Somos chamados à fecundidade

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O amor entre os cônjuges é a expressão mais bela do amor Trinitário, vivido pelo Pai que ama e se dá plenamente ao Filho, que é O amado, e recebendo o amor pleno do Pai, também se dá a Ele plenamente e este amor de ambos é tão intenso e tão pleno que se personifica numa pessoa, o Espírito. Assim como na Trindade, o amor conjugal é chamado a ser dom, entrega total, exclusiva e fecunda; esta fecundidade pode e deve transbordar e também gerar uma nova vida, os filhos.

Para os noivos, não há dia mais esperado do que o dia do casamento. Eles iniciam no namoro este tempo de preparação, que pode ser mais longo ou nem tanto, dependendo da necessidade de amadurecimento individual e coletivo. Sim, os namorados ou noivos devem fazer uso do tempo para que possam se conhecer bem, conhecer seus hábitos, tradições, valores, manias, desejo, sonhos, família, etc.

Cada um destes pontos, certamente, daria um texto a respeito da sua importância na preparação para o matrimônio, mas deixarei para uma outra oportunidade.  Cabe dizer que é imprescindível que o casal aproveite ao máximo o tempo de namoro e noivado para que possam casar-se tendo a plena consciência da missão que estão assumindo juntos. Sim, isso mesmo, ao se casarem os noivos assumem diante de Deus e dos presentes na cerimônia de casamento o compromisso, a missão de levarem as promessas que fizeram até o fim, até que a morte os separe.

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Fechados à fecundidade 

Mas o que tem acontecido com os jovens? Por que cada vez mais eles estão se casando mais tardiamente e estão se fechando à fecundidade própria do matrimônio?

A sociedade está impregnada da cultura do utilitarismo, ou seja, permanecemos com algo ou alguém enquanto ele ou ela me proporciona prazer, enquanto eu me sinto bem em estar com aquela pessoa. É com esta mentalidade que os jovens vão passando o tempo de relacionamento em relacionamento, se é que podemos chamar o que vivem de relacionamento, pois muitos duram apenas uma noite.

Mas quando eles se dão conta, o tempo já passou e decidem que é hora de se casarem, de constituírem uma família. Entendam o que quero dizer, não estou criticando aqueles que se casam mais velhos, mas estou apenas trazendo à reflexão a triste realidade da atualidade, onde os jovens adiam ao máximo assumirem um compromisso verdadeiro, em troca de relacionamentos passageiros.

Quais são as consequências deste tipo de comportamento?

Primeiro que estando impregnados pela cultura do prazer, não sabem o que é sofrimento, sacrifício, não aprenderam a ser dom para o outro, são egoístas e querem apenas saciar suas carências, sejam elas de ordem afetivas ou sexuais, usando o outro; e é desta forma que assumem a missão do matrimônio, carentes. Segundo, ao se casarem mais tarde deixaram de testemunhar para o mundo a beleza da juventude vivida dentro de um sacramento, ou seja, no matrimônio e, com isso, a abertura à vida. Quando ela ocorre só se pode gerar um ou no máximo dois filhos, pois a fase reprodutiva está em declínio, o homem não produz mais em quantidade e nem em qualidade os espermatozoides capazes de gerar uma vida, isso comparado ao que ele produziria mais jovem; os óvulos da mulher não têm mais a mesma qualidade e muitas delas têm entrado mais cedo na menopausa, período em que elas se tornam infértil.

Diante deste panorama, o Senhor nos convida, jovens casais, a sermos testemunhas do amor Trinitário, testemunhas da beleza do matrimônio no mundo, capazes de cumprirmos a promessa que fizemos diante de Deus, do sacerdote e de todos os convidados: “acolher os filhos que o Senhor nos confiar”. Sou testemunha do quanto isso é desafiador, casei-me muito cedo, logo o Senhor nos mandou a nossa primeira filha e depois dela mais cinco, isso mesmo, somos em oito; um deles já está junto de Deus.

Mas mesmo diante dos desafios, o Senhor nunca nos abandonou. Sua mão sempre nos socorreu e irá nos socorrer, pois eu confio Naquele que me chamou à missão de testemunhar a beleza e a fecundidade do amor esponsal no mundo marcado pelo pecado.

Creia você também e aposte em Deus, Ele não te decepcionará.

Guilherme Granja
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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