Religiosidade de palco

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Religiosidade

Religiosidade mata! Vi essa frase na estampa de uma camiseta outro dia. Essa frase incomoda você, meu amigo leitor?

A mim incomodou. Ao ler a frase fiquei indignada, ofendida! Como assim, religiosidade mata? A vivência da minha religião me leva a matar sim: a matar o que há de mau em mim e ser uma pessoa melhor para o meu próximo.

Fiquei dias com essa frase martelando a minha cabeça: RELIGIOSIDADE MATA!

Queria ir no site da loja que vendia essa camiseta e escrever um textão mostrando minha indignação e o quanto eles estavam errados com esse pensamento. Não fiz. Entretanto, refletindo um pouco mais, cheguei à conclusão que essa frase tem um pouco de verdade contida nela, e vou explicar o porquê.

Em uma rápida pesquisa, achei várias citações, textos, posts que seguiam essa linha de achar a religiosidade prejudicial. Uma coisa interessante foi notar que nesses textos eles não negam Jesus e Suas obras, apenas a religiosidade, os padrões na religião. No fundo é um manifesto contra as amarras de leis e normas existentes nas religiões cristãs. Eu os compreendo, afinal de contas, que coisa mais absurda confessar meus pecados para um outro pecador, que coisa chata perder parte do meu domingo de folga para ir à missa, e outra, que coisa mais ultrapassada ter que esperar até o casamento para transar – o mundo evoluiu precisamos ser mais abertos nos relacionamentos! Há tantas regras dentro da religião e como bem diz uma certa personalidade: “Religiosidade mata, mas a fé salva as pessoas”.

Sabe uma coisa curiosa? É que Lúcifer pensava o mesmo. Tantas regras e leis a seguir no Céu… tudo seria mais legal de viver se fosse conforme o Anjo de Luz quisesse. Sabemos o resto da história.

Bom, esse não é um texto para condenar as pessoas que não tem religião ou para defender a nossa religião. Esse é um texto de alerta para nós cristãos da religião Católica Apostólica Romana. “A criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus” Rm, 8, 19, e como nós católicos temos nos manifestado ao mundo? Como a vivência da nossa religião tem nos ajudado a cumprir a missão confiada por Jesus de anunciar a boa nova a todos os povos? Será que temos vivido um catolicismo encarnado, autêntico ou apenas praticado uma religiosidade de palco sem mudança de vida e atitude?

Meus caros leitores, se a nossa “religiosidade” não tem sido fecunda e gerado vida é sinal de que tem algo errado em nossa vivência. Mais do que nunca somos chamados a ser sinal do Cristo no mundo, do Cristo que gera vida, que ama até a Cruz. Cristo disse que não veio para abolir as regras, mas para dar pleno cumprimento a elas. E nós, Católicos Apostólicos Romanos, temos seguido esse exemplo em dar pleno cumprimento a lei do Amor que gera nova vida em nós e através de nós?

RELIGIOSIDADE MATA! Esse é o grito do mundo nos desafiando a mostrar o contrário. Mostrar que temos uma casa onde habitamos com o Pai e aprendemos Dele a lei do amor, da alegria, da vida nova. Peçamos ao Espírito Santo a graça de deixarmos de viver uma religiosidade de palco, rotineira, estéril, para mostrarmos ao mundo que temos uma casa e amamos habitar nela. Temos um lar que nos ensina, acolhe, apresenta-nos o Cristo nosso Salvador.

Coragem meus irmãos! Não tenhamos medo do mundo com seu grito estridente que nos acusa de fanáticos religiosos, opressores, medievais. Que possamos refutar o mundo e dizer com nossa vida que religiosidade mata sim, mata o que há de mal em nós; mata o homem velho e dá vida ao homem novo.

Que a Virgem Santíssima Mãe da Igreja e nossa mãe, nos guie nessa jornada.

Fernanda Guardia 
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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