Quem é você: procrastinador ou preguiçoso?

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preguiçoso

Para iniciarmos, considero válido ressaltar que a preguiça, já tão conhecida no imaginário popular que quase nos esquecemos de que é um pecado capital e uma doença espiritual, se trata de um estado exacerbado de repouso que vai contra a ordem que Deus deu ao homem ao saírem do paraíso por sua desobediência: “maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida.” (Gen 3, 17). No cristianismo, vemos a vida como um Dom de Deus e ser preguiçoso é desperdiçar esse Dom, pois no versículo 19 o Senhor complementa: “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado”, ou seja, o plano de salvação de Deus para que o homem volte à Sua presença na glória eterna passa pelo trabalho.

Quando digo trabalho não me refiro somente ao período que passamos em um determinado lugar para recebermos um salário, mas na disponibilidade em servir com os dons que recebemos e, assim, fazer da nossa vida uma intensa entrega. Porém, a preguiça nasce da presunção onde a pessoa já se considera santa e pronta. Isso faz com que ela relaxe em sua vida espiritual e acaba com a vigilância, dando um espaço de entrada para outros pecados mais graves. Também podemos cair no desânimo, diante de uma aridez espiritual a pessoa se põe prostrada, sem forças, desanimada.

A pessoa que procrastina, ou seja, posterga sempre o que precisa ser feito, não necessariamente cai no pecado da preguiça, mas está colocando sua alma em risco se expondo às situações em que se escolhe “não fazer nada” ao invés de se fazer o que precisa, cumprir seu dever. Vale lembrar que nem sempre ficamos em repouso, mas também podemos procrastinar ou cair na preguiça fazendo muitas atividades desnecessárias para não cumprir com o que deve ser feito.

Revelando a nossa verdade

Mas a pergunta que fizemos foi qual dos dois vocês eram, e digo sem sombra de dúvidas que vocês, assim como eu, são os dois! Pois quando falamos de pecados podemos perceber que nem sempre caímos nos mesmos e por muitas vezes parece que criamos alguns como se fossem de estimação por ser um pecado mais fácil em nossas tendências em cair. Mas afirmo que uma vez que você começa a ter o hábito de procrastinar, sua tendência já é preguiçosa, e manter a vigilância e a acesse é essencial para manter sua vida espiritual. Seja apenas uma época especifica ou para o resto da vida, todos vamos precisar encarar pelo menos uma vez o sono após o almoço e a vontade de deixar o trabalho mais difícil para o final; ou talvez para o outro dia, quem sabe, o compromisso que marcamos para visitar um amigo ou doente e queremos desmarcar, pois estamos com preguiça de sair de casa. Também podemos encontrar a situação mais agravante de uma pessoa que não está contente com seu trabalho por uma situação financeira, mas não muda ou progride, pois tem preguiça de estudar, mudar de área ou se aprofundar mais no que se comprometeu a fazer. Muitas são as formas que ela se apresenta em nossa vida, por isso reforço: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt 26, 41).

Afirma o Catecismo da Igreja Católica: “Quem é humilde não se surpreende com sua miséria. Passa a ter mais confiança e a perseverar na constância.” (CIC 2733). Pois é na nossa verdade que se revela a humildade de perceber que somente a Graça de Deus pode nos alcançar, e nos fazer combater todo espírito e inércia. E viveremos como verdadeiros filhos de Deus, que se colocam a serviço, pois reconhecem a ordem do Senhor que diz que com o nosso suor voltaremos para a glória. Isso nos confirma o que Santo Agostinho dizia: “Deus que te criou sem você não te salvará sem você”. Nós somos participantes ativos do plano de salvação, e a preguiça e a procrastinação só nos deixam cada dia mais distante do tão esperado céu. Coragem para combater o bom combate, irmãos, pois a recompensa é bela.

Vamos juntos para o céu!

Tayná Barbosa
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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