Quem sou eu?

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Quem sou eu? O que eu sou? Não há nada e nem ninguém menos interessante do que eu comigo mesmo, afinal, quanto mais dentro da água o peixe está menor a percepção que esse ser possui do que o sustenta e assim também ignorante de quem é.

No contexto gramatical podemos utilizar o “que” e o “quem” quando nos referimos a pessoas, por exemplo: foi ela quem me disse ou foi ela que me disse? Em todo caso, na perspectiva do “ser”, parece-me que: o que eu sou jamais pode definir quem eu sou.

Quem eu sou é uma busca incessante do sentido que Deus “disse” na criação de cada alma humana, e essa aventura terrena passa pelo reconhecimento do que eu sou, a ponto de ousar sugerir que a primeira possui um aspecto mais profundo do “ser”, aquilo que está intrínseco a alma, enquanto o segundo ponto, que deve ser o primeiro, se relaciona com aquilo que é intrínseco da humanidade “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação”- Efésios 4, 4

O mistério é antagônico

De um lado temos a nossa humanidade cheia de sentidos, vontades, necessidades e limites, a começar pelo nosso corpo, algo finito e frágil. Certa vez eu passei por um curso de primeiros socorros e traumas onde me deparei com a fragilidade do corpo humano: pensar que pode uma pessoa desfalecer com uma queda de sua própria altura. Por outro lado, temos o espírito, fonte de conexão com a eternidade, fora do tempo e espaço, também exposto a fragilidades que podem ser muito mais sérias, pois é de eternidade que estamos falando, quando se excede a nossa vontade ao que é terreno, carnal e passageiro. Assim nos elucida a palavra, pois: Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis. Gálatas 5, 16-17

O antagonismo do mistério da Santidade é exatamente viver à vontade pelo Espirito Santo diante da realidade carnal. Como isso é possível? Eu quero dizer que já está na hora de entendermos que a lógica de Deus não é nossa lógica, você pode até estar pensando que isso é clichê, e por isso peço que pense quanta vezes questionou o que ocorre em sua vida contra a vossa vontade sem sequer orar, pois é, isso é “carne viva”. Reconhecer a pequenez de nossa carne é o primeiro passo.

O que eu sou?

Pode parecer duro o que segue, de toda forma, como remédio amargo, é preciso reconhecer. Sou o que? Verme pequeno, escondido no vão dos troncos da minha vontade, me alimentando dos prazeres carnais, deixando uma gosma de impureza nos sentimentos, emoções e memórias, incapaz de criar nem uma míseria pétala.

Assim disse Davi diante da sua humanidade pelo Salmo 21, 6 “Quanto a mim, sou verme, e não mais um homem, motivo de zombaria do povo, humilhado e desprezado pela humanidade.”

Quem eu sou?

Diante da fraqueza reconhecida, então vem a hora de dizer que mesmo diante de tudo o que a carne me oferece, eu escolho viver segundo o espírito, enxertado na videira, que é o próprio Cristo, por imensa graça Daquele que é, quero viver de maneira antecipada o céu neste desterro, pois Ele não me concede sonhos impossíveis. Façamos como a palavra nos ensina, crucificar a vontade da carne para que Cristo reine.

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. Gálatas 2,20

Na certeza da promessa do céu, convido você a orar com a sua humanidade

Eu sou (diga seu nome completo), filho (a) de Deus, (sexo), (estado de vida), capaz, pela graça do meu Pai, de antecipar o céu neste desterro. Hoje crucifico a minha vontade carnal para que Cristo reine em mim onde estiver e com quem estiver. Amém!

 

Thiago Casarini
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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