Quem é o meu Deus?

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Deus

Deus: substantivo masculino – o ser que está acima de todas as coisas; o criador do universo; ser absoluto, incontestável e perfeito¹.

Gosto de começar com o dicionário, pois é sempre bom relembrar o sentido das palavras que pelo excesso de uso, muitas vezes distorcido, acabam por confundir nossa compreensão. Permito-me uma simples correção na definição que copiei acima: Deus: O ser que é acima de todas as coisas. Não se trata de um estado, mas de um ser, sua essência, como Ele mesmo se definiu à Moisés:

“Eu sou aquele que Sou”  (Ex 3,14)

Deus é o criador do universo, Ser absoluto, incontestável e perfeito. Absoluto, incontestável e perfeito! Até que ponto acreditamos nisso? Ouso dizer que muitas vezes professamos com as palavras, mas não cremos de verdade.

O que mais é contestado? O incontestável. O que mais é relativizado? O Absoluto. O que mais é questionável? O perfeito.

Quando algo aparentemente ruim nos acontece; quando uma situação que esperamos que mude, não muda; quando questionamos e não enxergamos respostas; quando pedimos e não recebemos, perguntamo-nos como está a nossa relação com Deus? Refletimos sobre nossa conduta, crenças e expectativas ou já “brigamos” com Ele?

Adoramos a Deus ou O idolatramos? Cremos que se nós nos oferecemos a Ele, temos que Dele receber o que desejamos? Como está nossa amizade com Deus? É uma relação de troca? De méritos? De murmuração? De exigências? De controle? Queremos enquadrá-Lo no nosso modo limitado de pensar e ver a vida?

Se cremos que Deus é acima de todas as coisas, absoluto, incontestável e perfeito e nos ama, deveríamos ser as pessoas mais felizes do mundo! E se ainda não somos é porque ainda não cremos o suficiente. É, no entanto, um problema nosso, não Dele. A misericórdia de Deus está ao nosso dispor a qualquer momento. Ele está disponível a nós todo instante, mas nós estamos disponíveis a Ele da mesma forma?

Quem é o meu deus?

A questão continua, mas agora de uma outra forma.

O problema é que criamos inúmeras expectativas em Deus, entretanto Ele não age para satisfazer nossas expectativas, mas para nutrir nossa esperança, aumentar nossa fé, provocar caridade. E como insistimos em colocar nossas expectativas no pedestal e idolatrá-las! Ai de quem frustrá-las! Somos capazes de construir bezerros de ouro e até assassinar o Messias! Se não acontecer como eu espero, esperneio, me revolto, me isolo ou encontro qualquer outra forma de protestar, de manifestar meu descontentamento.

Isso é crer no Deus verdadeiro? Aquele que é acima de todas as coisas, absoluto, incontestável, perfeito?

A qual deus estamos idolatrando? Será que não desejamos ser nossos próprios deuses? Ou projetamos esse desejo sobre as coisas, pessoas e até sobre as situações? Até que ponto cremos em Deus? Até quando for conveniente? A quem servimos, de verdade? A quem ouvimos? Quais palavras repetimos?

“Deus é amor”  (1Jo 4,8)

Há algo aqui a se ponderar na definição do dicionário: São João o definiu mais acertadamente. Ele não deixa de ser o que coloquei acima, mas não está tão distante como o dicionário nos ensina. Está perto, bem perto. O Deus todo-poderoso, criador do universo está conosco, nos ama, deseja habitar dentro de nós e mais, é nosso Pai.

O problema não é queremos ser deuses, porque de fato pelo batismo fomos feitos filhos de Deus, mas em querermos ser deuses sem Deus, do nosso jeito! Não somos seres acima de todas as coisas, não somos absolutos nem incontestáveis e muito menos perfeitos.

Portanto Deus é amor e tem paciência conosco, Sua misericórdia é eterna. Ele quer se fazer conhecido e amado por nós, para nos fazer participar de Sua glória, de Sua felicidade!

Nosso problema, muitas vezes, é o mesmo dos filhos da parábola² contada por Jesus: não conheciam o pai que tinham! Por isso viviam infelizes.

Nós podemos viver como o filho mais velho, de corpo presente, mas com o coração distante ou como o caçula, no desejo de sermos donos de nós mesmos, acabarmos esbanjando os dons do pai e terminarmos num chiqueiro. Interessante observar que, mesmo de formas distintas, os dois filhos foram convidados para a festa!

Deus extrapola as definições citadas pelo dicionário na boa notícia que em Jesus nos trouxe: Deus é Pai e “Só Ele é bom!”  (Mc10,18)

Nenhum outro deus é bom, nenhum outro deus é amor.

Termino com a pergunta que iniciei: Quem é o seu deus?

Que possamos desejar conhecer cada vez mais a Deus Pai revelado por Jesus, pela graça do Espírito Santo. Voltemos os nossos corações para adorar e amar o Deus verdadeiro e seremos felizes à medida que aceitarmos Seu convite para a festa!

¹Dicionário on-line de Português

²Lc 15, 11-32

Rosana Vitachi
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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