rosana Vitachi
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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