Somos acumuladores?

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acumuladores

Você já ouviu falar da “Síndrome de Diógenes”, também conhecida como a doença dos acumuladores? (Calma… garanto que este não é um texto clínico! Apenas quero traçar um paralelo com a nossa vida espiritual).

Dias atrás, eu estava assistindo a uma série em que a temática era acompanhar o trabalho de paramédicos, os quais atendiam a pedidos de emergências domésticas, 24 horas por dia.

Um episódio específico me chamou muito a atenção: tratava-se de um senhor que havia caído em sua cozinha e fraturado a perna. No entanto, o mais impactante da história não foi a queda ou a gravidade da lesão, mas sim o fato de que aquele homem acidentado sofria de uma doença “diferente”. Ele acumulava coisas.

Devido à sua doença, sua casa estava quase que interditada, dificultando o trabalho dos paramédicos e, consequentemente, retardando os primeiros socorros. O episódio (bastante dramático) mostrou o quão dificultoso foi para a ajuda chegar até aquele homem. Havia muitos objetos na frente, a maior parte sem qualquer utilidade. Algumas coisas até exalavam mau cheiro pelo tempo que lá se encontravam. Enfim, pela demora no atendimento, o homem por muito pouco quase perdeu sua perna!

Da ficção para a vida

Assistindo a esse episódio, o Senhor me convidou a uma reflexão.

Quantas não são as vezes, durante a nossa caminhada, em que caímos e precisamos de socorro! E o mais importante: quantas são as vezes em que o Senhor quer vir correndo nos prestar auxílio, mas nós mantemos diversas tralhas no caminho e o impedimos de se aproximar!

Você, querido leitor, pode, assim como eu, pensar: “Mas eu não acumulo nada! Sou uma pessoa bem desapegada de coisas!”. Será?

De fato, muitas vezes não somos acumuladores de coisas físicas, como objetos ou roupas. Mas, e quanto aos nossos sentimentos? E quanto às nossas próprias convicções? Às vezes nós, sem perceber, mantemos uma infinidade de ideias entulhadas em nosso coração, ocupando espaço de novos momentos, tirando nossas energias e nos impedindo de receber tantas vezes o socorro de Deus.

O que tenho acumulado em minha caminhada?

Não é raro ouvir alguém dizendo: “Ah, mas eu tinha que ter revidado aquela ofensa…”; “Eu nunca vou perdoar tal coisa…”; “nunca mais confiarei em alguém…”. Já parou para pensar que às vezes você pode estar armazenando mágoas, situações de brigas e desentendimentos? E o mais importante: essas são coisas que merecem ser acumuladas em nosso interior?

O Senhor é o paramédico abrindo caminho

Voltando àquele episódio – que gerou toda esta reflexão –, o paramédico fez o possível e tentou o impossível para ultrapassar tantos entulhos e, enfim, conseguir administrar os primeiros socorros. Agora reflita o seguinte: se um paramédico comum, que nem conhecia a vítima em questão, fez tudo o que podia para chegar até aquele homem, o que não fará nosso Deus pelos seus próprios filhos?

Deus também quer fazer o impossível para adentrar seu coração e ir te buscar. A cada passo dado, Ele está desentulhando amarguras, situações não resolvidas, perdões não concedidos… Ele está limpando todo nosso interior em direção ao centro, onde está o nosso sagrado, o nosso tesouro mais precioso e bem guardado.

“Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (Lc 12,34)

Nosso interior é onde guardamos o que existe de mais caro para nós. É justamente por isso que não devemos armazenar na nossa “casa interior” nada que seja inútil, com mau cheiro e que poderá provocar infecções e outras doenças espirituais.

A decisão

No término do episódio, após receber os cuidados médicos, a vítima recebeu alta. Não só isso: recebeu também a notícia de que o síndico do seu prédio havia feito uma grande limpeza em seu lar, deixando apenas o que de fato se fazia necessário para ele viver bem e de modo saudável.

Porém, por melhor que tenha sido a intenção do síndico, a verdadeira mudança só ocorrerá se o próprio morador se convencer da necessidade daquilo. Afinal, se não houver mudança de postura, será questão de tempo para retornar àquela condição interior.

Quanto a nós, todos os dias temos esta mesma decisão a tomar: o que merece ser guardado no meu coração? Quais são os desapegos de que eu necessito? Irei juntar aqui dentro os momentos que de fato me fazem viver bem e feliz, ou sair entulhando coisas inúteis e sem valor?

Que possamos, com a graça do Altíssimo, tomar a decisão correta e encher o tesouro do nosso coração de coisas belas, eternas e saudáveis. Deste modo, deixaremos o caminho sempre livre para os socorros do nosso divino Paramédico.

Que Deus nos abençoe.

Via Canção Nova

Angélica Baruchi Libório
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

 

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