Quero namorar, mas sou uma pessoa namorável?

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namorar

Vivemos na era das influências, dos modelos e dos padrões, isso é fato. Porém, toda essa influência leva à idealização exacerbada e isso acontece em todos os aspectos da vida humana: no emprego, nas relações familiares, nos estudos, nas amizades e no namoro. Muitos querem um “namorar” ideal, sendo o ideal sinônimo de perfeição. Parece que namorar é algo abstrato e imaterial, de tal forma que esquecemos que um namoro é materializado e composto por duas pessoas que tem sim ideias, mas que são bem reais. 

Idealizar, pensar e planejar um namoro é bem legal, mas concretizar esse namoro é melhor ainda. Mas a problemática mora nas circunstâncias dessa concretização, nós não somos ideais, nós somos reais. Nós não somos só nossos pensamentos, nós somos um conjunto de sentimentos, emoções, formas de responder às situações, somos linguagem, imagem, razão, desejo, afetividade e sexualidade e essa mistura toda precisa estar ordenada para que ela se complemente com outra mistura ordenada.  Mistura ordenada 1 + Mistura ordenada 2 = namoro concreto!

Temos o costume de pensar muito no outro e pouco em nós mesmos, e para namorar precisa haver um alguém namorável e precisava haver um eu namorável! Ser namorável não significa ser perfeito e imaculado, porque isso é impossível, a definição de namorável, no dicionário Aurélio da minha experiência é: ter a capacidade de crescer com o outro, para o outro e pelo outro. Para namorar é preciso estar disponível e para namorar é preciso autoconhecimento e liberdade. 

As palavras mágicas do namoro: autoconhecimento e liberdade, por favor, obrigada!

Sabe aqueles espelhos que deixam as pessoas deformadas, ou mais compridas, mais achatadas, mais gordas ou mais magras? A imagem desse espelho é o resultado de alguém que se vê sem autoconhecimento. Namorar sem ele é equivalente a acreditar que você já é maravilhoso, perfeito e ideal, só falta achar um outro ideal. Quando não temos autoconhecimento, achamos que nós somos o patamar, a medida de todas as coisas e não somos humildes para reconhecer aquilo em que precisamos crescer, sendo que cabe ao outro o papel de suar para alcançar o meu nível, e já que eu sou tão ideal, o outro está ali para me bajular e afofar a minha falta de conhecimento. 

Calma, autoconhecimento não é baixa estima, ter autoconhecimento não desvaloriza a nossa dignidade, muito pelo o contrário, o autoconhecimento é a verdade! Quando nos conhecemos bem vemos a realidade do que somos, do que sentimos e do que pensamos, reconhecemos que não somos perfeitos, que precisamos crescer, mas que temos uma dignidade e um valor que são inestimáveis. Nós somos preciosos e precisamos namorar alguém que nos reconheça da mesma forma e que se reconheça assim também.

Assim, o autoconhecimento ao namorar nos conduz à beleza, à complementariedade e à maturidade! O autoconhecimento nos faz ser namoráveis e também nos ajuda a aparar as arestas que farão com que logo vivamos essa experiência de namorar. Repare que o autoconhecimento não serve apenas para que eu namore, eu não preciso me autoconhecer apenas para isso, mas se eu possuir essa palavra mágica, ao namoro será muito mais frutuoso, porque eu saberei aquilo que o outro deve agregar em mim e eu tenho conhecimento daquilo que eu agregarei na vida do meu amado. 

Mas perceba que há um elemento ideal aqui: o tempo! Precisamos crescer interiormente – o que não significa que devemos ser perfeitos para namorar –, precisamos caminhar e preparar o terreno para o início dessa complementariedade. E ninguém mais entende o nosso tempo, os nossos processos e preparos que Deus. Ele e o Seu tempo, Ele e os seus desígnios nos fazem perfeitamente (à medida de nossa imperfeição) namoráveis. 

Dê tempo ao tempo (de Deus)!

Eu sempre tive vontade de namorar e achava que eu era ótima, super namorável e descobri depois de um tempo que não era, não! Descobri quando comecei a namorar que eu não me conhecia tão bem quanto pensava que me conhecia e sofri bastante com isso. A culpa não era do outro, ele não tinha nenhuma parcela na minha ausência de maturidade. Com muito respeito e admiração pelo outro, entendemos que ainda não era o tempo e que muita coisa tinha que ser amadurecida em mim para eu viver uma outra experiência. Foi frutuoso, pois foi elucidativo, mas pela minha falta de autoconhecimento não foi complementar.

Depois de um tempo comecei a gostar do meu namorado, mas não estava pensando em namorar naquela época, mas Deus não estava pensando como eu. Para Ele era tempo de amadurecer e com os meus processos me descobrir mais e construir essa pessoa namorável. E de fato, Deus sabe de todas as coisas! Nós vivemos o período de caminho, eu fui me conhecendo mais e amadurecendo aspectos em mim, aquilo que eu pensava, os meus comportamentos, os meus afetos, os meus pensamentos, a minha atenção, o meu interesse, tudo isso passou a ser ordenado e a me construir como indivíduo e como alguém capaz de viver e de dividir um amor com alguém. 

Quando comecei a namorar eu não era perfeita, e quase três anos depois ainda não sou. E ser namorável não é isso. Ser namorável é ser extremamente interessada por aquela pessoa, é querer se doar pelo outro e é querer se doar pela “causa”, é se divertir, é ser afetivo, é se importar, é ter o famoso toque casto, é se relacionar e se permitir ser construído pelo outro. Sem o Lucas, meu namorado, eu não seria tão namorável, mas com certeza eu seria bem menos eu, porque com ele eu descubro muito da minha verdade. Isso só é possível porque temos consciência da nossa imperfeição, mas não nos contentamos com ela, e isso só é possível porque no centro do nosso namoro há Cristo. 

Não se contente com um modelo ideal, não se contente com o imagético, se conheça e assim você conhecerá àquele ou àquela que será uma via bem importante para o Verdadeiro Amor. 

Ana Clara Gonçalves 
Vocacionada da Comunidade Católica Pantokrator

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