Que tipo de música você tem escutado?

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Você já parou para pensar que a música está por todos os lados? Na semana que se passou, quantas vezes você ouviu música? Provavelmente, você não ficou um dia sequer sem ouvir algum acorde que seja em casa, no transporte coletivo, no rádio do carro, no aplicativo do celular, no carro que passa pela rua, na escola e até mesmo na sala de espera de um consultório.

A música está presente em nossas igrejas, seja nas celebrações litúrgicas ou mesmo nos grupos de oração, isso porque tem a capacidade de elevar a nossa alma para Deus. Ela também desperta as nossas lembranças: quantas vezes ao ouvir uma determinada melodia, automaticamente, uma memória de algo que vivemos vem à tona, como se estivéssemos revivendo aquele momento que ficou lá no passado.29

Música, meio de encontro com Deus

Assim como todas as coisas criadas, a música é algo bom, é um meio de encontro com Deus, por mais simples que se possa parecer, pois “há algo de santo, de divino, escondido nas situações mais comuns, algo que a cada um de nós compete descobrir”[i]. Por isso, a música deve ser valorizada e utilizada para o nosso bem e o bem do próximo, seja em momentos de lazer, de espiritualidade ou de reflexão.

Por estarem presentes de maneira muito intensa em nossas vidas, é necessário ficarmos atentos às músicas que ouvimos, pois muitas de suas letras vão de encontro aos nossos princípios, à nossa fé. Outras, até mesmo ferem a nossa dignidade de filhos de Deus, isto porque o demônio soube se utilizar da música para valorizar o pecado, distorcendo todo o bem que ela pode nos oferecer.

A música, como algo cultural, tem seus mais variados estilos: clássica ou contemporânea, pop, rock, dance, sertanejo, sertanejo “universitário”, funk, rap, MPB, entre outras. Todas passam uma mensagem, refletem a realidade vivida em determinado período; enfim, são frutos da cultura de uma época.

Que tipo de música ouvir?

Nós, cristãos, que buscamos viver e testemunhar os valores evangélicos, as virtudes, a castidade, a pureza e a santidade não podemos nos deixar levar pelos modismos e pelas ideologias que denigrem a nossa identidade de filhos de Deus – aqui está o ponto chave para o discernimento necessário ao escolher as músicas que colocaremos em nossa “playlist”.

músicaVivemos hoje em uma cultura extremamente sensualizada, relativista, materialista e hedonista. Em decorrência disso, muitas músicas, consideradas “as mais tocadas do dia”, refletem e valorizam exatamente essa “cultura”, ou seja, trazem mensagens eróticas, que mostram a mulher ou o homem como um produto a ser conquistado e consumido, valorizam o ter, o poder, o dinheiro em contrário ao ser. São letras pornográficas, machistas ou feministas e melodias que despertam e valorizam, apenas e tão somente, a sensualidade através de suas batidas e coreografias.

Já vai longe o tempo em que havia uma qualidade musical em nosso país; é preciso muita paciência e força de vontade para encontrar bons artistas que fazem da sua arte uma missão, a fim de levar uma boa mensagem a partir de suas letras e melodias. Hoje, qualquer pessoa faz sucesso ao realizar o “upload” de um vídeo caseiro com uma batida irritante e uma letra que se resume a exaltar partes do corpo que se encontram abaixo da cintura. Músicas incrementadas com uma boa quantidade de palavras de baixo calão, em poucos meses, já estarão fazendo sucesso nas mídias e sendo executadas nos celulares de grande parte da população, e o mais triste, com suas coreografias vergonhosas sendo imitadas por nossas crianças e jovens, sendo aplaudidas por nós, pais, que não percebemos a cultura extremamente “animalesca” que estamos permitindo ser propagada dentro de nossas famílias, escolas e até mesmo comunidades.

Existem alguns estilos musicais que não são admissíveis em nossas “preferências”, pois estão em um caminho totalmente contrário aos valores evangélicos que somos chamados a viver. Não é concebível a nós, cristãos, ouvir músicas que depreciam a nossa dignidade de filhos de Deus, que zombam da nossa fé, que incentivam a sensualidade e que supervalorizam o pecado, a infidelidade e a descrença. Precisamos valorizar as nossas boas músicas religiosas e resgatar músicas seculares que transmitem valores, virtudes, bons costumes; não nos limitando às modinhas e aos cantores que são tidos como “ídolos”, quando, na verdade, não possuem nada a oferecer em termos de arte musical. Existem muitos bons artistas seculares, nos mais variados estilos musicais, que possuem bons repertórios, com mensagens que vêm ao encontro daquilo que vivemos e testemunhamos – cabe a nós “garimpá-los” na imensidão de músicos disponíveis no mercado.

Não bastasse todo cuidado que precisamos ter com nossas músicas nacionais, há ainda a preocupação com as músicas internacionais, que fazem sucesso, que possuem uma boa melodia, músicas que gostamos de ouvir, mas não temos a mínima ideia de qual mensagem passam, pois não nos preocupamos em traduzir suas letras para verificar se estão ou não de acordo com nossos valores. Por experiência própria, na grande maioria das vezes, quando temos a curiosidade de traduzir a letra daquela música que gostamos muito, nos decepcionamos.

Precisamos, como cristãos, ter a perspicácia, o discernimento e o espírito crítico necessário para avaliarmos muito bem, de maneira madura aquilo que ouvimos, as bandas e grupos musicais que gostamos, sua história, sua “ideologia” e a mensagem que querem passar, para que não caiamos no erro de propagar e valorizar artistas ou mesmo músicas que não condizem com a nossa fé, com o Evangelho e com a Verdade que é o Cristo, nosso Senhor e absoluto de nossas almas.

Allan Oliveira
Discípulo da Comunidade Pantokrator

[i] São Josemaria Escrivá, “Amar o Mundo Apaixonadamente”, Editora Quadrante, São Paulo, 1967

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